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Poesias para sexta-feira

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poetica

Agora o The São Paulo Times conta com uma coluna dedicada a poesias chamada “Poética Urbana”.
Ela será publicada toda sexta-feira. Para colaborar envie sua poesia para poesias@saopaulotimes.com.br.

clarão
(Luciane Lopes)

então tomara que
seja tarde
porque sujo minhas
mãos no escuro
do quarto

(e não há céu que
nos cegue mais
delírios que o da boca)

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e tomara que
seja vontade
de enfiar a mão no corpo
e sujar a mão de cheiro
e honrar a tua imagem

então tomara que
seja cedo

porque não quero
nunca mais morrer
(de medo)
sem os teus dedos
-na boca-

—-

sobre os cílios e as algas marinhas
(Luciane Lopes)

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eu não pedi
pra ninguém abrir
esse mar que tem
cheiro de poesia
aliás, acho que
essa página estava
virada no mar
eu não pedi pra
ninguém abrir meus
olhos
mas as pessoas insistem:
-abre teus olhos-
eu quero dormir afogada
nesta morte bonita
do poema

—-

interlocutor
(Luciane Lopes)

acho que

a tua altitude
me causa uma
-crua vertigem-
quando abraço
a tua cintura
(minha oral atitude
de posse)
os joelhos então
se comprazem
e teus olhos
-completam a frase-

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—-

só para os adultos
(Luciane Lopes)

o mundo está
quicando
-existe um campo-
não vejo os lírios
meus olhos estão
sujos de inundação
– não vejo o mundo-
não paro a esfera
no peito
-não vejo o campo-
meus olhos estão
vermelhos
não vejo as flores
-no campo-
meus olhos estão
brigando fechados
o mundo está sujo
de barro (criação)
meus olhos estão
quicando

—-

copo-de- leite (morno)
(Luciane Lopes)

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um par de olheiras
mansas morando
no subsolo dos olhos
viraram inquilinas e eu
sirvo um café forte
elas me lembram que
descerão pelo meu corpo:
-tipo hematoma-
e eu respondo que prefiro
uma tatuagem de vergonha
– pra que eu suma no sono-
pode ser rosa, ou begônia
e eu adormeça
cheirando flores fortes
-depois conto se elas
foram morar noutro corpo-

—-

chamada oral
(Luciane Lopes)

sinto falta dos
teus dedos sobre
as minhas letras
embebendo o traçado
-no suor das canetas-

sinto, como se fosse
sábado e o sol voasse
num templo feito
de corpos azuis
-e elásticos-

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eu, borrada de espaço
você, procurando meu braço
-aflito em extenso-
escrito em cansaço

-um poema fácil-
declamado no ato

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Poética Urbana. © 2014.

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