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Onda de protestos gera prisões em diferentes partes da Rússia

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Em fevereiro deste ano, oito pessoas foram condenadas em um tribunal de Moscou e vão cumprir entre dois anos a quatro anos de prisão. Eles são o primeiro dos dois grupos a ser setenciados no maior julgamento político russo do último meio século. Todos eram acusados de atacar policiais durante uma marcha em 6 de maio de 2012. Os acusados ​​parecem ter sido escolhidos quase aleatoriamente para dissuadir as pessoas do protesto.

A Revolução de neve (Snow Revolution, em inglês) começou em dezembro de 2011, quando milhares de pessoas foram às ruas de Moscou e outras cidades russas para protestar contra eleições fraudulentas e a presidência aparentemente interminável de Vladimir Putin. Tanto os organizadores quanto a polícia temiam a violência. Os ativistas e policiais rapidamente aprenderam a cooperar, negociando a colocação de barreiras e detectores de metal temporários.

Em 6 de maio, véspera da posse de Putin, as pessoas se reuniram lentamente. Muitos vieram com as crianças, por isso, se alguém olhasse para além da coluna dos manifestantes que lideraram o caminho, a reunião parecia um vagaroso passeio de família em fim de semana.

Para um recém-chegado, a configuração pode ter parecido estranha: o protesto aconteceu em uma área isolada e não podia haver espectadores casuais, exceto os moradores dos prédios no caminho da marcha. Ninguém que não participasse do protesto jamais iria ouvir a mensagem do grupo. A polícia permitiu que o protesto fosse realizado dentro de uma rota exata, com tempo e até mesmo número de participantes pré-definidos. Desta forma, ninguém seria preso ou espancado.

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No início nada aconteceu. Durante quase uma hora, algumas pessoas ficaram sentadas na calçada. Então, muitas coisas começaram a acontecer rapidamente. Alguns manifestantes quebraram o cordão de isolamento em um ponto. A polícia, então, se adentrou no meio da multidão. Um coquetel molotov foi jogado e chegou a queimar as roupas de um manifestante. O fogo foi apagado e bombas de fumaça foram lançadas. Os policiais prenderam muitas pessoas escolhendo os homens para fora da multidão. Uma série de pequenos tumultos foi tomando grandes proporções. O palco tinha sido destruído assim como todos os equipamentos de som.

A repressão russa havia começado. Dentro de semanas, novas leis severas restringiram o direito de reuniões públicas, instituindo multas de até 580 dólares. Foi então que as prisões começaram.

Nos últimos 11 meses, as pessoas condenadas passaram quase todos os dias úteis no tribunal. Uma longa fila de policiais testemunhou como vítimas ou testemunhas. O que se tornou confuso quando cada um deles contou sua versão, deixando de identificar o réu ou responder às perguntas mais simples, como por que a testemunha alega ter sido atacada por um réu durante a tentativa de prendê-lo, sendo que havia um vídeo mostrando um dos réus sendo detido por outra pessoa.

“No começo eu pensei que este caso todo era algum tipo de mal-entendido”, disse Dukhanina, uma estudante universitária de 18 anos, em sua declaração final. “Mas agora que eu tenho ouvido discursos de acusação, percebi que eles estão tomando sua vingança sobre nós. Eles estão nos punindo por ter estado lá e ter visto o que realmente aconteceu. Os policiais estão nos punindo por não ceder e nos declararmos culpados de crimes que não cometemos”, finaliza Dukhanina, que também é ativista ambiental.

Enquanto as sentenças eram lidas, 234 pessoas – cerca da metade do número de pessoas que saíram para apoiar os réus – foram detidas em frente ao tribunal. Neste dia, mais de 400 pessoas foram detidas no centro de Moscou em um protesto não autorizado contra a sentença. Todos foram acusados ​​de violar as leis, o que significa um tempo na prisão para mais um grupo de manifestantes.

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© 2014, Newsweek

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