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Número 37

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Camila

Número 37

Embora pequeno, um fato cotidiano marcou minha adolescência: lembro de quando ganhei meu primeiro tênis de marca. Na época, isso significava muito. Se eu não me engano, era um Nike Air Max branco, rosa e roxo com amortecedor e outras firulas.

Nessa época, mais do que um tênis, aquilo era status. Fazia me sentir bem por onde andava. E por isso mesmo, não queria, de forma alguma, que ele acabasse. Ainda tinha a memória infantil de ganhar roupas e sapatos e perdê-los logo porque crescemos. Por isso, arrumei uma solução: quando estava na loja, insisti em comprar um tênis dois números maior que o meu: um 37.

“Sim, ele me serve, mãe, fica superconfortável assim!”. Consegui. Levei! Foi a única vez que calcei 37. Meu número continua sendo 35 desde então. Eu devia parecer um “L”, mas acreditava que estava ótimo!

Aí, pensando nisso, parei pra refletir como a gente, às vezes, se esforça pra calçar 37 quando o nosso número é 35. Seja na relação de amizade com uma pessoa que nos traz boas lembranças de quando éramos pequenos, em um emprego ou em um relacionamento amoroso. Meu Deus, pensando assim, quantas vezes na vida calçamos 37!

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Você já deve ter passado por uma situação parecida. Quando se depara, já uma pessoa adulta, com amigos, que antes eram tão próximos, e agora já não tem mais a ver. A gente se esforça, quer manter aquela sensação boa da infância, mas não rola.

No trabalho, quantas pessoas insistem, por anos a fio, em se manter numa empresa em que não se sintam bem, que não se realizem e até não sejam bem remunerados, em nome do status da companhia no seu currículo. Quando passar, sim, o nome estará lá, talvez trazendo uma oportunidade melhor de carreira, talvez, não. A única certeza é a do tempo gasto ali, sem ser feliz.

E no amor, ai no amor… quantas histórias já foram contadas a respeito! Quantas vezes insistimos em situações e relacionamentos que, no fundo, sabemos que não irão para frente! A gente assume aquilo, vai adiante, às vezes passa por cima de valores, sonhos e realizações, acreditando que estamos fazendo o melhor pelo outro e por nós. Mais um número 37 – desta vez, compartilhado com outra pessoa que acreditávamos tanto amar.

Todo mundo já teve um número 37. E eles chegam com promessas maravilhosas, por isso os deixamos entrar em nossas vidas. Ok, isso acontece, portanto, relaxe! O que é preciso entender é a hora de reconhecer que este não é o seu número e buscar o que foi feito sob medida para você. Abra sua sapateira, vá a outras lojas, busque novos lugares e pessoas. Certamente, um dia, o seu número estará à sua espera!

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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