
Encontro
Aquele era um dia especial.
Por isso mesmo ele conferiu cada botão da camisa, calçou o sapato meticulosamente engraxado e alinhou o cinto pela décima vez em frente ao espelho. Pegou um lenço, deu aquela última arrumada no topete e saiu de casa com tempo de sobra para eventuais contratempos.
Contratempos estes que, eventualmente, não vieram. Tanto que na floricultura encontrou lindos girassóis para contrastar com o brilho da lua e, já a caminho de seu destino final, foi ensaiando mentalmente as palavras que diria logo mais.
Na portaria, anunciou a sua chegada e esperou pacientemente impaciente em frente ao prédio. Quando ela finalmente apareceu, entregou-lhe o buquê e deu-lhe um beijo tão demorado que a noite torceu para que durasse até o amanhecer.
Ainda sem ar, desafivelou o abraço apertado, a fitou direto nos olhos, abriu um sorriso de mil dentes e soltou um “eu te amo” tão sonoro que toda a cidade se sentiu apaixonada.
Afinal, aquele era um dia especial.
Todo o dia em que se encontravam era especial.
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Henrique Rojas – mas pode chamar só de “Rôrras” – é redator, palmeirense, paulistano e um observador nato de pessoas. ©2014.