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As mídias sociais, Kama Sutra e as tradições adolescentes

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MONO

As mídias sociais, Kama Sutra e as tradições adolescentes

Esqueçam o Obama vigiando as pessoas, o papa ser argentino (e simpático), cura gay, morte do Bin Laden ou qualquer outra dessas baboseiras, porque no mundo real, nosso dia a dia, essa é a notícia mais perturbadora dos últimos anos:

“Consumo de mídias sociais supera o de pornografia na internet, diz pesquisa.”

Ok, Mundo, quer dizer que essa foi sua cartada final para a gente desistir de você, então?

Sei que o assunto parece repetido, com mídias sociais, fotos de comida, idiotas com smartphones e egocentrismo, mas eu não quero morar num mundo em que as pessoas se importam mais com a vida exterior de pseudo-conhecidos do que a vida interior de atrizes pornôs famosas.

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Desde que o mundo é mundo, a pornografia faz parte da nossa vida como se fosse uma chupada no pescoço: está ali, você esconde da sua família, não deixa muita gente saber, mas sente um certo orgulho e reconhece o prazer que aquele momento te deu.

Os desenhos do Kama Sutra são milenares. Quando a francesada inventou a fotografia, depois do primeiro teste, vieram as fotos de mulher pelada. Quando os irmãos Lumière criaram a filmadora, na sequência surgiram as primeiras cenas de suas mulheres nuas (aliás, a francesada merece uma salva de palmas por ter inventado as duas bases da atual pornografia mundial).

Não é saudosismo, mas quem não se lembra do tráfico de playboys de mochila em mochila na escola, disfarçadas entre os livros de matemática, para compartilhar, de verdade, a informação com os amigos?

Quando você estava em casa sossegado, e ouvia sua mãe chegar no portão e tinha que correr para dar stop no vídeo cassete (3 segundos), tirar a fita de dentro dele (6 segundos), guardar na capinha (3 segundos) e correr para esconder em um lugar seguro (18 segundos)? Eram segundos intermináveis de tensão (ou tesão) antes de voltar pra sala com aquela cara de quem estava apenas assistindo o Chaves. Cabe o comentário: era sempre uma boa deixar no Chaves porque mesmo que sua mãe desconfiasse, você sempre seria capaz de contar o episódio inteiro para ela, provando que estava mesmo assistindo o programa.

Hoje é muito mais fácil. Para se esconder basta simplesmente fechar uma janela, ou arrastar para outra tela do seu celular.

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E mesmo assim, eis que de repente essa tradição milenar é substituída por um bando de adolescente duvidoso que prefere compartilhar uma piadinha com o Justin Bieber ao invés de apreciar os porões da sétima arte.

Vai ver é justamente pela facilidade. Eles nunca sentiram a adrenalina de ter que encontrar um esconderijo dentro do banheiro para sua revista quando sua mãe estava no quarto esperando você sair do banho.

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Diogo Mono. Redator publicitário, tenta ser escritor, será pai de família e continua sendo um observador das coisas do cotidiano.
© 2014

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