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O grito fraturado

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Camila

O grito fraturado.

Olho para um lado: a bandeira do Brasil está caída sobre a mesa, como se pedisse socorro. Do outro lado, a cidade pela varanda: muda, silenciosa. Apesar de morar na maior metrópole do país, tomo o pouco pelo muito e tenho a quase convicção de que todo o país está na mesma situação após perdermos da Alemanha por 7×1. Uma derrota de volume inesperado que guardou os rojões e nos fez engolir os gritos de orgulho.

Como disse meu pai, “o chute não quebrou apenas a vértebra de Neymar, mas a do Brasil também”. E assim, perdemos mais uma vez: a baixa autoestima e confiança do time fez crer que a perda de um só jogador seria a perda da taça. E tanto fez que o resultado foi esse: nosso grito de alegria foi fraturado em sete pedaços.

É como se Neymar não fosse apenas uma das vértebras, mas a coluna inteira do time, que não soube reagir à sua falta. Faltou estrutura para se manter em pé. Não houve tempo de recuperação ou adaptação, não houve cinta que sustentasse.

Quando alguém é visivelmente melhor que os outros de uma mesma equipe, no esporte, no trabalho, ou em qualquer outra atividade em grupo, é preciso enxergá-lo, mas mais do que reconhecer o mérito do outro, o seu próprio papel para o time. Ter consciência da importância do seu trabalho. Buscar naquele que se destaca o espelho e não somente o apoio, a muleta ou o porto seguro.

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É preciso capacitar-se e entender que é necessário que todas as peças estejam bem posicionadas, atentas e preparadas para enfrentar os diversos adversários (e as adversidades) que estão em campo. É preciso parar de se sentir somente honrado por estar no tabuleiro, mas honrar a sua participação. Quando em campo, é preciso jogar para ser chamado de jogador – e fazer seu trabalho aparecer mais do que você. É preciso mais confiança verdadeira, dedicação e pé no chão e menos blá blá blá e pavonismo (chamarei assim aqueles com “síndrome de pavão”).

Mostrem sim suas penas, lá em cima do podium, com orgulho e satisfação. Cheguem até o final, não importa a colocação, como uma equipe que trabalha unida. Façam a sua parte! As derrotas farão parte do caminho da maioria, assim como as vitórias. O tombo pode ser inevitável, mas levantar-se parece ser a melhor opção.

O excesso de falsa autoconfiança já deu sua primeira lição: não é porque dizem que somos os melhores ou os favoritos que realmente somos. Talento e trabalho devem caminhar juntos para se chegar lá. É preciso estar por inteiro, e de verdade em campo, para reagir, para agir, para vencer. É preciso acreditar para fazer acontecer.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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