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Estudo científico patrocinado pela NASA declara atual modelo de civilização “inviável” e “destinado irreversivelmente ao colapso”

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Paulo

Eu não poderia imaginar um momento mais perfeito para estrear esta coluna, que há um bom tempo planejo, e que agora passo a publicar semanalmente a convite do The São Paulo Times. Há muitas razões para este sentimento de adequação ao momento e, enquanto outras destas razões serão temas para próximas colunas, vou citar nesta primeira a de maior visibilidade:

Em 19 de Março, um estudo científico patrocinado e publicado pela NASA declarou oficialmente que o atual modelo de civilização (como conhecemos hoje) é inviável e está destinado irreversivelmente ao colapso. No sumário do estudo denominado Human and Nature Dynamics (HANDY): Modeling Inequality and Use of Resources in the Collapse or Sustainability of Societies, é apresentada claramente a principal conclusão:

“Os resultados dos nossos experimentos indicam que ao menos uma dessas duas razões são evidentes nos colapsos históricos de civilizações: exploração demasiada de recursos naturais e grande estratificação econômica podem, independentemente, resultar num colapso completo. Dada a estratificação econômica, o colapso é muito difícil de ser evitado e requer grandes mudanças políticas, incluindo grande redução da desigualdade e do crescimento populacional.”

[o estudo original completo em inglês pode ser acessado aqui. ]

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A relevância deste estudo não está exatamente naquilo que ele afirma, mas antes no fato de ser patrocinado e divulgado por iniciativa da NASA, um órgão governamental de grande impacto científico no mundo. Há muito tempo, estudos patrocinados e divulgados pela agencia espacial americana constituem a base da comprovação científica de muitas teses amplamente aceitas. E as afirmações contidas no estudo, de um modo ou de outro, são de amplo domínio e conhecimento há tempos. Os fatos básicos, ou seja, a inviabilidade do modelo de civilização baseado num crescimento econômico virtualmente infinito; a atitude suicida que representa a manutenção das atuais políticas ambientais ou a insistência na utilização de fontes energéticas fósseis sem o devido investimento no desenvolvimento de fontes renováveis – são hoje quase obviedades. Acrescidos, mais recentemente, pela constatação irrefutável (inclusive pela posição da NASA) de que o sistema de distribuição desigual de recursos com sua atual concentração tem um papel inegável na aceleração do colapso.

Se conhecemos essas idéias bem antes deste estudo, isso se deve em grande parte à insistência de muitos grupos chamados “alternativos”: ambientalistas, ecologistas, sociólogos e antropólogos; cientistas ligados à pesquisa energética; e devemos, também a popularização do tema ao crescente impacto, persistência e resiliência de um grupo diverso, não identificado com um único nome e que jamais se reuniu sob uma única “bandeira” ou rótulo: pessoas e lideranças ligadas aos movimentos chamados (muitas vezes de modo preconceituoso) de “nova era”, new age, espiritualidade contemporânea; ou como prefiram denominar-se. Participando desse grande movimento absolutamente descentralizado, há pessoas de todas as religiões e linhas de pensamento, cristãos, hinduístas, budistas, ateus, agnósticos, xamanistas; pessoas de absolutamente todas as etnias; espalhados por todos os cantos do planeta. Pessoas públicas como Richard Gere, Jim Carey e Foster Gamble (Herdeiro da Procter&Gamble), líderes religiosos como o Dalai Lama, Monja Coen; pensadores como Eckard Tolle e Jacques Attali; líderes ativistas como Michael Tellinger do Ubuntu Liberation Movement da África do Sul e milhares de escritores; jornalistas, ativistas e gente envolvida com a criação de comunidades sustentáveis. A diversidade é incrível. E a persistência da atuação desses grupos e indivíduos, impressionante. Acompanho esse verdadeiro fenômeno de resiliência desde os ecos do movimento hippie na década de 70; atravessando um momento talvez menos visível na transição das décadas de 80/90 para finalmente explodir em exposição na virada do século e com a aproximação da data marcada para o “fim do mundo” prevista pelos Maias para 2012.

