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“Bom dia, por quê”? e outras insatisfações

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Camila

“Bom dia, por quê”? e outras insatisfações

Cenas do cotidiano. Eram 16h de uma quinta-feira. Não chovia e o tempo estava agradável. Peguei o elevador, aquele que nos traz papos tão profundos como o tal do “O tempo mudou”! E não fora diferente aquela vez. A moça já estava indo para casa depois do serviço e, para falar alguma coisa, se pôs a reclamar do caminho de volta: “É quase uma terceira jornada”, referindo-se a ir ao trabalho, trabalhar e agora voltar.

Não me contive e compartilhei com ela o que passou pela minha cabeça: “Será que você já não esteve em situações piores? Não chove, você deve estar trabalhando em um lugar mais perto de onde mora ou ganhando mais para isso do que em algum outro momento da sua vida”. Ela acenou com a cabeça concordando. “É verdade”!

Coitada, não cabia apenas a ela a minha observação. Cabia a mim, a você, à humanidade. As pessoas estão acostumadas a ser insatisfeitas; meu Deus, quanta besteira! A vida tende a melhorar sempre, já percebeu? Provavelmente, você está ocupando uma posição de trabalho melhor do que estava antes, ganhando mais, sendo mais reconhecido. Está morando melhor, podendo estudar, com carro melhor na garagem, ou melhor mobilidade e condições de transporte. Talvez até tenha condições de marcar uma viagem bacana para o fim de ano. Está com saúde e, provavelmente, arrumou sim alguma sarna pra se coçar ou um problema pra reclamar.

Por que as pessoas são assim? Quem está solteiro reclama que não encontra a cara metade. Quem acha que encontrou a cara metade, na maior parte das vezes, está reclamando ou acomodado – dou graças a Deus quando vejo um casal realmente apaixonado, parceiro e cúmplice. Quem encontra alguém com quem tenha alguma afinidade, por vezes acha que não está no momento certo. As pessoas criam problemas, barreiras e situações para estar insatisfeitas. Será que é apenas isso mesmo que move o ser humano, a eterna insatisfação? A porcaria da busca pela felicidade e não ela mesma, sendo encontrada, aceita e vivida diariamente?

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Por que as pessoas não conseguem ser gratas aos acontecimentos? Ao meu ver, pelo simples fato de não enxergarem o que o dia a dia pode te trazer de bom. No caso da moça do elevador, não chovia e não fazia frio. Ela tinha um trabalho para realizar. Um salário a receber. Uma função social a exercer. Saúde pra ir em frente. E até energia para manter tudo ali.

Enquanto as pessoas não percebem o quanto elas podem ser felizes com tão pouco, ou quando a felicidade bate à sua porta, o tempo passa. E no lugar de sorrisos, habitam reclamações, e no lugar de abraços, a solidão, e no lugar de conquistas, frustrações. Isso tudo mesmo diante de realizações, que nem se percebe a oportunidade de ter, fazer e acontecer.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2014.

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