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Enfeite, cartão de crédito, cartão postal

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Camila

Enfeite, cartão de crédito, cartão postal

Outro dia estava no caixa do supermercado passando as compras. Enquanto isso, a atendente conversava com sua colega sobre outra que havia faltado. Elas diziam que ela estava em casa chorando porque terminou o namoro e estava muito mal. Aí uma comentou que ela gosta muito do cara, que tempos atrás ele tinha perguntado quando eles voltariam, mas que ela queria que ele corresse atrás dela para isso. Aí descobriu que ele está dando a volta por cima e não tem mais procurado por ela.

Quantas relações terminadas tem um final parecido quando podiam ter continuidade? Afinal, o que vale mais, o que se sente, ter a parceria, o outro ao lado, ou a vaidade de saber ou poder dizer aos outros que só se está com ele porque ele implorou? Será que isso não soa como um ar de superioridade, de querer ser ou parecer ser maior e melhor que o outro? Ainda acredito que um namoro ou casamento existam para agregar, somar, multiplicar e dividir.  Nesta matemática, me parece que a única conta que se fez foi a de subtração – e nela um é sempre menor que o outro.

Quando as relações colocam a prova questões como orgulho e vaidade, muitas vezes, infelizmente, é realmente a hora de se subtrair – alguém da sua vida, um relacionamento, um status “em relacionamento sério” qualquer. Quando o outro é só enfeite, cartão-postal, cartão de crédito, não tem como dar certo. Quando é muleta, é bengala, não tem como caminhar a longos passos. Fulano namora ciclana porque é top model. Ciclana namora beltrano porque tem dinheiro e acesso livre aos melhores points da cidade. Quantas pessoas em relações fundadas em oportunismos, mesmo que travestidas de paixão e amor, sentam à mesa para comemorar o aniversário de namoro ou casamento?

Quantas pessoas entram de cabeça e namoram e se casam com outras que, no fundo, buscavam solucionar relações passadas não bem resolvidas e entram numa fria, acreditando ser o tal do “amor à primeira vista”? Não importa o que procuram, na verdade, é sempre o que lhes falta. Da caixa do supermercado, que precisava de alguém que afirmasse que ela era insubstituível – e caiu do cavalo – a tantas outras histórias.

Pois bem, então que pelo menos a honestidade faça parte dessas relações. Que quem encontrou o que busca tenha coragem e seja franco com o outro. Acredito que esta seja a melhor maneira de manter a relação – com a honestidade que lhe cabe. Só assim, se ambos estiverem de acordo com tudo isso – poderão alimentar um no outro o porquê de se estar juntos. Mesmo que isso não seja amor e se confunda com ele e seja comemorado mês a mês, ano a ano e, quem sabe, uma vida inteira.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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