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A estupidez do torcedor de sofá

Pergunte a qualquer pessoa, profissional da área ou não, sobre qual é o maior problema dos estádios brasileiros e a…

By Redação , in Coluna , at 14/07/2014 Tags:,

MONO

Pergunte a qualquer pessoa, profissional da área ou não, sobre qual é o maior problema dos estádios brasileiros e a resposta vai sempre cair nas Torcidas Organizadas.

São elas que dominam os estádios brasileiros e afastam os torcedores comuns, com medo de violência, brigas, ameaças e etc.

A torcida organizada, com todas as suas intenções políticas e partidárias que não tem nada a ver com futebol, acaba fazendo com que os outros torcedores esqueçam do futebol no estádio como forma de lazer.

Você não leva seu filho a um jogo se achar que ele corre risco de ser agredido ou pisoteado. Nem leva sua mulher se achar que ela corre o risco de ser manipulada de forma indócil, pra ser sutil.

Mas se tem uma coisa que a gente gosta de fazer, mais do que falar mal de torcida organizada, é ditar regra e emoldurar comportamentos que devem ser padrão para todos.

E o comentário geral da Copa, antes dos 7 a 1, era de que o torcedor brasileiro não sabia torcer, que era torcedor de sofá, que estava acostumado a ver os jogos em casa.

Não consigo medir o tamanho dessa estupidez.

Talvez pela primeira vez em anos, as pessoas foram aos estádios tranquilas. Foram ao jogo com crianças e em segurança, não vimos brigas, vimos torcedores rivais lado a lado e em paz. Depois de décadas de bagunça, vimos estádios limpos, banheiros inteiros e pessoas gritando sempre a favor, sem ameaçar a outra torcida nem tratá-la como inimiga.

E vimos a torcida inteira cantar que era brasileiro, com muito orgulho e muito amor. Mas até isso virou motivo pra reclamação dos ‘verdadeiros torcedores’.

De uma hora pra outra, a torcida organizada virou o padrão de comportamento e o elemento que faltava nos estádios da Copa.

Desculpa, mas não faltava não.

O ‘torcedor de sofá’ é que falta nos estádios nos jogos do campeonato brasileiro.

Não é o idiota que acredita que pode mandar o torcedor adversário tirar a camisa do time dele, só porque está em maior número no bando. Não é isso que está faltando. Não é o torcedor que usa rojão como arma, que ameaça, que canta músicas incentivando a violência, não é o torcedor que se julga um exército do time para combater o inimigo de outras cores. Não é nenhum desses que falta no nosso campeonato. Falta o cara que leva a mulher pra ver um jogo mesmo que ela não conheça bem as regras, mas consiga se emocionar com um gol. Falta o cara que vaia porque o time não jogou bem e no minuto seguinte chora com o golaço, e acha que seu time é o melhor do mundo.

Falta o menino que quer ver o ídolo de perto e não se importa se ele ganha milhões ou não.

Falta o torcedor que, segundo os idiotas, ‘não sabe torcer’.

Eu nasci no Brasil. O futebol está comigo desde pequeno.

Assim como ninguém precisa ir pra escolinha pra aprender a jogar bola, ninguém precisa ir pro estádio pra aprender a torcer. A gente torce naturalmente. E que continue assim, com as arquibancadas cada vez mais lotadas de sofazeiros alegres.

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Diogo Mono. Redator publicitário, tenta ser escritor, será pai de família e continua sendo um observador das coisas do cotidiano.
© 2014

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