fbpx
Wednesday, August 5, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


África do Sul. Uma potência

África do Sul. Uma potência Alden e Le Pere, dois importantes analistas políticos da contemporaneidade, têm o objetivo de analisar…

By Redação , in Coluna Mundo Opinião , at 06/11/2014

luiznais

África do Sul. Uma potência

Alden e Le Pere, dois importantes analistas políticos da contemporaneidade, têm o objetivo de analisar o processo de restrição da liderança regional da África do Sul por parte de seus Estados vizinhos. Para tanto, os autores descontroem a ideia de que o hegemon é tido com grande apreço em âmbito regiuonal, pois pode vir a proporcionar desenvolvimento econômico e segurança àqueles que estão em seu entorno. Ao contrário do que sugerem Nye e Keohane nesse sentido, no caso da África do Sul os Estados regionais tendem a se contraporem ao surgimento da liderança sul-africana, e o clima é de insegurança e desconfiança.

Após o fim do Aphartaid, a África do Sul reformulou diversos mecanismos de interação comercial e política regionais no intuito de tranquilizar o ambiente e impulsionar sua ascensão como potência regional. A reformulação da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África (CDSA), que antes previa vantagens econômicas ao país, é um exemplo disso. O mesmo ocorre com União de Mercadorias do Sul da África (UMSA), onde os sul-africanos enfrentam grande resistência por conta de sua economia majoritária.

O texto, porém, trata de alguns aspectos que parecem impedir a ascensão hegemônica da África do Sul. Citam-se a ausência de poder econômico absoluto suficiente para atender a demanda regional por investimentos e desenvolvimento econômico; a deficiência na política externa, que embora tenha logrado algumas conquistas não foi suficiente para construir uma unanimidade sólida na região; e a constante tensão com as clivagens sociais criadas em âmbito doméstico, devido a corrupção e a desigualdade.

Acontecimentos posteriores a 2009, ano em que o texto foi produzido, entretanto, contribuem com alguns contornos da conjuntura atual do país. A realização da Copa do Mundo de 2010, favoreceu a legitimidade política da África do Sul na região, embora a morte de Nelson Mandela, em 2013, tenha tornado mais nebulosa a análise política de desdobramentos futuros que a política sul-africana possa ter. Este é fator de extrema relevância para a materialização de uma eventual liderança sul-africana no sul da África, pois o enfrentamento de problemas internos estão diretamente relacionados ao êxito no projeto de liderança regional.

Nesse contexto, sugere-se também que o expressivo fortalecimento econômico da Nigéria nos últimos anos coloca em xeque o avanço da África do Sul como potência exclusiva no continente, ainda que esta tenha um forte apelo mais ao sul da África. Os nigerianos acabam de ultrapassar a África do Sul em relação ao PIB, registrando US$ 509 bilhões de dólares na soma das riquezas produzidas internamente, e agora fazem parte dos chamados MINT, sigla que articula os países com grande potencial de força de trabalho. Em contraste com o desaquecimento da economia sul-africana nos últimos anos, esse dado torna-se mais importante.

Somam-se as esses aspectos, as tensões ainda existentes na CDSA, principalmente sobre os temas de segurança, de democracia e de liderança. Ora, a África do Sul depende da consolidação das instituições de democráticas não apenas internamente, mas também tem de incentivar a solidificação desta nos países de sua região para conseguir a estabilidade necessária para o desenvolvimento da região.

Embora tenha uma economia e um ambiente político de maior solidez em relação às suas contrapartes, a África do Sul tem grandes desafios a superar para ganhar legitimidade política e pujança econômica para encabeçar a liderança regional. Em nossa concepção, os grandes desafios dos sul-africanos consistem em solucionar os problemas internos: reduzir as clivagens sociais ainda existentes do Aparthaid, contrabalancear a influência de outros agentes econômicos na região e dissipar a desconfiança dos Estados vizinhos em relação à sua ascensão econômica.

_______________________________________________________________________________________________________

Luiz Renato Arietti Nais é publicitário, e bacharelando em Relações Internacionais. Amante dos livros e do conhecimento. Dois-correguense, corinthiano, mochileiro e inventor de apelidos. © São Paulo Times.

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *