fbpx
Friday, July 3, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


Após ataque com explosivos na Síria, menino de 5 anos foge para Grécia e recebe tratamento médico

Falak Kourini perdeu o marido e um filho na Síria. Agora, depois de passar por Lesbos e chegar ao território…

By Redação , in Mundo News & Trends ONU , at 03/03/2017 Tags:

Falak Kourini perdeu o marido e um filho na Síria. Agora, depois de passar por Lesbos e chegar ao território continental da Grécia, ela finalmente conseguiu procurar — e encontrar — tratamento médico para o mais novo de seus dois filhos sobreviventes. O caçula ficou gravemente ferido após um ataque com morteiros.

“Os médicos me disseram que é melhor no continente porque meu filho vai precisar de mais ajuda médica”, explicou Falak, de 40 anos, que foi transferida com os rapazes para um abrigo governamental na cidade grega de Larissa.

Falak e sua família estão entre os milhares de solicitantes de refúgio que, com a ajuda da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), se mudaram das ilhas do Mar Egeu para o continente, onde há melhores acomodações e instalações disponíveis. Desde junho de 2016, o organismo internacional apoiou a transferência de 5.556 pessoas para abrigos do governo e alojamentos do próprio ACNUR.

A prioridade tem sido dada para casos de pessoas mais vulneráveis, como Falak, que fugiu de sua casa em Idlib, na Síria, em agosto de 2016 com os filhos Morad, de cinco anos, e Samir, de 14. Ela queria ter deixado a região devastada pela guerra antes, mas estava esperando por notícias de seu marido desaparecido.

Não é por mim
que eu viajo.
Eu viajo
pelos meus filhos,
para lhes
dar uma vida.

Quanto um míssil atingiu sua casa, causando a morte de um dos filhos e deixando o mais novo severamente ferido, a síria sabia que tinha de deixar o país.

“Todos os dias eu olhava para os rostos dos meus filhos e eles estavam assustados, com medo das bombas. Mesmo agora, cada vez que ouvimos sons parecidos com o de um avião ou de bombas, eles ficam muito assustados. Foi difícil, mas eu sabia que tinha que deixar a Síria ou morrer tentando. Eu faria qualquer coisa por meus filhos, para encontrar uma vida melhor para eles”, conta Falak.

Após o ataque a bomba, Morad passou por um operação médica que lhe salvou uma das pernas. Os clínicos, porém, sabiam que o menino precisava de cuidados que a família não encontraria na Síria. Apenas dez dias após a cirurgia, Falak e as crianças cruzaram a fronteira entre o país e a Turquia a pé. A mãe dos meninos pagou um desconhecido para carregar o caçula, que não podia andar.

Morad (à direita) é o caçula da família. Na foto, ele brinca com o irmão Samir, de 14 anos. Foto: ACNUR/Achilleas Zavallis

Morad (à direita) é o caçula da família. Na foto, ele brinca com o irmão Samir, de 14 anos. Foto: ACNUR/Achilleas Zavallis

A viagem atravessou as montanhas entre as duas nações e, durante o trajeto, a família ficou sob o fogo de guardas da fronteira.

Quando chegaram à costa ocidental da Turquia, a saúde de Morad piorou. Sem acesso a medicamentos pós-operatórios, sua perna esquerda havia ficado perigosamente inflamada.

Desesperada para encontrar atendimento médico para o filho, Falak pagou contrabandistas para levar sua família até as águas gregas. Depois de uma hora passada no oceano, em uma frágil embarcação, eles foram resgatados pela guarda costeira da Grécia que, após avaliar brevemente Morad, mandou-o direto para um hospital em Lesbos.

Falak e os filhos passaram as três semanas seguintes em instalações mantidas pelo município de Kara Tepe, antes que o ACNUR encontrasse espaço em um apartamento próximo, administrado pelo parceiro local Iliaktida. Lá, Morad começou uma recuperação notável. Quatro meses mais tarde e depois de passar por outra operação, ele agora está correndo como qualquer outro menino de sua idade.

Mas os médicos disseram que ele precisará de tratamento adicional no continente. Morad foi encaminhado a uma unidade especializada em ossos em Atenas, que fica a uma viagem de quatro horas de carro do novo alojamento da família, em Larissa.

“Claro que estamos muito mais felizes aqui, agora que estamos seguros. Mas qualquer um sentiria medo se não soubesse o que vem pela frente. Eu tenho dois filhos e um deles está doente, é normal se preocupar. Sozinho, é muito difícil decidir o que fazer”, comenta a refugiada.

“Quando perdi meu filho, tive muito medo pelos outros. Não é por mim que eu viajo. Eu viajo pelos meus filhos, para lhes dar uma vida”, completa.

Foto Capa: ACNU/Achilleas Zavallis

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *