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Agência da ONU busca soluções para dificuldades de refugiados em encontrar moradia

A sustentabilidade é um eixo fundamental da resposta humanitária às vítimas dos deslocamentos forçados, e as cidades são um espaço…

By Redação , in Mundo News & Trends ONU , at 11/04/2017

A sustentabilidade é um eixo fundamental da resposta humanitária às vítimas dos deslocamentos forçados, e as cidades são um espaço legítimo de proteção para estas pessoas, pois cerca de 70% dos refugiados e mais de 80% dos deslocados internos vivem em zonas urbanas ao redor do mundo.

Esta foi a principal mensagem da representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil, Isabel Marquez, durante cerimônia de abertura da Expo Arquitetura Sustentável ocorrida na semana passada, em São Paulo.

Ela ressaltou que, em suas atividades, o ACNUR busca promover a sustentabilidade, reduzir o impacto ambiental e estimular capacidades locais. Para tanto, é fundamental uma parceria estreita com o poder púbico, a iniciativa privada e a sociedade civil.

Como estratégia global de redução de impactos ambientais, muitos materiais de construção que o ACNUR utiliza para erguer abrigos de emergência no mundo incluem tijolos de barro que são fabricados localmente, feitos com matéria-prima da própria região. Além disso, técnicas inovadoras são incorporadas aos projetos. Refugiados e trabalhadores das comunidades de acolhida são empregados em ações de reflorestamento, por exemplo.

Esta foi a primeira vez que a Agência da ONU para Refugiados participou da exposição, que é uma das principais mostras de negócios do setor da construção e arquitetura sustentável no Brasil.

Ao citar exemplos de investimentos e práticas sustentáveis do ACNUR para refugiados na Tanzânia, Níger e Ucrânia, Márquez afirmou que a agência da ONU “tem uma preocupação muito grande com o impacto ambiental e a responsabilidade de transformar crises em oportunidades, para a geração de capacidade local”.

Ela citou também uma experiência inovadora do ACNUR com a Fundação IKEA, por meio da qual foi desenvolvido um abrigo móvel totalmente sustentável e adaptado às necessidades dos refugiados.

“Participar da expo foi muito importante para o ACNUR, pois é a primeira vez que falamos a um público tão grande e relacionado aos temas de moradia e abrigo”, afirmou a representante.

Durante sua palestra, Isabel informou os participantes sobre a campanha “Ninguém Fica de Fora”, lançada pelo ACNUR em 2016 para dar acesso a abrigos dignos, seguros e sustentáveis para mais de 2 milhões de pessoas até 2018.

No Brasil, o ACNUR informou ter interesse em construir parcerias com empresas que entendam a complexidade da atual crise de refugiados e queiram assumir um compromisso compartilhado em relação a esta causa.

Através de doações, marketing relacionado à causa, ações com colaboradores e consumidores, as empresas contribuem para garantir a sobrevivência dos refugiados, salvaguardar seus direitos, e encontrar soluções duradouras para suas vidas. Empresas interessadas em se tornarem parceiras do ACNUR no Brasil podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (11) 2500-5286.

“No contexto do refúgio, o abrigo significa mais que um teto. Para o refugiado, ter um abrigo e uma moradia representa segurança, dignidade e a oportunidade de recomeçar. Contamos com apoio de vocês para construir um futuro digno e seguro para milhões de famílias que foram forçadas a deixar seus lares, sonhos e aspirações”, disse Isabel, referindo-se às mais de 65,3 milhões de pessoas que estão fora dos seus locais de origem devido a guerras, conflitos e perseguições — sendo que mais de 20 milhões cruzaram uma fronteira internacional em busca de proteção e foram reconhecidas como refugiadas.

Em sua apresentação, Isabel reforçou a mensagem global do ACNUR de que, diante da atual crise sem precedentes, são necessárias respostas também sem precedentes. “Por isso, precisamos da maior participação de pessoas, governos e empresas para a formulação de respostas à altura das demandas existentes”.

A representante do ACNUR ressaltou que há desafios de habitação para os refugiados no mundo, inclusive no Brasil. “Aqui no Brasil, muitos refugiados acabam pagando aluguéis muito altos porque não conhecem bem as regiões e a cultura local, não conseguem atender todas as exigências das imobiliárias e sofrem preconceito”, disse Isabel.

Ela ressaltou que a moradia é uma das principais preocupações de refugiados, demonstradas em diversas avaliações e eventos dos quais participam. Globalmente, o ACNUR provê subsídios financeiros para contribuir com o pagamento de aluguel ou despesas domésticas de famílias que hospedam refugiados em suas casas.

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