Connect with us

Otimismo do empresário brasileiro volta a cair enquanto índice global bate alta recorde

Published

on

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O otimismo do empresário brasileiro teve um recuo de 4 pontos porcentuais (p.p.) no 2º trimestre de 2014, na avaliação do International Business Report (IBR) da Grant Thornton, colocando o País na 19ª posição mundial em 34 economias pesquisadas. O País possui apenas 32% dos empresários otimistas, contra 36% do trimestre anterior. Por outro lado, globalmente o índice de otimismo registrou recorde de alta, que não se via desde 2011, com 46% dos empresários otimistas. O estudo é feito com 10.000 empresas em 34 economias, sendo 300 companhias brasileiras.

O IBR observou que, globalmente, o otimismo de negócios alcançou um recorde, impulsionado pela crescente confiança na União Europeia (em 43%, o maior desde 2006), América do Norte (em 73%, a maior desde 2004) e do G7 (em 53%, outro recorde). Este sentimento positivo sobre a perspectiva econômica está sendo alimentado por expectativas recordes sobre as exportações. Globalmente, a proporção de empresas que esperam aumentar as exportações ao longo dos próximos 12 meses (24%) só foi igualado uma vez antes, em 2011. No G7, um recorde de 23% das empresas esperam crescer as exportações ao longo dos próximos 12 meses.

Da mesma forma que o Brasil não acompanha a onda de otimismo global, ele está entre os mais pessimistas em relação ao crescimento das exportações (somente 9% dos empresários), com um recuo de 11 p.p. em relação ao trimestre anterior, ficando à frente no ranking apenas da Russia, Botsuana e Argentina. As expectativas para o aumento das exportações é particularmente forte na Ásia-Pacífico (27%), onde as empresas na China são particularmente otimista sobre vender mais no exterior (36%) e Europa (31%) onde a Alemanha (47%) e Reino Unido (34%) estão entre as mais confiantes tanto em relação as suas respectivas economias e sua exportação potencial de crescimento. Também é esperado o crescimento das exportações no sul da Europa (32%) especialmente nas empresas da Espanha (40%) e Grécia (38%), que estão entre os cinco mais confiantes sobre o crescimento das exportações a nível mundial.

Ed Nusbaum, CEO global da Grant Thornton, comentou: “A expectativa para o crescimento das exportações é bem-vinda, uma vez que está alimentando níveis de confiança das empresas que não vimos em mais de uma década. Como as economias continuam a se recuperar da crise financeira, os líderes empresariais estão percebendo oportunidades reais para ir ao exterior e ampliar seus negócios sobre outros mercados. Para os políticos, a mensagem é alta e clara. As empresas precisam ser capazes de exportar a fim de impulsionar o crescimento. Na última reunião da Organização Mundial do Comércio em Bali, em dezembro passado, foi assinado um acordo para impulsionar o comércio em todo o mundo, com o objetivo de quebrar burocracia e simplificar os procedimentos para a realização de negócios além das fronteiras. Este foi um primeiro passo positivo, mas é preciso trabalhar em um sistema que encoraja ao invés de desincentivar as emp resas a ir para o exterior”.

Para Artemio Bertholini, CEO da Grant Thornton Brasil, a exportação brasileira está muito focada em commodities, que além do baixo valor, estão sujeitas a flutações e safras. Além disso, a Argentina, que é a maior importadora da nossa produção de veículos automotivos, está em franca desaceleração, o que consequentemente contagia a nossa relação comercial. Segundo a Associação do Comércio Exterior do Brasil, tivemos redução das exportações em maio para o Mercosul (queda de 10,7% ante o mesmo mês do ano anterior), nas vendas para a Ásia (baixa de 7,2%) e para os Estados Unidos (retração de 0,3%)”, argumenta.

Advertisement

No 2° trimestre de 2014, entre os executivos consultados no Brasil, 57% preveem aumento das receitas de suas empresas, uma redução de 4 p.p. em relação ao trimestre anterior. Apesar da queda, o Brasil ainda está à frente da média global de 54%.

A boa notícia é que 52% das empresas brasileiras estimam elevar os investimentos em maquinas e equipamentos, contra 46% no 1º trimestre do ano, um aumento de 6 p.p., ficando na 8ª posição do ranking global. Globalmente, 28% dos empresários planejam aumentar os gastos em P&D ao longo do próximo ano, o maior valor já registrado. Ambos os dados indicam que as empresas estão olhando para a frente e pensando sobre o desenvolvimento a longo prazo de seus bens e serviços.

Regionalmente, o otimismo na América Latina chegou a 31%, contra 43% no trimestre anterior, o valor mais baixo historicamente. Impulsionado em parte pelo Brasil, mas principalmente pela Argentina que tem índice de -16%, contra -34% do trimestre anterior e ocupa o pior índice de pessimismo do ranking global. O México, apesar da queda de 78% do trimestre anterior para 48% neste trimestre, ainda mantém o espírito de otimismo.

Mundialmente os setores mais promissores são os de serviços financeiros (87%), tecnologia (67%), mineração (66%), agricultura (64%) e de infraestrutura como abastecimento de água, eletricidade e gás, com 61%.

Na lista dos países mais otimistas estão os empresários da Índia (86%), Irlanda (84%), Reino Unido (80%), Alemanha (79%) e Estados Unidos (74%). Entre os menos otimistas, está a Argentina (-16%), França (-14%), Estônia (-4%), Armênia (4%) e Japão (5%). (*)

Advertisement

Os países que deixaram de figurar no ranking do IBR são: Chile, Dinamarca, Emirados Árabes, Filipinas,Finlândia, Hong Kong, Noruega, Peru, Suíça, Taiwan e Vietnã.

(*) O percentual é calculado com base na proporção de companhias que reportaram estar muito ou levemente otimista, menos as que disseram estar muito ou levemente pessimista.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Copyright © 2023 The São Paulo Times