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News & Trends

O helicóptero sobre o cemitério

em Cássio Zanatta/News & Trends por

 Não tinha qualquer intimidade com o falecido. Beatriz, sim, e estava mais silenciosa que de costume. Acompanhei-a ao enterro, programinha para lá de divertido. Sei que estou parecendo um tanto frio, mas estar nesse lugar já me doeu tanto, deixa eu descontar um pouco.

Eis que surge o helicóptero sobre o cemitério. Um helicóptero sobrevoando o cemitério, vale repetir. Paira no ar, como é próprio desses bichões, levantando uma nuvem de poeira e um barulho dos diabos. Desculpem se eu ofendi alguma alma sensível falando em diabo. Aliás, não melhorou muito falar de alma em cemitério – mas hoje vocês estão um poço de sensibilidade, hein?

Algum amigo do falecido começou um sermão. Já não se ouvia bem antes, com o helicóptero barulhando ficou pior. Não que ele estivesse parado bem em cima da gente, não. Mas, mesmo longe, queria ser ouvido, o danado.

Penso na abertura de Apocalipse Now, um filmaço do Francis F. Coppolla. Aquela fusão do som do helicóptero com as pás do ventilador no teto do hospital. Você assistiu a ele, não, irmão falecido? Não? Já acho que deveria ter havido um dia a mais para que você o fizesse.

Poucos contrastes são maiores do que um choro sentido versus o som de um helicóptero. O que faria ele ali? Haveria uma chuva de pétalas de rosa em homenagem ao morto e ele errou o local do túmulo? Estaria só esperando o fim do sermão para uma panorâmica? Por que rosas e não margaridas? Questões vitais (estou impossível hoje). O falecido desconhecido que não se ofenda e me venha puxar minha perna de noite, morro de medo dessas coisas.

Falando em medo: é o helicóptero da polícia. Estaria atrás de algum bandido, que depois de roubar um banco veio se esconder no cemitério? E toda essa gente compungida, correndo risco de vida – tirando o falecido, parece óbvio. Imagine o estrago que o meliante faria, fingindo emoção, abraçando um por um, só para bater suas carteiras? O falecido que vá de noite puxar a perna dele, ora essa.

O helicóptero sobre o cemitério. Estranho. É desses cemitérios gramados, não há túmulo ou capela onde um ladrão possa se esconder. E se for a polícia que está se protegendo, buscando no silêncio do cemitério abrigo contra os perigos da vida lá fora?

Os coveiros terminam seu trabalho, há as despedidas, vamos embora, os convictos, teimosos, insistindo na vida. O helicóptero fica no ar, imóvel. Uma hora ele também há de partir. Todos temos que ir um dia, como o falecido desconhecido.

No fundo, tenho pena dele. Justo seria que todos deixássemos esta vida numa hora quieta, calma, no máximo, com uma sonata ao piano tocada mansamente, e não ao som metálico de um helicóptero. Merecemos partir no silêncio, no recolhimento, só quebrado por alguns suspiros, algum choro, sem ao menos ouvir nem temer o zumbido de um marimbondo.

Aberta as inscrições para o The São Paulo Times® Film Festival 2019

em News & Trends por

Devido ao sucesso das duas primeiras edições que contou com produtores de Hollywood, o jornal realizará no final deste ano a terceira edição do seu festival internacional de curta-metragem

O jornal The São Paulo Times, anuncia a abertura, data e o local do seu segundo festival de curta-metragens: The São Paulo Times® Film Festival 2019.

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Publicação traz recomendações e estratégias sobre uso de medicamentos

em Mundo/News & Trends/ONU/Saúde & Bem-estar por

O Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos lançou na segunda-feira (8), na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Brasília (DF), a publicação “Uso de medicamentos e medicalização da vida: recomendações e estratégias”.

O documento é resultado de debate realizado em agosto de 2018 entre representantes do Comitê e especialistas sobre três temas: medicalização da vida, uso de medicamentos por grupos em situação de vulnerabilidade e uso racional de antimicrobianos.

Segundo a publicação, quando utilizados indevidamente, os medicamentos podem ser danosos à saúde e, inclusive, levar à morte. “É importante ressaltar que o medicamento é uma tecnologia importante no processo terapêutico de inúmeros tipos de doenças, porém, é preciso evidenciar o uso indiscriminado e, muitas vezes, desnecessário”, destacou o documento.

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Possibilidade de uso de armas nucleares é ‘maior do que já foi há gerações’

em Mundo/News & Trends/ONU por

alta representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento alertou o Conselho de Segurança de que a ameaça de armas nucleares serem utilizadas é “maior do que já foi há gerações”, à medida que existe “competição em vez de cooperação”.

