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Nós, quem?

Nós, quem? Seres humanos são únicos. E são todos iguais. Nisto não existe paradoxo, são duas afirmações plenamente verdadeiras em…

By Redação , in Coluna , at 22/04/2015

Paulo

Nós, quem?

Seres humanos são únicos. E são todos iguais. Nisto não existe paradoxo, são duas afirmações plenamente verdadeiras em si mesmas. A confusão na aplicação desses conceitos é que pode ser problemática.

Quando tratamos de potencial ou possibilidade, somos, efetivamente, todos iguais. Aquilo que é possível a um ser humano é igualmente possível a outro ser humano. Se um homem fez, outro homem pode fazer. Não falamos aqui de milagres: embora os homens que os tenham feito tenham afirmado que todos podemos fazê-los, não é esse o escopo deste texto. Quando tratamos de atitudes normais, e não de milagres, sabemos que pode ser feito, ao menos como potencial. Se isso vai se realizar, depende de muitos fatores, inclusive a disposição de um determinado indivíduo em dedicar-se a uma tarefa que ele considere difícil. O fato de que alguém não faça algo não significa que não possa fazer, são coisas muito diferentes. E uma das mais importantes diferenças a considerar aqui é o conceito dos limites de cada um. Sejam aqueles colocados externamente por uma circunstância; sejam aqueles colocados internamente pelo próprio indivíduo.
O que deve marcar bem essa diferença é a consideração do que é potencial e do que é limite: quando nos referimos a potencial, somos todos iguais. No que se refere aos limites pessoais, somos únicos; produtos de infinitas combinações possíveis de genética, ambiente, atitude e consciência. 
É justamente nos limites pessoais que reside a fronteira onde uma frase pode passar de verdadeira para um ponto de vista egóico, indevidamente expandido, apenas para o “falso alívio” da responsabilidade de quem faz a declaração.

Vamos aos exemplos: quando alguém (qualquer um) diz “o ser humano pode ser ruim, mesquinho e imprestável” , está falando de potencial. Sabemos que é verdade. Assim como sabemos, por muitos exemplos, que o ser humano pode ser bom, altruísta e maravilhoso”. Tudo perfeito, porque estamos falando de POTENCIAL, do que PODE ser. De fato, o que um homem é, todos podem ser.

Mas isso muda completamente de figura quando a frase é dita como afirmação: “o ser humano é ruim, mesquinho e imprestável”. Não; absolutamente não é verdade. Tanto quanto não é verdade dizer que o ser humano seja “bom, altruísta e maravilhoso”. Ele pode ser todas essas coisas, como potencial. E pode não ser nenhuma delas, também.

Mas a frase fica mais escorregadia na medida em que se adota o “nós”, essa escorregadia pessoa do plural, como forma de substituir “o ser humano”, ou a perfeitamente cabível primeira pessoa do singular, ou seja, eu; nos exemplos acima. E isso é feito por muitos, muitas vezes sem o devido cuidado na afirmação. Ouve-se com freqüência frases como “Somos todos mesquinhos”; ou “somos todos vítimas de tal sentimento” (a inveja, por exemplo).

Neste tipo de frase reside um duplo engano, e um duplo perigo. O primeiro, para quem ouve a frase, por exemplo, “somos todos invejosos”. Se você ouviu esta frase e ficou em silencio, permitiu ao outro, por omissão, definir que sabe que você é invejoso. Permitiu ainda que ele fizesse esse julgamento a seu respeito e declarasse isso; e não contestou o fato. Em suma, ao omitir-se, assumiu para si mesmo e para o outro que não se opõe que isso seja dito de você. Logo, deve considerar que é verdade. Ainda mais: permitiu que a sua própria mente, o seu próprio ser, ouvisse isso sobre si mesmo, concordando silenciosamente. Se você conhece algo de PNL, ou programação neuro linguística, sabe a diferença que isso pode fazer. Mesmo que você não seja uma pessoa invejosa, permitiu ser reduzido a isso; permitiu que esse limite lhe fosse imputado; permitiu que essa informação/programação fosse entregue à sua mente.

O segundo engano é aquele que acontece com quem diz a frase “somos todos invejosos”. Ao dizer isso, permitiu-se julgar toda a raça humana como prisioneira dos mesmos limites que ele mesmo. Note que não foi dito “podemos ser”, que indicaria potencial e seria, portanto, verdade. Foi dito “somos”, como fato consumado, limite reconhecido. Ora, é simples destacar o quanto muda o conteúdo da afirmação: “todos podemos ser maus” é verdadeiro. “Somos todos maus” é um engano.

Mas o aspecto mais pernicioso da frase é o da auto-validação nela contida. Ao dizer “somos” com o se isso pudesse substituir “eu sou”; o indivíduo está buscando a validação social do outro para os seus próprios limites. Se o outro permanecer em silêncio, essa validação será obtida. Como resultado, o indivíduo sente-se mais “confortável” no seu próprio limite. Por isso, exatamente, é tão pernicioso: ajuda o indivíduo a se “conformar” aos seus limites atuais como algo “natural” (já que um limite compartilhado com a sua espécie) e não passível de mudança por uma tomada de consciência. Essa atitude reforça o limite e cria uma “zona de conforto”.

Quantos efetivamente diriam “sou invejoso” ao invés de “somos todos invejosos” ? Demanda coragem e força interior falar de suas dificuldades na solidão da primeira pessoa do singular. Mas é a verdade que cabe ao indivíduo. Você é o ÚNICO ser humano a quem pode genuinamente conhecer os limites e as dificuldades.

Tanto quanto demanda coragem e força utilizar a primeira pessoa do singular para falar das suas dificuldades, denota fraqueza a busca da validação social para os seus próprios limites. Fale sobre você. Diga o que você é. Ou, se preferir ou não for capaz, não diga nada. Mas não nutra os seus limites pessoais com o falso conforto da validação social. E sobretudo, não imponha ao outro o seu julgamento sobre quem você acha que ele é; porque nesse aspecto, todos, sem exceção, podemos estar errados.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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