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Mais do que nunca, a competência nas campanhas para Presidente vai fazer a diferença

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Foto: Reprodução

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A corrida presidencial seguia a caminho de uma surpresa. E eu já tinha dito isso a clientes, companheiros e amigos. Não estou escrevendo agora só porque uma tragédia chocou o Brasil e interrompeu uma trajetória. O Eduardo Campos tinha todo o perfil do novo, do jovem com a energia que o Fernando Collor tinha nas eleições de 1989. Não estou comparando caráter, condução de Governo e tudo que aconteceu durante a era Collor na Presidência. Estou apenas me referindo ao fenômeno que conquistou as massas naquela época.

Acho mesmo que o candidato Eduardo Campos também esperava muito quando se tornasse conhecido, por todo o povo brasileiro, durante o horário eleitoral. Uma prova é que os números baixos nas pesquisas não o assustavam, como se ele tivesse a certeza, conhecendo o perfil dos brasileiros, de que tudo mudaria quando ele aparecesse como o novo, como foram Lula e Collor em 1989.

Falei com alguns amigos, antes do trágico acidente, de que seria bem possível que o PSDB e o PT fossem surpreendidos durante o período da campanha eleitoral na TV e que teriam de mudar suas posturas se desejassem vencer. Só que naquelas 10 horas da manhã do último dia 13 de agosto, o destino, sempre ele, mudou tudo em uma fração de segundos.

Veio o choque da notícia, a dor, o luto, a longa demora no resgaste dos corpos, a extraordinária força de Renata Campos, mulher do candidato, e de seus filhos. O cortejo com mais de 160 mil pessoas nas ruas de Recife e, debaixo de toda esta emoção, naturalmente surgia a vice Marina Silva, agora como candidata a Presidente no lugar de Eduardo.

Comecei a escrever este artigo antes de ter conhecimento da pesquisa Datafolha que veio a comprovar tudo o que eu estava prevendo e procuro mostrar abaixo.

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E agora, o que pode acontecer? Que comportamento terá este povo brasileiro, movido a emoção desde a infância, como se a vida fosse uma novela que se acompanha todos os dias, com os olhos grudados na tela da TV?

As primeiras pesquisas devem retratar muito desta emoção. E não podem ser consideradas exatas com o que pode acontecer ao longo do tempo, quando a razão começa a ocupar parte da emoção. Mas, com a entrada de Marina Silva, as campanhas de Dilma e Aécio precisam e devem ser revistas.

Isso porque há um novo eleitor brasileiro impactado pelos acontecimentos. E este eleitor não deseja ver uma campanha eleitoral com ataques pesados entre os adversários.

Dilma vai ter que fortalecer ainda mais, mostrando tudo que fez e o que fará, porque as pesquisas já apontavam que o eleitor quer mudanças. Não obrigatoriamente a mudança da atual Presidenta por outro. Mas mudanças na forma de conduzir o País.

Aécio, que brigava para subir, representando um novo e apostando em um acordo no futuro com Campos, tem agora uma adversária que também pode representar este novo.

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O que eu penso, acompanhando o marketing político há anos e tendo participado de várias campanhas, inclusive presidenciais, é que não dá mais para Dilma ou Aécio seguirem os modelos de campanhas que estavam planejando. Suas equipes e os candidatos vão precisar de muita humildade para rever as estratégias, afastar a menor atitude de agressividade e adotar uma nova postura nos debates.

Revejam tudo o que já gravaram, e lembrem-se de que, diante da simplicidade da nova concorrente, qualquer atitude de arrogância poderá representar a perda de eleitores irrecuperáveis.

Se as equipes estavam trabalhando muito, vão ter que ir à exaustão para vencer esta corrida eleitoral, que mudou drasticamente a partir daquela manhã de 13 de agosto.

Por Agnelo Pacheco. Publicitário, começou a carreira no início da década de 1970, montou a própria agência em 1985 e conquistou, entre outros, os prêmios Clio Awards de New York da Propaganda Brasileira, Leão de Ouro do Festival de Cannes e foi eleito o Publicitário do Ano pelo Prêmio Colunistas.

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