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A nova revolução cubana: pacto pela credibilidade

A nova revolução cubana: pacto pela credibilidade A aproximação de Cuba com os Estados Unidos, caracterizada por meio da retomada…

By Redação , in Coluna , at 16/04/2015

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A nova revolução cubana: pacto pela credibilidade

A aproximação de Cuba com os Estados Unidos, caracterizada por meio da retomada das negociações para o fim do embargo econômico e da recente declaração de Barack Obama sobre a intenção de retirar o país vizinho da lista dos apoiadores do terrorismo, deve legar ao Estado de Raúl Castro um choque de credibilidade internacional.

A retomada das relações entre os dois governos, começada em dezembro último com o anúncio de uma tentativa de retomada das relações comerciais pelo presidente americano, vem ganhando espaço na mídia e conquistando a atenção dos mercados, e tem grande potencial para mudar a realidade de Cuba.

Com a maior abertura do sistema econômico cubano, o risco-político deve diminuir gradualmente, atraindo investimentos com o aumento da confiança de investidores. Considerando que os cubanos vivem sob um Estado socialista, isolado do sistema capitalista imensamente predominante que o circunda, o choque relativo desse alinhamento com o Ocidente deve ser muito profundo no processo de transformação social e econômica do país.

Isso porque, em favor da ideologia de seus líderes, os cubanos foram submetidos a um atraso de mais de 50 anos. Soma-se a este fato, também, os efeitos devastadores que o embargo dos americanos teve sobre Cuba, que ficou paralisada no tempo por conta da relação antagônica com os EUA, e foi relegada ao completo ostracismo com a queda do Muro de Berlim.

A entrada de empresas estrangeiras no mercado cubano – que possui um enorme potencial para investimento nos setores de infraestrutura, tecnologia da informação e bens de consumo duráveis – deve gerar maiores níveis de emprego e renda para a população, elevando a qualidade de vida de muitos que hoje partilham de um cotidiano nivelado por baixo, em particular aqueles que não ocupam um lugar privilegiado no governo.

Não apenas a parca infraestrutura, mas o baixo desenvolvimento da indústria e a acessibilidade às tecnologias modernas mudarão significativamente o modo de vida da população daquele país. O acesso à informação contribuirá com a melhoria do nível de educação e também com a transformação, em paralelo, do sistema político cubano, gerando maior inclusão e organização social, se a oportunidade for bem aproveitada pelo governo e pela sociedade.

Da mesma forma que o impacto relativo dos investimentos causará uma enorme transformação no país, também o retorno dos recursos ali depositados deverá ser de grande escala. Nesse sentido, Cuba estará no ranking dos investimentos atrativos e no radar dos investidores. Para além dos setores citados, a área de turismo e de transportes também apresentam oportunidades de grande relevância para empresas que buscam investir na América Latina e Caribe.

Ainda é cedo para afirmar que os cubanos viverão sob uma democracia plena e que os investimentos vão gerar lucro exorbitantes, mas o capital ali investido poderá apresentar uma supervalorização com o aperfeiçoamento do ambiente político e regulatório do país, e o desafio está na capacidade de conectar os interessados a estas oportunidades de negócio.

A herança de uma eventual inserção na rota do capital internacional, porém, não deverá ser apenas benévola. O crescimento econômico do país tem o potencial de gerar desigualdade e aprofundar as clivagens sociais, principalmente se o processo de abertura política não acompanhar o desenvolvimento do mercado. Nesse contexto, a ausência de políticas que impeçam a concentração desenfreada e corrupta de riquezas, favorecerá aqueles que hoje ocupam o poder, e um regime autocrático se formará em torno do Estado capitalista cubano.

Este poderá ser um preço a pagar pelo desenvolvimento e o aumento da qualidade de vida da população, mas não parece, a princípio, ser este o projeto dos irmãos Castro para o país.

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Luiz Renato Arietti Nais é publicitário, e bacharelado em Relações Internacionais. Amante dos livros e do conhecimento. Dois-correguense, corinthiano, mochileiro e inventor de apelidos. © São Paulo Times.

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