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O Estado Islâmico e a cultura do medo

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luiznais

O Estado Islâmico e a cultura do medo

Os extremistas do Estado Islâmico, responsáveis pela execução de dois jornalistas norte americanos nas últimas semanas trazem a tona o resultado abominável da combinação entre religião e política. A extrema intolerância destes Jihadistas, em parte produto das velhas clivagens dos Estados falidos do Oriente Médio, e em parte fruto do ódio ao intervencionismo dos americanos, remete à cultura do medo que predominou no mundo após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Mais uma vez, o discurso do bem contra o mal é construído por meio de diferenças culturais e religiosas, quando na realidade esses conflitos surgem apenas em regiões que sofreram com as intervenções de países do Ocidente. Diversas são as notícias da mídia internacional que espalham essa ideia sem ao menos refletir as origens de tais atos. Ora, o Iraque foi invadido pelos norte-americanos em 2003, como parte do projeto da guerra contra o terror, e isso tem uma ligação direto com o surgimento de novos terroristas.

A opinião pública é repleta de justificativas e interpretações dos conflitos internacionais fundamentadas em assimetrias culturais, gerando preconceito e distorção da realidade. A teoria sobre o Choque de Civilizações do estudioso das relações internacionais Samuel Huntington, atribui às diferenças culturais a origem de disputas entre países a partir do início da década de 1990. Para ele, os blocos culturais com mais similaridades se aproximariam e entrariam em choque com regiões de pouca semelhança cultural.

No entanto, ao analisar o histórico dos países que sofrem com o terrorismo –principalmente os Estados europeus e os EUA – pode-se perceber uma relação que não aponta necessariamente as diferenças culturais como fontes de conflito. Em verdade, são as regiões que mais sofrem com as desastrosas e pragmáticas intervenções que mais dão vazão ao surgimento de anomalias políticas e terroristas como o grupo armado do Estado Islâmico.

Como num efeito catraca, os Estados Unidos e os Britânicos novamente estão sendo sugados para dentro do conflito no Oriente Médio. Desta vez, contra o ISIS, e não contra a Al Qaeda. O ponto é que não importam os nomes dos inimigos, e sim o fator multiplicador do terrorismo: um histórico de intervenções indesejadas e mal sucedidas.

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Luiz Renato Arietti Nais é publicitário, e bacharelando em Relações Internacionais. Amante dos livros e do conhecimento. Dois-correguense, corinthiano, mochileiro e inventor de apelidos. © São Paulo Times.

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