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“A Baleia Azul” reflete crise na AFETIVIDADE

Circula entre os jovens um jogo virtual chamado “A Baleia Azul”. São 50 provas que levam os participantes a vivenciar…

By Redação , in Brasil Educação e Comportamento News & Trends , at 27/04/2017 Tags:

Circula entre os jovens um jogo virtual chamado “A Baleia Azul”. São 50 provas que levam os participantes a vivenciar emoções que colocam sua vida em risco.

Algumas fases, aparentemente inocentes, têm o objetivo de alienar o participante, tirá-lo da consciência para não questionar o que lhe pedem e com isso serem induzidos ao suicídio (última prova). São indivíduos que têm sua formação afetiva comprometida e por isso apresentam dificuldade de sentir prazer nas pequenas atividades com seu grupo ou sua turma o que os tornam  dispostos a viver emoções a todo custo.

 Com tantas funções que os pais precisam desempenhar hoje, como encontrarão espaço para estimular que seus filhos exteriorizem seus sentimentos, suas emoções e construam sua afetividade? Marina Daudt, mãe de 3 meninos: Gabriel, de 8 anos, Davi, de 4 e Lucas, de 2, está empenhada em ser uma mãe presente, mas confessa ter dificuldade em administrar seu papel materno no contexto atual em função da falta de tempo. “Sinto pavor de imaginar meus filhos um dia participando de games como o da “Baleia Azul”. Estou correndo tanto que muitas vezes sinto que não consigo observar as emoções de meus filhos como deveria”.

“Vivemos num mundo de alto desenvolvimento tecnológico mas não podemos nos esquecer que estamos tratando com seres humanos em formação”, ressalta a pedagoga Maria Augusta Rossini. Atuando há mais de 40 anos como profissional da educação em Londrina e autora de 5 livros com reconhecimento internacional, Maria Augusta alerta para o papel fundamental que o desenvolvimento da afetividade tem na formação da criança. Muita coisa mudou. O namoro, por exemplo, foi substituído pelo ficar. Mas as necessidades humanas continuam as mesmas. Eles precisam sentir que têm quem cuide deles, mesmo que por um breve momento, pois uma das maiores dores psicológicas de uma pessoa em formação é não ser cuidada, amada, acolhida.

A afetividade acompanha o ser humano desde antes do seu nascimento até sua morte. E até 12 anos de idade, aproximadamente, época em que se constrói a base do conhecimento, somos essencialmente afetivos. Um exemplo é a associação dos conteúdos passados nas escolas. “Quando gostamos do professor temos receptividade ao conteúdo que ele apresenta”, afirma. A criança que possui uma boa relação afetiva estará segura, demonstrará interesse pelo mundo que a cerca, compreenderá melhor a realidade e apresentará um melhor desenvolvimento intelectual e emocional.

 Na construção da afetividade, é fundamental também dar limites apontando o certo, o errado, mostrando que todas nossas ações geram consequências. Dar limites é trabalhoso, gera culpas, mas também proporciona a sensação do dever cumprido quando recebemos um abraço afetuoso da criança que se sentiu cuidada. Daí a certeza de que estamos no caminho certo e contribuindo para a formação de uma geração mais equilibrada afetivamente, emocionalmente e capaz de cuidar do próprio destino.

Maria Augusta sugere ainda resgatar pequenas ações como  contar Histórias  (conto de fadas, para as crianças até 07 anos). Esta prática, além de criar vínculos afetivos intensos, oportuniza trabalhar sentimentos que incomodam a criança nesta fase da vida. Ao ouvir a história de João e Maria ela terá oportunidade de trabalhar o medo de ser abandonada, bastante comum na primeira infância. As histórias, diferente dos games atuais, trabalham com o conceito de finitude, ou seja, mostram que tudo tem começo, meio e fim. Mostramos “que a vida não é como nos jogos eletrônicos onde os personagens têm várias vidas”.

Outra prática defendida por Maria Augusta é resgatar as brincadeiras do passado. “Parece mentira, mas houve um tempo em que as crianças brincavam na rua: pique, pé-na-lata, lenço-atrás, rodas cantadas, coelho-sai-da-toca, amarelinha, passa anel, etc.”. As crianças, por meio destas brincadeiras, vão satisfazer as necessidades físicas, psíquicas e sociais. Aperfeiçoam habilidades, retratam a cultura das regiões e treinam regras de convívio social.

No resgate de atividades do cotidiano vale lembrar antigas tradições como preparar uma festa de aniversário, comemorar datas ou celebrar as passagens da criança – “cada fase precisa ser eternizada através dos ritos de passagem” . Valorizar os avós também é importante, pois eles são capazes de estimular uma viagem no tempo contando a história da família, cena tão comum nos antigos almoços dominicais. Muitos pais reclamam que seus adolescentes não querem mais participar das reuniões de família. Esquecem que em algum momento eles foram separados “naquela mesa para crianças”. Nosso cotidiano precisa ser rico em experiências simples , onde todos tem seus papéis e são respeitados pelo que são capazes de realizar. Isso trará equilíbrio, referência e segurança para a criança e para toda a família. E se a família se torna um lugar melhor, estaremos construindo um mundo muito mais sólido!

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