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O mito: o homem omito?

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Camila

O mito: o homem omito?

Ele tem cerca de 30 anos e desde sua primeira infância é são paulino roxo. Quando pequeno, chorava quando o time perdia, chorava também quando ganhava. Até hoje, se emociona com o São Paulo e acompanha todos os campeonatos. De pequeno, tem foto com o Zetti vestindo uma camisa do goleiro que cobria suas mãos e alcançava seus joelhos, tão grande ela era. Aí veio Rogério Ceni, e desde então, tornou-se um de seus ídolos.

Mas, recentemente, quando o atleta assumiu ter um filho de uma relação extraconjugal, a casa caiu para Rodrigo. Sem dramas, mas com um ar de decepção, ele foi contar a novidade à família em tom de lamúria: “Ceni tem um filho fora do casamento. Que decepção”!

Afinal, o mito caiu. E do que é feito o mito? De tudo menos de humano. É raro ver mito comer. Impossível vê-los irem ao banheiro ou dormirem. Tudo o que personifica o mito não nos cabe imaginar. Tudo o que lhe faz se tornar próximo de nós ou de uma realidade que não gostamos ou queremos encarar, fica distante da imagem que criamos a seu respeito.

No mundo do mito não nos cabe a possibilidade de entrar, apenas de ver (o que se deixa) e de sonhar. Se um dia a “porteira” de sua intimidade se abrir para o mundo, é bem capaz que o mito caia, afinal, o humano entra em cena, cheio de erros e acertos, de atitudes admiráveis, mas também decepcionantes, como qualquer um.

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É assim a relação entre fãs e ídolos. Quanto mais distante, mais intensa. Para o fã, manter-se abaixo e colocar o outro num pedestal é fato primordial para se criar a magia e alimentar o encantamento.
E quantas vezes vemos relações “próximas”, mas com este mesmo tom? Relacionamentos amorosos, entre pais e filhos e até mesmo entre irmãos. Um ídolo profissional, alguém que até pode ser “palpável”, mas na mente de algumas pessoas, inalcançável, perfeito, ou quase perfeito, o top.

A utopia que se cria é tão grande quanto a distância entre a realidade e a fantasia. Mas, ao mesmo tempo, se faz tão escondida, tão sutil, que quando escancarada, é capaz de matar os dois lados: cai o mito e derruba-se o fã, que fica sem um horizonte para olhar e alguém, mesmo que irreal, em quem se espelhar.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2014 – Contador de visitas

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