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O círculo vicioso da poluição chinesa

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Somente há 20 anos, uma cidade chinesa chamada Linfen, na província de Shanxi, atendia pelo apelido de “cidade floral”; uma homenagem às nascentes cristalinas da região, além da vegetação exuberante e abundante agricultura. O apelido foi dado à cidade antes da instalação das fábricas e das minas de carvão que produzem eletricidade e uma espessa camada de poluição industrial. Hoje em dia, contudo, Linfen tem mais chances de ser citada como uma das cidades mais poluídas do mundo. Os pesquisadores estimam que um dia respirando o ar dessa cidade é semelhante ao consumo de três maços de cigarro.

Cerca de 6.700 km do leste de Linfen, em Los Angeles, onde alguns moradores, apesar de décadas de melhorias na qualidade do ar, ainda lutam para respirar livremente. “A poluição deixa uma camada de poeira em tudo”, diz Layli Samimi – Aazami, uma fotógrafa de Los Angeles que cresceu na floresta do Alasca.

No âmbito nacional, no entanto, a notícia é melhor: para todos os seus problemas ambientais, os EUA vêm obtendo progressos consideráveis no combate à má qualidade do ar. A Agência de Proteção Ambiental relata que os poluentes no ar ter diminuído nas últimas três décadas. O país fechou muitas fábricas antigas, o que significou uma redução de 2,5 milhões de empregos entre 2003 e 2013. Os padrões de emissão de gases poluentes dos automóveis estão cada vez mais severos em todo o país, mas não representam melhorias na qualidade do ar.

O paradoxo aqui é que enquanto essas medidas têm sido ótimas para controlar a qualidade do ar do país, a economia global voltada ao consumidor é um jogo de soma zero, o que significa que os EUA não eliminaram a poluição, ela é meramente terceirizada para a China.

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E agora um pouco desse ar sujo está voltando.

Nos últimos anos, vários estudos científicos têm argumentado que a poluição e a poeira da China estão chegando até o Oceano Pacífico e provoca deslizamentos de terra na costa da Califórnia. A cobertura da mídia sobre esse assunto despertou temores nos EUA ao declarar que a China é uma mangueira de incêndio que pulveriza a poluição para a Costa Oeste. Por último, alguns veículos estadunidenses disseram que era melhor que Los Angeles e a baía de São Francisco se acostumem com isso.

É verdade que os compostos químicos nocivos, muitas vezes um subproduto de forte dependência da China sobre a queima de carvão para a energia, pegam carona em correntes de ar e flutuam através do Pacífico, o que agrava a poluição no oeste dos Estados Unidos. Na verdade, cerca de um quarto da poluição de sulfato da Costa Oeste pode ser vinculado à China. Sulfatos têm sido associados ao aumento de doenças como asma e outras doenças pulmonares.

“Meu filho de 4 anos de idade fica resfriado frequentemente e o quadro evolui para bronquite, pois seus pulmões estão muito comprometidos com a qualidade do ar daqui”, diz Samantha Slaven, moradora de Los Angeles. “Temos que usar rotineiramente um inalador a cada vez que ele fica doente.”, completa.

Essas são algumas estatísticas sombrias, mas os cidadãos dos Estados Unidos não devem ser tão rápidos para castigar a China. Cada vez mais, evidências sugerem que os EUA são, em parte, culpados pelo aumento da poluição da China – e, como resultado, a má qualidade do ar nas cidades chinesas. Estimativas atuais dizem que de 25% a 30% das emissões da China é especificamente devido à fabricação de produtos para outros países.

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Em outras palavras, a China gera poluição enquanto fabrica produtos para os EUA e os navios que voltam com a poluição e com os telefones celulares, consoles de videogame e computadores.

Essas práticas são impulsionadas por políticas ambientais que colocam a responsabilidade de reduzir as emissões no produtor. “A legislação ambiental prevê que, ao reduzirmos o teor de poluição no processo de fabricação, o produto torna-se mais caro”, disse Anthony Wexler, que estuda o solo, o ar e os recursos hídricos, na Universidade da Califórnia, em Davis. “Os fabricantes respondem pelas indústrias que se deslocam para países como China e México, onde podem poluir mais facilmente”, Anthony comenta.

Quando as notícias dos problemas de poluição de Linfen repercutiram nacionalmente, a China reagiu mudando as fábricas de local. Nas últimas décadas, os EUA têm feito a mesma coisa, porém em uma escala muito maior. Desde os anos 1990, as emissões de sulfato nos Estados diminuíram em 60%. Ao importar produtos da China, os EUA contribuem indiretamente para o problema da poluição da China – e à nossa própria. As emissões que flutuam em toda a Costa Oeste pode muito bem ser “devolvidas ao remetente”.

© 2014, Newsweek.

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