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A paz mundial é possível?

Sim. Não obstante a realidade de um mundo que viveu sempre sob guerras. Não se trata de um ato, mas…

By Redação , in Mundo News & Trends , at 17/11/2015

warSim. Não obstante a realidade de um mundo que viveu sempre sob guerras. Não se trata de um ato, mas de um processo. Gradativamente podemos buscá-la. O ato ignaro em Paris leva a um desmentido dessa afirmação. Efetivamente, só foi a ponta do iceberg de um oceano de sangue anunciado, como disseram em seu comunicado os sicários do EI.

 No entanto, se cremos no homem, em sua inteligência, nos valores sadios do homem médio, não podemos descrer da paz. Momento houve em que paz era sinônimo da cessação da guerra fria e seus desdobramentos regionais. Os pressupostos de início desse processo pacificador são altamente complexos. Uma reação furibunda e drástica contra o poderoso EI, que arrecada 100 milhões de dólares semanais vendendo petróleo bruto, só ensejará o agravamento das coisas. Pior, ainda, o oportunismo de direita que vê nos refúgios a causa de infiltração dos terroristas. E propõem medidas xenófobas.

Primeiramente, é preciso reconhecer a fragilidade da ONU e a desordenação do mundo, o embate de interesses contrários aparentemente inconciliáveis. Houve momentos melhores, daí porque não estarmos a falar em utopias. O Irã foi democrático e amistoso ao Ocidente. A invasão americana culminou com o retorno dos aiatolás e o fenecimento da democracia. O Iraque jamais deveria ter sido invadido; não se encontrou um único artefato nuclear, só se deram ao orgulho de extinguir Sadam Hussein como um rato no meio de entulhos. Nada, sob o ângulo da boa política mundial.

A crise de 2008, que perdura, não foi o fim do mundo, mas abalou profundamente o estado do bem estar social, a mais aperfeiçoada arquitetura político-social de que o homem foi capaz. Reflexos demolidores, sobretudo, sobre as esperanças de jovens europeus bem educados, aculturados, porém habitantes, exemplificativamente, dos subúrbios de Paris, balançando suas pernas nas esquinas rústicas, como a indagar o que fazem neste mundo. Os cigarros expelem fumaças ao ar que se assemelham a pedido de socorro aos Deuses. Se não há lugar para esses franceses no mercado de trabalho, imagine-se o que esperam árabes, negros e os demais estrangeiros.

Trata-se da França, que sofreu o mais recente e forte abalo, mas isso é válido para todas as sociedades que se querem avançadas, ocidentais, democráticas e conduzidas por Estados de Direito. Entre elas, a nossa. Portanto, o ponto está na reformulação social, capaz de absorver as maiorias produtivas, numa economia de mercado racional em que a selvaria do lucro não tenha lugar. Solução interna. Dependente, como é óbvio, das políticas respectivas, cuja descrição dos fundamentos é incabível neste espaço, mas não é nada misteriosa.

Concomitantemente, o encetamento do diálogo entre os países do Ocidente, do Oriente Médio, da Rússia e integração de todos do terceiro mundo. A globalização não se fez no plano dos direitos. Ainda está o fundo buraco. Esssa é a base fundamental da conciliação e da reconciliação mundial.

Não há fanatismo religioso capaz de cooptar pessoas empregadas, contentes com suas atividades e realizadas em seus ramos de conhecimento. Entretanto, ele pode tudo no deserto, nas periferias, favelas, no primeiro mundo profundo. O inverno da desesperança, de que falou John Steinbeck, é o ambiente em que crescem esses fanáticos torpes do terrorismo. Temos de superá-lo.

Outro ponto é estritamente econômico. E reside no campo das energias. O monopólio do petróleo está na raiz da maioria dos fatos deploráveis do mundo contemporâneo, das ditaduras, das diferenças sociais abissais, dos trilhões de dólares acumuladas nas mãos de poucos e, em contrapartida, na fome e miséria da maioria dos habitantes do planeta. O desenvolvimento das fontes alternativas não é apenas racional, mais econômico: é democrático, politicamente correto e capaz, por si só, de solucionar vastas gamas de dramas sociais. Sabe-se que a resistência será grande. A ser enfrentada, com inteligência, não com bombas e procedimentos torpes de controle das leis e dos legisladores. Essa mudança de paradigma é essencial.

Posto isto, os grupos desbussolados, grotecos e que caíram na escala natural em patamar abaixo dos animais irracionais, progressivamente serão dissolvidos. O acontecimento francês pode ser tão relevante para o mundo como sua revolução de 1789. As moedas sempre têm duas faces. Lamentavelmente, a do sangue ainda nos provoca uma indignação diuturna. A outra, porém, poderá ser o princípio do homem que aportou a este mundo para ser feliz, como dizem muitos pensadores, a partir de Baruch Espinoza, o mais lúcido dos filósofos.

Por Amadeu Garrido de Paula, advogado especialista em Direito Constitucional, Civil, Tributário e Coletivo do Trabalho.

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