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China e Japão – uma análise das potências asiáticas

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luiznais

China e Japão – uma análise das potências asiáticas

Kentaro Sakuwa, cientista político especializado em política externa asiática, emprega o modelo regional de hierarquia múltipla para analisar as relações China-Japão sob uma perspectiva realista de transição de poder. Para esta teoria, diversos fatores são importantes, como a similaridade de interesses, proximidade geográfica, disputas territoriais e capacidade nuclear dos atores.

Devido ao relativo aumento da paridade de poder militar entre as duas potências, principalmente diante do avanço dos chineses nesta área nas últimas décadas, a probabilidade relativa de um conflito militar torna-se maior, ainda que a aliança cooperativa entre Japão e China, seja mais proveitosa para ambos os lados.

Atualmente a paridade de poder pode estar em xeque, levando em conta o contínuo avanço chinês nos últimos anos, reduzindo a probabilidade de conflito entre as duas nações. A disputa terriotorial sobre as ilhas Senkakus e sobre a Zona Econômica Exclusiva no Mar do Leste e no Mar do Sul representam a maior possibilidade de uma escalada litigiosa nas relações sino-japonesas.

Sakuwa sugere que ascensão econômica-militar da China não concerne em um problema suficientemente grande para região, e não se sobrepõe ao interesse mútuo dos países em manter a estabilidade da segurança regional e o desenvolvimento econômico. O potencial nuclear de ambos os lados também impede uma escalada militar, assim como a proximidade geográfica reduz o interesse em conflitos armados.

Apesar de uma redução da perspectiva de crescimento da China para os próximos anos, frente aos efeitos da crise internacional, esta tende a se tornar inevitavelmente o hegemon regional. Talvez isso evite maiores conflitos com os japoneses, que podem ser geopoliticamente beneficiados com uma eventual mudança do eixo internacional do poder para a Ásia, e também por conta de que sua aliança com os EUA garante certa estabilidade e segurança ao país.

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Após quase 6 anos da análise de Sakuwa, realizada em 2009, houve desdobramentos nas disputas territoriais regionais que continuam, em nossa opinião, como o principal fator que poderia conduzir a uma escalada militar das relações bilaterais entre China e Japão-EUA. O progresso tecnológico do aparato militar aéreo e naval chinês, como sugere o autor, pode adicionar algum desequilíbrio à segurança regional. Dessa forma, a paridade militar, com investimentos estratégicos das contrapartes, constitui uma variável essencial para o equilíbrio político da região.

O desenvolvimento econômico chinês, tanto na esfera regional quanto na esfera mundial, prescinde de um avanço pacífico como complemento de suas políticas comercias. Um conflito poderia gerar um retrocesso em suas parcerias comerciais, prejudicando seu crescimento econômico, aumentando as clivagens em suas fronteiras e alavancando possíveis sanções econômicas. Por isso, parece-nos que, ao menos no curso prazo, um conflito militar de maiores proporções é também enormemente prejudicial e indesejável para os chineses.

Kentaro Sukawa também sugere a transparência nos programas militares como um elemento que favoreceria a estabilidade política da região. Nesse sentido, o aprofundamento das relações econômico-comerciais nos parece uma estratégia que melhoraria a previsibilidade e solidez política regional, beneficiando a todos, inclusive Japão e China. Contudo, todas essas possibilidades parecem estar arraigadas ao projeto político chinês de ascensão como superpotência, que será determinante no estabelecimento ou não de uma estratégia coerciva ou cooperativa de desenvolvimento econômico.

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Luiz Renato Arietti Nais é publicitário, e bacharelando em Relações Internacionais. Amante dos livros e do conhecimento. Dois-correguense, corinthiano, mochileiro e inventor de apelidos. © São Paulo Times.

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