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Poesias para sexta-feira

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poetica

Agora o The São Paulo Times conta com uma coluna dedicada a poesias chamada “Poética Urbana”.
Ela será publicada toda sexta-feira. Para colaborar envie sua poesia para poesias@saopaulotimes.com.br.

VELA DE CERA
(Adolfo J. de Lima)

O amor é como de cera uma vela:
Calor a mais ao frio do coração,
De fato luz em nossa escuridão
E por luz ser nos é a coisa mais bela.

Contudo em torno de si a treva sela,
Um ponto que em meio a um imenso vão
Vendo que luz em vão à imensidão
Bruxuleia como quem o fim protela…

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Confidente do que ninguém ouviu,
Imerso numa agonia verdadeira
Que sabe apenas quem assim se viu,

O amor é como uma vela de cera
Que torcendo o que resta do pavio
Sempre em silencio chora a sua canseira…

—-

NÉBULA DE LEÃOZINHO
(Adolfo J. de Lima)

Leãozinho, abra a mão: pegue aqui esta nebulosa
Com tantas cores quanto um saco de jujubas.
E homenageando a tua doçura fabulosa
Se chamará Pequeno Leão de Grande Juba,
Brilhará à luz da tua meiguice jubilosa.

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RUMOR
(Adolfo J. de Lima)

Crê em mim. Pois eu costumo ouvir rumores.
Senão, pois raro neles acredito.
Crê em mim, não importa muito onde tu fores
O que por mim a ti aqui é dito:

Dentre os sussurros todos do Infinito
Tal qual uma gentil brisa entre flores
Nenhum se mostrou, até então, tão bonito,
Crê em mim. Pois eu costumo ouvir rumores…

E dentre tudo o que por toda a parte
Por mim, dentre tantos, tem sido ouvido
É que ainda sendo a última obra de arte

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A tudo deu início, tal a ser escrito
Prestes um poema: do que eu não duvido.
Crê em mim. Pois ‘te rumor é o mais bonito…

—-

JULHA
(Adolfo J. de Lima)

Todos, apreciar cada um dentre os teus defeitos;
Uma a uma aprender todas as tuas qualidades;
Me completar em tuas particularidades…
Como te namorar não me seria perfeito?

Ser gentil com a tua linda fragilidade,
Pelos segredos teus pagar com meu respeito,
Traduzir cada angústia e medo no teu peito
Me é reconhecer em ti uma real divindade.

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Não só tentar mas por ti me deixar tentar
E em ti confiando te permitir se envolver
Feito me fizeste envolver ao em mim confiar:

Se em algo mais do que em tudo eu não posso crer
É em como não seria perfeito namorar
Quem um ao outro só quer fazer entender.

—-

INSPIRADO NO FIRMAMENTO
(Adolfo J. de Lima)

Azul safira era a cor do belo vestido.
Uma jóia, um rubi, luzia entre os seios nevados
– Perfeito adorno em seus fios de ouro pendurado.
E o brilho que fosse na gema refletido

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Vermelho não seria pois seria desbotado
No branco de seios perfeitamente esculpidos…
Se perderia em meio a beleza de um tecido
Pro corpo que ao toque da mão é mais delicado.

Pois nem mesmo as pétalas da pequena flor
São delicadas ou possuem igual frescor
Ao de quem no fim do dia nos faz suspirar…

Muda a cor, fica lilás, junto ao sol a se por
O manto cujo o vento frio faz balançar.
O que antes foi um rubi é, aos poucos, prata e luar.

—-

VERSOS FÚNEBRES VIII
(Adolfo J. de Lima)

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Com pesar…

Maior que a dor da primeira provação,
A de no mundo um filho colocar,
É a dor que toma da mãe o coração

Ao ver a sua filha os olhos fechar
E nunca mais abri-los novamente…
A mãozinha que esteve a segurar

Seu dedo, a boca que tocou o seio quente,
Todo o choro durante a madrugada,
São a falta e a tristeza que só ela sente.

Acaso não dá aviso de chegada
Nem pondera o mal que está pra fazer,
A dor que se sente em troca de nada…

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Dor tamanha que não sei descrever.
Dor para a qual palavras de conforto
Eu nunca serei capaz de escrever.

…Palavras para um sonho que é morto.

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Poética Urbana. © 2014.

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