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Mitos e verdades da infertilidade

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Foto: Reprodução

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade pode ser definida como a incapacidade de conceber, naturalmente, após um ano de tentativas, sem a utilização de métodos contraceptivos. Quando isso ocorre, é preciso procurar ajuda em técnicas de reprodução assistida, que podem auxiliar na realização do sonho de ter um filho.

Segundo artigo publicado na revista Human Reproduction, cerca de 724 milhões de pessoas no mundo são inférteis. Desde o nascimento de Louise Brown, em 1978, o primeiro bebê concebido no mundo por fertilização in vitro (FIV), as técnicas de reprodução assistida (TRA) se tornaram o tratamento que ajuda a tantos casais que buscam engravidar.

Segundo a OMS, a infertilidade atinge um em cada cinco casais em idade fértil – até 35 anos. “No Brasil, estima-se que mais de 278 mil casais tenham dificuldade para gerar um filho em algum momento da idade fértil. Diversos tratamentos podem ser utilizados, de acordo com cada paciente, sendo a fertilização in vitro (FIV) um dos mais conhecidos”, destaca o médico Ricardo Leão, especialista em medicina reprodutiva e diretor da SantaFértil. “Nesse caso, a fecundação é feita em laboratório e os embriões são transferidos para o útero depois de formados”, explica.

Medo do diagnóstico

Uma pesquisa do laboratório MSD com mais de 580 homens e mulheres sobre a terapia de reprodução assistida mostrou que 65% do grupo nunca imaginou que teria problemas até começar a tentar engravidar.

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A pesquisa ainda constatou que metade dos casais entrevistados (52%) reconheceu que talvez tivesse esperado demais para procurar ajuda profissional. Dos casais que, naquela ocasião, já estavam recebendo os cuidados de um especialista em fertilidade, 91% afirmaram que deveriam consultar um especialista antes.

“É importante consultar um médico, caso não se consiga a gravidez após um ano de relações sexuais sem proteção. Caso a mulher tenha mais de 35 anos deve-se procurar um médico após seis meses”, explica Ricardo.

MITOS E VERDADES

1) Mulheres que se submetem à quimioterapia ficam estéreis?

Isso depende do tipo de cada tratamento. No entanto, vemos que em aproximadamente 50% dos casos pode ocorrer a esterilidade. Para essas pacientes, a medicina oferece a opção do congelamento de ovários ou de óvulos antes do início do tratamento. O primeiro é indicado para pacientes que ainda não tem um parceiro definido, e o segundo para pacientes em relacionamentos estáveis, maduros o suficiente para a constituição de uma família. É importante ressaltar que, as taxas de sucesso em relação ao congelamento de óvulos estão cada vez maiores, aproximando-se dos resultados de tratamentos de congelamento de embriões.

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2) Mulheres que fazem uso contínuo de pílula anticoncepcional para evitar a menstruação podem ter problemas futuros para engravidar?

Não. Inclusive, há correntes na medicina que defendem que a pílula protege o organismo da mulher. Mas também é possível que a suspensão da menstruação mascare algum problema ovulatório.

3) Homens que usam roupas íntimas muito apertadas podem ter problemas de infertilidade?

Apesar de não serem casos comuns, teoricamente é possível. Entretanto, ainda não existem dados científicos que comprovem tal afirmação. Sabe-se que o aumento da temperatura testicular é prejudicial para a produção espermática, mas quanto ao uso de roupas íntimas apertadas, não há comprovação científica.

4) Tomar café aumenta a produção de espermatozóides?

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Ainda não nada provado a esse respeito. Por enquanto é um mito.

5) O uso do DIU pode gerar algum problema relacionado à infertilidade?

Não. Alguns autores relatam que o uso o DIU (Dispositivo Intrauterino) aumenta a incidência de DIP (Doença Inflamatória Pélvica), condição que poderia levar à infertilidade feminina. Entretanto, o uso do DIU, principalmente nos primeiros meses de uso, deixa a mulher mais suscetível a adquirir uma DIP, visto que, o dispositivo favorece a ascensão de bactérias do trato genital baixo, para a cavidade uterina e tubas. A DIP, na maioria dos casos é causada por dois agentes, a Chlamydia tracomatis e a Neisseria gonorreha, bactérias que são transmitidas sexualmente. Portanto, não é o uso do DIU que eleva a DIP, mas a ausência de precauções necessárias após sua inserção. Por isso, é sempre importante evitar relações sexuais no primeiro mês de uso do DIU, e sempre utilizar preservativos, pois é a única forma de proteção contra as doenças

6) A obesidade causa desequilíbrio hormonal. Isso pode levar à subfertilidade?

Sim. O excesso de peso pode levar à anovulação crônica – quando a mulher não ovula, e consequentemente, não engravida. Deve-se prestar atenção quando a mulher apresenta-se com ciclo menstrual irregular ou até mesmo ausente.

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7) Toda mulher que recorre à Fertilização in Vitro terá gestação múltipla?

De maneira alguma, na mulher que se submete a um tratamento de fertilidade, a possibilidade de ter gêmeos aumenta. O que ocorre é que em alguns tratamentos resultantes de múltiplas ovulações e em tratamentos de alta complexidade, pois são transferidos no útero até quatro embriões (número máximo sugerido pelo Conselho Federal de Medicina).

As chances de gravidez múltiplas com a reprodução assistida foi muito reduzida com o desenvolvimento das técnicas, como a gemelaridade depende justamente da quantidade de embriões transferidos para o útero materno, esse número é atualmente determinado pela idade da paciente e com isso as chances de uma gravidez múltipla foi reduzida. Há, em média, cerca de 20% de chances de se ter gêmeos e 2% de trigêmeos.

8)Um casal homoafetivo pode fazer fertilização? Como é o procedimento?

Sim, pode. Hoje cada vez mais, casais homoafetivos têm procurado a fertilização.  A forma da realização do tratamento depende do sexo do casal.

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Caso o casal seja de duas mulheres, é possível que os óvulos sejam de uma das duas parceiras, os espermatozóides devem ser conseguidos em um banco de gametas (anonimamente) e  qualquer uma delas pode gerar a criança. Já no caso de dois homens, os espermatozóides podem ser de um dos dois parceiros, os óvulos devem ser de doadoras anônimas e a criança será gerada através de um útero de substituição, a popular “barriga de aluguel”. Ressalto que a mulher que vai gerar o bebê deve ser parente de até 4o. grau de um dos parceiros, e não pode haver caracterização de remuneração.

9) É possível engravidar se meu marido fez vasectomia?

Sim é possível. Os espermatozóides são conseguidos através de uma punção com agulha no testículo ou através de um biópsia testicular. Conforme o caso, existe a possibilidade de reversão da vasectomia.

*Dr. Ricardo Leão é Formando pela Universidade Federal de Minas Gerais, Ricardo Leão fez residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e na Maternidade Odete Valadares, além de uma segunda residência em Cirurgia Ginecológica Endoscópica pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG). Especializado em Medicina Reprodutiva no Centro de Medicina Reprodutiva Origen, com titularização pela Rede Lationamericana de Reprocução Assistida, Ricardo Leão é o médico responsável pela Clínica SantaFértil.

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