O individualismo está em alta

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O individualismo está em alta

Já percebeu que hoje são vendidas muito mais experiências do que produtos? Se você acompanha a minha coluna, deve lembrar do “Amor bochechado e cuspido”, em que o nigeriano que comprou Close Up por sete anos achou que por isso ficaria com a mulher mais gata da balada.

Pois bem… num paralelo com a nova forma de os casais se relacionarem, tenho visto também muito mais esta expectativa da experiência em si do que dos valores mais profundos do que se possa desfrutar.

Certa vez, conversando com um amigo que estava solteiro, em um bar, ele comentou que pessoas que querem um relacionamento “certinho” estão em desvantagem. “Está vendo aquela ali, aquela outra e a outra?”, dizia ele. “Sem querer me gabar, mas se quiser, levo qualquer uma delas hoje para o motel, sem se quer saber seu nome. É muito mais fácil levar a menina para a cama hoje sem o menor compromisso de uma ligação amanhã. É assim que o mundo está”, completou.

E o mundo está tão instantâneo, tão vapt vupt, tudo é tão rapidamente vivido, compartilhado, deixado de lado e deletado, que pessoas e relacionamentos se transformaram em experiências, em produtos perecíveis, com curto período de validade, sem propósito maior do que “ser consumido” aos poucos, com longa duração.

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Não se busca mais o companheiro, mas a companhia. O abraço, mas o toque. O amor, apenas o sexo. A mão dada, mas a mão boba. O sentimento, mas a sensação. Os planos, mas o momento único. A experiência, não o resultado final.

Pessoas parecem ter medo. Medo de tentar, de tomar para si um relacionamento e se entregar. De trazer o outro para perto, de assumir o que se sente, de querer e assumir a construção de um “nós”. O individualismo está em alta. E a “falsa fartura” também. Pra quê “um” diante de tanta “opção”? Pra que um se pode ter um monte?

A diferença é a profundidade. O mundo está superlotado de relacionamentos e pessoas rasas. A quantidade, para muitos, revela-se mais relevante que a qualidade Morre-se na beira da praia, afogado na marola, olhando para a imensidão do mar. O medo de adentrar em mares mais profundos torna-os incapazes de navegar por lugares que nunca estiveram antes. Encalha-se o navio em solo, cheio de possibilidades que nunca serão verdades, caso não se mude o simples fato de não saber ou querer compartilhar com outro o seu leme.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2014.

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