Poesias para sexta-feira

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Agora o The São Paulo Times conta com uma coluna dedicada à poesias chamada “Poética Urbana”.
Ela será publicada toda sexta-feira. Para colaborar envie sua poesia para poesias@saopaulotimes.com.br.

Minuano
(Marcelo Leandro Ribeiro)

Sinto na pele o cortante
Como beijo que irrompe
dos marcos do sul,
sopro em nuvem,
azedume
aquela brisa esguia
que move desejos,
faz morada no centro das flores
e cala a noite
com um abraço comum

vento minuano vertente
que raspa do solo seu cheiro
eleva das plantas as sementes
arremessando o homem na estrada
de seus pensamentos
deixando-o nu

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vento formato de vida
há quem decida fazê-lo chegada
outros partida

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Areia movediça
(Marcelo Leandro Ribeiro)

Pó pós pó fez-se o homem
Mediante um sopro íntegro
Erguido que seria semelhança
À quem lhe cria, esqueceu-se
Deus que a alma ficou provida
Da livre escolha em ser boa
Ou venenosa como lama

Ou areia movediça

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Aquela espera
(Marcelo Leandro Ribeiro)

Trazia na face o sorriso
Nas mãos o suor de quem
Teme a recusa da vida
Ainda que nada lhe seja
Possível perder

Esperava na esquina por ela
E a cada pessoa que via
Perdia-se em olhar como alguém
Que pede licença e se desculpa
Por pisar tão suave pela rua
Ainda que vazia ela esteja
E nada lhe cobre também

Esperava e seus cabelos voavam
Cachos enrolados os olhos pequenos
Os lábios cerrados ressequidos
Pés que raspavam
no asfalto queimado

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O coração que batia por quem
Agora desponta descida da esquina
Como já não mais esperava ter
Por amor que por bem já o tem

—-

Dois botões
(Marcelo Leandro Ribeiro)

Flor em rosa se desenrola
Entre dois botões, um aberto
Outro aperto entre pétalas
Que se desespera em abrir

Mas nada há que possa denotar
Qual mais belo,
Já que ambos decorrem da mesma
Planta, são rosas que se querem
Entre teus beijos o jardim

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E se necessário
se fizer a escolha
Que fique a lembrança
e passem os espinhos

—-

A coruja
(Marcelo Leandro Ribeiro)

A noite tem olhos
Entre aqueles que
Abriga

Rasante desliza
no seu voar
A coruja que pia
Buscando entre mundos
Uma entrada vazia

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Onde seu olhar seja
Uma fonte de vida

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Meteoro
(Marcelo Leandro Ribeiro)

Caiu
em meu coração
Um meteoro
Que deixou um buraco
Tão profundo
que nele agora moram
As palavras que habitam
O mundo

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Marcelo Leandro Ribeiro, especialista em engenharia de segurança e biossegurança. Escreveu mais de vinte livros sobre assuntos ligados à sua área de conhecimento, além de livros de poesias, infantis e romances. Escreve toda sexta-feira para a Poética Urbana. © 2014.

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