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Wednesday, March 3, 2021
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3 izakayas que provam que a cozinha oriental vai muito além do peixe cru

Entrar, sentar no balcão, pedir um saquê (ou uma breja gelada) e começar petiscar fritos, grelhados e cozidos. Sem pressa,…

By Leonardo Castelo Branco , in Baião de 3 Coluna News & Trends , at 01/09/2016

Entrar, sentar no balcão, pedir um saquê (ou uma breja gelada) e começar petiscar fritos, grelhados e cozidos. Sem pressa, afinal esses são locais pra se passar horas. O izakaya é equivalente ao botequim, só que na versão japonesa. Detalhe importante: geralmente não serve sushi, muito menos sashimi, não é lugar disso. É, sim, uma viagem por um Oriente muito mais autêntico e boêmio.

Izakayas geralmente são casinhas pequenas que se convertem em pequenos tesouros quando atravessamos a cortina com letras japonesas na entrada. Ao entrar num desses botecos, a sensação é de ser transportado para o clima de Kabukichō, em Tóquio, bairro que inspirou a decoração das ruas do filme Blade Runner.

Por dentro, os izakayas são ambientes pequenos e estreitos onde é possível sentar nos tatames ou no balcão. E mais: têm garrafas de bebidas expostas com os nomes dos clientes mais cativos rabiscados nos rótulos, cortinas e luminárias tipicamente orientais, copos de bambu e brasa queimando, óbvio.

Em São Paulo, a maior cidade japonesa fora do Japão, começa a aparecer uma oferta decente desses ambientes, o que contribui e muito pra nossa fauna gastronômica, que, convenhamos, de rodizio já está superlotada. Será o fim do reinado do sushi? Não dá pra saber, mas uma coisa é certa: impossível simplificar e limitar a culinária oriental.

Fui visitar e revisitar alguns destes lugares que estão em sua maioria no bairro da Liberdade, mas também existem boas opções fora dela. A ver.

Kabura

Gasto: + de $50 por pessoa

Um vão escuro, com uma escada mal acabada e, lá em cima, uma porta que não passa muita confiança. Esse é cenário que você vai encontrar na Rua Galvão Bueno, 346, na Liberdade.

Mas não se deixe levar pela entrada do logradouro, que é feia de doer. Muito menos pelo atendimento que, às vezes, não é tão próximo e acolhedor como estamos acostumados. Desencana.

A “equipe” é composta apenas por uma garçonete, também a única no recinto que fala português – e pior: ela só vai atender se você chamar. Mas relaxa e bebe uma cerveja gelada enquanto espera, vai valer a pena.

Uma coisa eu garanto: será uma das experiências gastronômicas mais completas pelas quais você já passou. O Kabura é desses poucos lugares imutáveis, parados no tempo e vivendo a tradição antiga, até hoje. Um patrimônio histórico da São Paulo.

Lá, as especialidades são as robatas, os espetinhos japoneses. Peixes, frutos do mar, carnes e legumes variados são montados em espetos de madeira e disputam um lugar na grelha, que fica à vista do cliente que escolhe o balcão pra se exilar. Entre as preferências estão o espetinho de língua bovina, o de cebolas na brasa e o de frango com missô.

Mas a grelha não guarda espaço apenas para as robatas, eles fazem uma anchova na churrasqueira com sal grosso apenas. Um dos sabores mais marcantes do lugar, garanto. Cerveja Original harmoniza bem aqui. Fora isso, o cardápio é bem amplo, vale perder uma meia hora só pra decifrá-lo enquanto aguarda uns espetinhos.

Muito importante: no Kabura aceitasse APENAS DINHEIRO.

Rua Galvão Bueno, 346 – Liberdade

De segunda a sábado 19h às 01h30

Izakaya Issa

Gasto: + de R$50 por pessoa 

Outro exemplo: uma porta de bambu coberta por uma cortina nipônica branca, que você não dá nada, mas vai encontrar algo muito valioso do lado de dentro: Dona Margarida Haragushi, a dona do Issa, que entrega amor nos pratos e copos. Simples assim.

O balcão é o espaço ideal para conhecer mais sobre a casa e a cultura izakaya, já que as moças que servem adoram prosear sobre o assunto. Diferente do Kabura, no Issa impera uma grande simpatia e cuidado no atendimento.

O clima aconchegante e o atendimento primoroso é fruto do desvelo de Dona Margarida, que trata igual a todos os clientes, sejam eles famosos, políticos, jogadores de futebol ou pessoas comuns, como eu e você.  Os nossos japoneses são sim, melhores que os outros.

Pra começar a brincadeira, peça um dos mais de 40 tipos de saquês ou sochus (destilado feito a partir da batata doce, arroz ou cevada). Eles não estão no cardápio, mas se perguntar, algum dos aprendizes de Dona Margarida vai lhe informar sobre todos disponíveis com um sorriso no rosto.

Os Otoshi, 4 pequenas porções de entrada, são quase obrigatórios. Eles podem ser compostos de broto de bambu, acelga chinesa com carne, folhas de bardana, folhas de mostarda japonesa, nabo desidratado, berinjela com shoyu e saquê e por aí vai. Varia conforme o dia.

Não deixe de provar também Takoyaki, bolinhos de polvo com massa de cará, cebolinha e gengibre, mais um dos clássicos da casa. De principal, a anchova na brasa também é uma belíssima pedida. O cardápio é bem enxuto, mas tudo é de prima. Ah, não vá embora sem trocar uma ideia com a Dona Margarida. Figuraça.

Rua Barão de Iguape, 89 – Liberdade

Segunda, terça, quinta e sexta 11h30 às 14h30 e também 18h30 às 23h30 / Quarta 18h30 às 23h30 / Sábado 11h30 às 15h30 e também 18h30 às 23h30 / Domingo 11h30 às 15h30 e também 18h às 23h

Bueno Izakaya

Gasto + de $50 por pessoa 

Finalmente uma opção fora da Liberdade. Na verdade, o Bueno migrou de lá faz alguns anos, o que fez um bem danado pra cidade que ganhou uma opção de izakaya fora do bairro nipônico.

Apesar de ter uma pegada mais moderna que o antigo, com identidade visual e tudo, o Bueno tem muitos japoneses, principalmente grandes executivos. Isso é um ótimo sinal.

O espaço é maior, mais moderno e aconchegante que anterior, mas não deixou de valorizar o clássico: o balcão, por exemplo, continua lá firme e forte. Logo na entrada, um bonito quadro escrito “No sushi, no sashimi” nos dá a certeza que o espírito não mudou, e estamos diante de um legítimo izakaya.

Mas e a comida? Aqui é maravilhosa porque provoca o encontro de dois mundos: Japão e Coreia. O carro-chefe da casa é o coreano Bibimap, prato a base de arroz e legumes, carne e ovo, servido num bowl quente, pra que se misture e cozinhe o ovo ali mesmo, na hora. O chankonabe, cozido de verduras com carne de porco ou frango, servido com macarrão udon, também vale a visita.

Outra especialidade do Bueno são as robatas. O espetinho de barriga de porco derrete na boca, maravilhoso. Os mais abrasileirados também são uma delícia, como o coraçãozinho, por exemplo. Pra beber, shochu, claro.

Alameda Santos, 835 Cerqueira César São Paulo SP

De segunda a sexta 11h30 às 14h30 e 18h às 22h30 / Sábado 12h às 15h e 18h às 22h30 / Domingo fechado

Vale a pena conferir também:

Izakaya Matsu – restaurante tocado lindamente pelos filhos da Dona Margarida, dona do Issa.

Av. Pedroso de Morais, 403 – Pinheiros

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