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MAIS DE MIL PALHAÇOS

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MAIS DE MIL PALHAÇOS

O Carnaval está rolando e você não sente orgulho da maior festa popular do mundo ser brasileira? Eu não. Acho que é por ser brasileira mesmo, que tem tanta gente bêbada, suada e mijando na rua. Já reparou como tudo o que é brasileiro é meio descacetado? Também, o que você ia esperar de um país onde a única escola que funciona é a de samba?

E você sabia que na apuração das escolas de samba, a nota mínima é 7? Ou seja: a pior escola, a mais escrota, a mais fedorenta, a que errou o samba enredo na hora de cantar não tira 0, tira 7. Se seu filho vai mal na escola, é só matricular o moleque numa escola de samba. Só vai tirar nota boa.

Carnaval são 4 dias de alegria e animação. Principalmente para aqueles que viajam para alguma cidade onde não tem carnaval. E, de preferência, sem televisão pra nem ter risco de cair num desfile com comentários da Lecy Brandão.

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– Ah, não fala assim. Carnaval tem beijo na boca.

Beijo na boca? Você quer dizer delivery de saliva, né? Você beija a menina no baile no Rio de Janeiro e pega a saliva do cara que ela beijou no bloco em Salvador, agora há pouco. Dá pra sentir até o bafinho do acarajé. Para mim, boca dos outros em carnaval é igual salsicha: se você tivesse noção de por onde ela passou até chegar a você, você não colocaria sua boca nunca.
Eu acho engraçado as escolas de samba terem o quesito evolução, porque se tem uma coisa que elas não fazem é evoluir. É tudo igualzinho ao que era séculos atrás, quando Maurício de Nassau ainda nem tinha nascido, mas os sambas enredo já falavam de Mauricio de Nassau.

Outra coisa, já reparou como todo samba enredo tem que ter Maurício de Nassau? É Maurício de Nassau pra cá, Maurício de Nassau pra lá. Um dia eu ainda espero ouvir um puxador de escola cantando assim “Ô-ô-ô-ô-ô. Mauricio de Nassau, senta aqui no meu bilau”.

Há poucos dias, fiquei sabendo que cada fantasia numa escola de samba pode chegar a custar 100 mil reais. E já viu quantas fantasias tem em cada escola? São centenas, talvez milhares. Tem mais fantasia na avenida que fios de cabelo em sovaco de feminista. Imagine quanto não custou isso tudo. Enquanto isso, boa parte dos integrantes das escolas de samba moram em favelas. Aí você me diz que é importante eu pagar quase 100% de imposto em meu smartphone, para melhorar a distribuição de renda no país. Ah vá comer serpentina, meu filho.

Outro clássico dessa época são aqueles bailes de salão que passam na madrugada da TV. Aí o repórter vai entrevistar uma gostosona com os peitos quase de fora. Só não estão completamente de fora porque têm aquele pomponzinho nos mamilos que quando elas balançam, eles ficam girando. Sabe como é que é, né? Então o repórter vai falar com a gostosona, mas o som é tão alto que ninguém escuta o que os outros falam.
– Qual o seu nome?
– Sou modelo e manequim.
– E qual o seu próximo projeto?
– O que?
– Vai fazer alguma peça? Algum programa?
– É 500 mais o taxi.

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Depois dizem que brasileiro só começa a trabalhar mesmo depois do carnaval. Mentira, porque quarta-feira de cinzas ele tá na maior ressaca. E quinta e sexta ele emenda, porque ninguém é de ferro.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2014.

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