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A mulher do tempo

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Você tem razão em reclamar dessa garoinha insistente, do toró que cai bem na hora do rush e complica sua volta para casa, ou desse sol que sai com tudo quando você está de casaco.

Só está reclamando para a pessoa errada. A culpa não é de São Pedro, nem do homem do tempo, muito menos da moça da metereologia na TV.

A responsável atende pelo nome de Maria Helena, uma adorável senhorinha que, da sua janela à rua Aurora, 228, Centro, comanda o tempo na cidade, operando uma complicada engenhoca que herdou do seu pai, que por sua vez herdou do seu, este também do seu e vai vendo que esse negócio está na família há 478 anos.

Funciona assim: dona Maria Helena acorda, toma seu chá com biscoitos cream crackers com manteiga e geléia, chega à janela, dá aquela espiada no céu e daí resolve se aperta a manivela de fazer ventar ou aqueles botões de produzir nuvens. Em dias particularmente de bom humor, ela decide fazer surgir um arco-íris.

(E você achando que quem comandava tudo era a natureza, com seus caprichos e inesperados. Que ingenuidade, veja se assunto tão sério ficaria em mãos tão intempestivas).

Agradeça, portanto, à dona Maria Helena o lindo dia de ontem. E pragueje contra ela se durante a semana fez um sol de rachar carcaça para chover justo no fim de semana na praia. Ela não se ofende, aprendeu a ter paciência com a humanidade.

Lembra aqueles meses em que não choveu, a água foi minguando, foi preciso racionamento e o escambau? Pois então: o que aconteceu foi que ela foi visitar seu irmão João Jacinto em Itabirito, Minas Gerais, e resolveu prolongar a estadia. Foi ficando, perdeu a noção do tempo e foi aquele fuá.

Algumas dúvidas que podemos esclarecer: os eclipses não são de sua alçada; o serviço de dar às nuvens estranhos formatos é terceirizado; sim, os joanetes são capazes de prever o tempo.

Se dona Helena vive a vida? Opa: umas 3 vezes por semana, ela e as amigas se reúnem para jogar buraco e tomar uns martinizinhos. Para ela é uma distração (o que explica que tanta lua nasça encoberta no céu paulistano).

Caso o teimoso cidadão ainda não tenha se convencido, pode ele mesmo comprovar. Arrume um binóculo, luneta ou coisa que o valha e confira a terceira janela da esquerda para a direita do sétimo andar do edifício Castro, no já referido endereço. Lá estará nossa guardiã, zelando pelo tempo.

Quem sabe, providenciando para hoje ainda um pôr do sol cheio de cores e raios fúlgidos (não, eles não existem apenas no Hino Nacional) para que, quando eu pegar Pedro e Maria no Colégio, a gente possa parar na praça e contemplar o belo serviço de dona Maria Helena chupando um picolé.

 

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