A Rita

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Rita, sobrinha-neta de uma vizinha da minha mãe, que sempre teve um pezinho no empreendedorismo, mesmo quando não tinha esse nome, aproveitou esse período de crise de empregos, valores e salários para se lançar num mercado diferente. Pelo menos diferente pra ela.

Vendo o carinho e devoção das mães do seu bairro, no baixo da Vila Suzana, enxergou logo uma oportunidade: montar uma loja de produtos para bebês e crianças, a Amar-Elo.

Tá, a ideia não é lá tão genial assim, o nome não é dos melhores trocadilhos do mundo, mas munida de seus instintos criativos, frases feitas de Facebook e o programa da Eliana, deu um toque de marketing de dar inveja a profissionais da área: Tudo para quem tem o bebê mais lindo do mundo.

Era um slogan marcante.

Rita estava empolgada.

No dia anterior limpou as prateleiras, separou os produtos, organizou a vitrine pequena na rua do Abaeté, 245, e abriu as portas pontualmente as 8h00.

Depois de algumas horas de vazio, na loja e na alma, viu Heleninha entrando com a pequena Valentina.

Os olhos brilharam. E o futuro também.

Enquanto Heleninha verificava os produtos, fazia perguntas, trocava cores, chegou Alessandra, mãe do Bernardo.

A entrada dela na loja causou mal estar.

As duas mães se olharam com ódio.

Heleninha, que sempre foi mais espevitada (Vila Suzana toda a conhecia por isso), comentou em voz alta: “Achei que essa loja era exclusiva para a mãe do bebê mais bonito do mundo. O que essa aí tá fazendo aqui?”

Alessandra, que não era de levar desaforo pra casa, ainda mais quando envolvia o filho, respondeu na hora: “Então você tá na loja errada..”

Rita, que não gosta de confusão (mesmo achando que nenhum daqueles bebês merecia o título), tentou disfarçar dizendo que os dois bebês eram os mais lindos do mundo para suas mães, óbvio.

Mas nenhuma delas aceitou o argumento, até porque, “o mais lindo do mundo só pode ser um… se tiver dois, já não é mais o mais lindo”…

As duas se estapeavam no meio da loja, que já não era muito grande, mas ficou ainda menor.

Rita tentava separar a briga, enquanto acalmava os bebês, que agora estavam ainda mais feios.

A polícia chegou e teve que intervir com modos não muito elegantes.

Quando tudo se acalmou, a loja e as duas mães estavam desfiguradas.

Rita, sentada na frente daquela bagunça, também.

Chorando o fim do seu sonho.

 

Uma loja destruída pela força do amor de duas mães.

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