O alerta de Izumi Nakamitsu foi feito no início de abril (2), em encontro convocado em apoio ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), antes da próxima conferência para revisar o acordo histórico, marcada para 2020.

O TNP, que entrou em vigor em 1970, é o único compromisso multilateral vinculante para desarmamento de Estados que oficialmente armazenam armas nucleares. Seu objetivo é prevenir a disseminação de armas nucleares e de tecnologias bélicas, promover cooperação no uso pacífico de energia nuclear e alcançar desarmamento nuclear, além de desarmamento geral.

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Bangladesh: 19 milhões de crianças estão sob risco de desastres ligados à mudança climática

em Mundo/News & Trends/ONU por

Mais de 19 milhões de crianças em Bangladesh sofrem com riscos de enchentes devastadoras, ciclones e outros desastres ambientais ligados à mudança climática, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em novo relatório publicado na semana passada (4).

De acordo com o estudo, a topografia plana, a alta densidade populacional e as fracas infraestruturas tornam o país “excepcionalmente vulnerável às poderosas e imprevisíveis forças que a mudança climática está consolidando”.

A ameaça é sentida nas inundações e nas possibilidades de secas nas terras baixas do norte do país à região costeira devastada por tempestades no Golfo de Bengala, segundo o relatório “Tempestade Próxima: Mudança climática nubla o futuro de crianças em Bangladesh”.

Atualmente, em torno de 12 milhões das 19,4 milhões de crianças mais afetadas pela mudança climática vivem dentro e ao redor de poderosos sistemas fluviais que passam por Bangladesh e frequentemente inundam.

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Os dias passam

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Os dias passam para o macumbeiro, como passam para os alpinistas. Para o assassino na prisão eles passam (lentos de desanimar). Mesmo os dias intermináveis no fim conhecem a noite, chega a hora de virarem ontem e a insistência em durar perde o sentido. Ou amanhecem já com a intenção de escurecer.

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Dúvida existencial na sorveteria

em Cássio Zanatta/News & Trends por

O sujeito chegou no balcão da sorveteria, dessas que oferecem mais de 100 sabores, olhando para o painel, saboreando sua dúvida. O atendente veio com aquela animação toda e perguntou: “Oba. Já escolheu?” Foi quando ele empacou como uma mula velha diante de tantos sabores.

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Sou um idiota

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Idiota, do grego idiótes. Uma pessoa leiga, despreparada, sem habilidade. Com o passar dos tempos e o espalhar dos continentes, seu significado passou a designar uma pessoa tola, parva, tapada, estúpida. Eu não faria feio em qualquer dos significados.

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Tô certo ou não?

em Cássio Zanatta/News & Trends por

 O sujeito já estava no balcão quando entrei na padaria. Só havia espaço ao seu lado. Cheguei com o máximo cuidado para não se fazer notar. Ele parecia contrariado, olhos fixos em algum lugar que ninguém mais alcançava, de onde só tirava para se dirigir ao atendente. Pedi meu café, uma broa e só fiquei escutando.

– Você não acha que eu estou certo?

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O vizinho

em Cássio Zanatta/News & Trends por

O interfone interrompe nosso café da manhã. É o porteiro, comunicando com voz grave que o vizinho do 42 faleceu de madrugada. Morava dois apartamentos acima do nosso.

Nunca soube o nome do vizinho. Apenas imagino sua idade. Nem consigo lembrar de seu rosto, mal definido em algum encontro no elevador ou na garagem. Só guardei que estava sempre de camisa meio aberta e tinha um bigode branco.

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O homem que anda de ponta-cabeça

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Deu no jornal (as notícias estranhas estão sempre a postos quando andamos desanimados para os assuntos): Dirar Abohou, um etíope de 32 anos, passa seis horas por dia, três de manhã, três à tarde, de cabeça pra baixo. Ou de ponta-cabeça, como diz a matéria, e eu que pensava que era um termo usado só na minha terra. Dizemos também plantar bananeira, e não me peçam para explicar o sentido da expressão, já que não parece haver algum: duvido que bananeiras sejam plantadas numa posição tão desconfortável.

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A casa de temporada

em Cássio Zanatta/News & Trends por

A casa de temporada é a maior distância entre expectativa e realidade já medida pelo homem. Em dezembro, ela estará em todos os seus sonhos e desejos de vingança. Seu Natal será mais alegre, seu Reveillon, promissor, porque breve haverá a casa de temporada.

Ao chegar, as crianças estarão impossíveis. O cachorro, ao contrário, vai estar murcho, deslocado. Mas você vai levar a bola, o que resolverá os dois casos. Sua mulher logo providenciará a lista da quitanda e supermercado – inclua na lista os itens “rede” e “cerveja”, que não vão estar lá. As árvores em volta da casa, flamboyants e acácias, estarão floridas e nem vai estar tão quente como você esperava.

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