Como todos sabemos, o mundo não “acabou” no dia 21 de dezembro de 2012. Mas, como fica mais claro a cada dia, obviamente o “velho mundo” desaba e velhas “verdades” desfazem-se diante dos nossos olhos. Seja pelas mãos de revelações de corrupção alarmando o mundo todo ou pelas assombrosas revelações de Edward Snowden, fica claro que tempo dos modos e das certezas vigentes até o século passado, de fato, passou. O velho mundo, efetivamente, acabou; como até mesmo a NASA sabe, reconhece; publica e assina embaixo.

Assim, a coluna que hoje inauguro tem uma temática ampla, mas um foco claro: o Novo, no Mundo. Ou seja, é essencialmente sobre inovações e soluções; sobre apontar direções; apontar soluções. E que fique claro: soluções, antes de tudo, como idéias, mudanças de paradigmas, mudança de “mindset”; porque nada é mais absurdo que a facilidade com que alguns descartam idéias novas porque elas seriam “utópicas” ou “pouco viáveis” no momento imediato: nenhuma solução pode ser posta em prática antes de acontecer como ideia nas mentes do mundo. E uma idéia é muitas vezes é uma coisa frágil. Se ela não for nutrida, disseminada e compartilhada, dificilmente sobrevive. Esse é um velho e conhecido jogo: desacreditar e chamar de utopia aquilo que não pode ser implantado com viabilidade financeira em 6 meses. Segundo; porque esse “descarte” é exatamente o tipo de raciocínio que trouxe o mundo a este estado de completa falta de sustentabilidade. Um pensamento testa-curta, centrado em planos semestrais e lucros trimestrais de corporações. Isso é velho, um caminho que não conduz a nada além dessa realidade que vemos à nossa volta, todos os dias, caindo de podre.

Então, antes de tudo, vou me declarar culpado de promover utopias: assim, tiramos este assunto da frente. E vou além com a pergunta: você sabe pra que serve uma utopia? Para ser MODELO do que pode vir a ser; para apontar uma possibilidade. Não significa que 100% da visão vai ser implantado exatamente do modo inicialmente previsto. Significa, sim, que é um IDEAL que vale a pena perseguir. Aliás, por contraste: sabe o que é Distopia? Visões de um futuro negro, como por exemplo o 1984 de George Orwell, o Blade Runner de Phillip K. Dick ou a visão de mundo de Kafka; ou seja: visões bastante trágicas, em boa parte realizadas na nossa sociedade atual. E para que servem as distopias? São avisos, rotas a serem evitadas, cenários que nos cabe impedir que aconteçam. Nós quem? Os elementos conscientes de uma sociedade, os comunicadores, os inovadores, os formadores, os professores, os cientistas; os escritores e muitos mais. E também os leitores, os estudantes, o cidadão comum; que pode, em suas atitudes cotidianas e em seu compartilhamento de idéias e em suas comunidades, fazer muito mais pela disseminação de uma mudança de atitude do que jamais suspeitaram. Contanto que decidam fazê-lo.

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Ou seja: como nosso estado atual nos mostra para além de qualquer dúvida; ignorar distopias é uma atitude tão cega e incompetente quanto ignorar utopias. Assim, é isto que aqui faremos, jogar luz sobre idéias e invenções, inovações, atitudes transformadoras. Venham de onde vierem. Sem discriminação de qualquer espécie. Vamos buscar idéias e posicionamentos em livros, textos, filmes e entrevistas com aqueles que fazem parte do que eu costumo chamar de vanguarda do pensamento no mundo: aqueles que estão, verdadeiramente, muito mais interessados no que o mundo pode ser, do que simplesmente retratar o que já existe. Porque é exatamente aí que reside a diferença entre “velho mundo” e “novo mundo”: um é o que já foi. O outro é potencial; é o que pode ser. É aquele que faremos.

Gratidão!

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Paulo Ferreira é escritor, coach e consultor em desenvolvimento organizacional do bem estar humano; conselheiro e representante do Nikola Tesla Institute em SP. © 2014.

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