O fantasma do gelo…

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O fantasma do gelo…

É comum acontecerem fatos curiosos nas casas. Às vezes são portas que batem, luzes que se acendem, móveis que rangem ao calar da noite, barulhos estranhos que surgem… E nós, que desconhecemos as verdades sobrenaturais, estamos sempre buscando respostas para justificar esses acontecimentos anormais.

Certa vez, um mistério pairou sobre nossa casa. Minha mãe abriu a geladeira e teve uma surpresa: tomate congelado, água congelada, carne congelada, tudo congelado. Diante da situação inusitada e sem imaginar o que estaria por vir, a primeira ideia que lhe passou pela cabeça foi que a geladeira estava com problemas. Pacientemente ela descongelou tudo, jogou o que havia estragado fora, limpou a geladeira e percebeu que o botão que regulava a temperatura estava marcando “4”. Aliviada por não ter que trocar o eletrodoméstico, ela saiu questionando todos em casa para saber: “Quem desregulou a geladeira?”. Mas ninguém havia tocado no botão.

Como o problema estava resolvido, ela arquivou o caso e deu tudo por encerrado.
No dia seguinte, ela abre a geladeira e… leite congelado, alface congelado, feijão congelado, tudo congelado. Dessa vez, o primeiro passo foi verificar o tal botão. E lá estava ele novamente marcando “4”. Não tão pacientemente quanto na primeira vez, ela descongelou tudo, limpou a geladeira, ajustou o botão, tentou mais uma vez perguntar e ninguém havia mexido nele. Dessa vez ela usou a justificativa de que devia ter esbarrado e alterado a temperatura sem querer.

Mais dois dias repetiram essa cena. Agora, já havia eliminado até a possibilidade de esbarrar acidentalmente, porque o botão sempre marcava exatamente “4”. Era realmente muito estranho. Ela pensava em várias possibilidades, simulava situações, e nada dava sentido para aquelas ocorrências. Não havia nenhuma hipótese que conseguisse justificar o fato misterioso que congelava tudo.

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Já esgotada desse mistério absurdo, minha mãe desabafou com meu pai:

– Não aguento mais. Quase uma semana congelando as coisas. Quem será que está rodando esse botão?

E eis que a criaturinha ouve a conversa e, com a chupeta no cantinho da boca responde:

– Fui eu Mamãe, é que eu fiz “cato ano”!!!!!! – E indica a quantidade com os dedinhos.

A única alternativa que restou pra minha Mãe foi sorrir, me beijar e, me abraçando, explicar que nem todo número quatro era encantador como a minha idade.

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Ahhh, se além da geladeira eu tivesse aprendido a congelar também o tempo…

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Claudia Giron Munck é Publicitária, Relações Públicas, especializada em Marketing e Mídias Digitais. Atua na área de Comunicação do Sesc SP e é Coordenadora Editorial da Revista Gente Nova.

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