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Pós-consumismo II

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Paulo

Pós-consumismo II

Continuando a desenvolver o tema que iniciei no artigo da semana passada, vou escrever brevemente sobre uma cidade que ancora iniciativas ligadas ao pós-consumismo de uma forma absolutamente única: Alto Paraíso de Goiás, a 246 quilômetros ao Norte do Brasília. O primeiro aspecto que fica claro: é uma “cidade de escolha”, ou seja, muita gente não vive aqui porque nasceu no lugar, mas porque escolheu viver na cidade, com suas características únicas. É uma pequena cidade altamente cosmopolita. E profundamente ligada às suas origens. Onde mais você pode começar o dia tomando café na feirinha do produtor, comprando orgânicos diretamente dos produtores locais, e terminar o dia comendo uma pizza feita por um Chef Italiano de Turim? Onde mais o dono do chalé que você aluga é um artista gráfico holandês, premiado e com seus livros e trabalhos na estante da sala? Aliás, a comunidade holandesa de alto paraíso é grande. Artistas, biólogos, músicos. “Little Amsterdam”? Artistas do mundo todo compõem grande parte da população que adotou a cidade. Ateliers por toda parte, mas diferente dos grandes centros, eles não são organizados para exposições o tempo todo. Porque os artistas vivem a cidade, e não apenas “na cidade”. Fazem dela sua casa, caminham por suas ruas, ou pedalam por ali. Quem vê passar, não suspeita que a figura já expôs no Guggenheim, já rodou a Europa com exposições.

Mais recentemente, Prem Baba fez em alto paraíso um de seus retiros. O que tem trazido uma peregrinação constante de pessoas do mundo todo. Lugar de tradição mística e esotérica, a cidade respira o ar de novas iniciativas e novas formas de vida e economia. Jardins de permacultura; coletivos de arte; músicos em performances geniais num pequeno Bistrô ali na esquina.

E, mais do que em qualquer outro lugar; uma nova economia, alternativa e criativa, vai nascendo por entre suas ruas. Trocas, colaborações. Sistemas de caronas solidárias funcionando com base e redes sociais. É palpável nesta cidade a diferença entre o que é a velha sociedade do “ter” e a nova sociedade do “ser”. Aqui, o artista É. O agricultor É. A cidade é completamente voltada para a transparência do que se é.

Naturalmente que a economia tradicional funciona do mesmo jeito. O que é completamente diferente é o quanto existe uma outra economia, nova, participativa, colaborativa, florescendo em diversas iniciativas.

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No artigo da semana que vem, vou me aprofundar em algumas delas. Por hoje, fica a visão geral de uma cidade que reflete mais fortemente esse nascimento do pós-consumismo. E estar aqui por algumas semanas trabalhando e compartilhando, deixa muito claro: não apenas há uma viabilidade grande na nova economia – mas é profundamente mais humano; real e verdadeiro viver nela.

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Paulo Ferreira é Diretor de Comunicação da ONG internacional New Earth Nation; Conselheiro e Representante do Nikola Tesla Institute em SP e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2014.

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