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Mark, você não tá fazendo este negócio direito

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Mark, você não tá fazendo este negócio direito

No mundo digital, o século XX foi de Bill Gates e Steve Jobs. O século XXI, por hora, tem sido do Google e de Mark Zuckerberg. No caso da rede social, poderá, em breve, não ser mais.  Se, por um lado, o Facebook tem comprado poderosos concorrentes, como o instagram e o whatsapp; por outro, tem mandado as favas a principal tendência das redes sociais para o próximo período: a privacidade.

O uso de redes e aplicativos baseados em conversas menores ou de um-para-um, como o WhatsApp ou Snapchat, estão cada vez maiores do que as postagens em serviços de maior audiência, como o próprio Facebook, segundo pesquisa do Internet Trends Report. Esta é uma tendência previsível e esperada. Toda rede social tem seu pico de expansão e em algum momento as pessoas, simplesmente, se cansam de tanta exposição. Desta forma, é normal que círculos sociais menores, portanto mais próximos e mais reais, sejam mais atrativos. Assim como é mais provável que tu tenha uma conversa interessante, mesmo em 140 caracteres, com alguém que tem seu telefone do que com um primo distante que te adicionou junto com outros dois mil mais ou menos conhecidos.

Se ficasse só nisso, estaria tudo bem. Porque até aqui o grau de exposição dependeria do próprio usuário. O problema com a rede de Mark Zuckerberg é com a exposição que você não sabe que os teus dados têm.

A primeira derrapada de Zuckerberg foi a mudança do algoritmo que faz a rede funcionar. Teoricamente, o sistema deveria filtrar as coisas que mais nos interessam, em especial anúncios bem segmentados. Porém, o efeito colateral é que o algoritmo acaba criando uma espécie de bolha: você lê os mesmos assuntos indefinidamente, remoendo os mesmos temas e opiniões, reduzindo sua probabilidade de mudar de opinião (ou de influenciar a mudança de opinião de alguém que não pense como você).

Um passo adiante e temos o famoso estudo que o facebook realizou secretamente (mas diga-se: legalmente, porque concordamos com os termos de serviço quando entramos) em que procurava descobrir como postagens poderiam influenciar o estado de espírito de cada um, envolvendo quase 690 mil usuários. Porém, não é apenas o que fazemos que interessa a turma de Mark. Há dois anos atrás, a rede também registrou o que não fizemos: mensagens que não foram enviadas, amizades que não foram aceitas, postagens que ficaram como rascunho…

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A mais recente é de que usuários do WhatsApp, comprado pelo Facebook, já notaram que as conversas no aplicativo estariam sendo monitoradas para alimentar os anúncios personalizados na rede social.

Por último e não menos importante – ao contrário, o mais relevante: o Facebook é uma das empresas que contribuiu com o sistema de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) denunciadas por Edward Snowden. O que significa o acesso à correios eletrônicos, conversas por áudio e vídeo, transferência de arquivos, etc.

Entretanto, este é o século também de Julian Assange e Edward Snowden. As luzes que ambos jogaram sobre a vigilância governamental também afeta os setores privados, principalmente colaboradores destes programas. Mais do que isso, cercear a liberdade é ir na contramão da principal característica da internet. E mais grave quando se trata apenas de busca pelo lucro.

 As consequências das ações de Assange e Snowden estão apenas começando. Significam maior atenção com governos, com informação digital e pode levar a mudanças de pequenos hábitos, como navegadores mais seguros, menos exposição na internet e, por que não, abandonar serviços que não respeitam o usuário.

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Miguel Stédile é zagueiro, gremista, historiador e dublê de jornalista. © 2014.

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