Astrônomos encontram oito novas candidatas a galáxias anãs no céu do Hemisfério Sul

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galaxyAstrônomos de dois times independentes (um do levantamento Dark Energy Survey – DES – e outro da Universidade de Cambridge) anunciaram a descoberta de oito novos sistemas estelares satélites da nossa galáxia, a Via Láctea. Esses objetos são todos constituídos por estrelas velhas e pobres em elementos químicos pesados, o que é típico das estrelas situadas no halo estelar, o componente mais externo da Via Láctea. Os satélites recém-descobertos variam em tamanho e distância, mas a maioria deles tem propriedades mais parecidas com as de uma galáxia anã do que com um aglomerado estelar. A serem confirmadas como galáxias anãs, essa descoberta aumenta em 1/3 o número desses objetos conhecidos que orbitam em torno da Via Láctea.

Os responsáveis pela descoberta participam do projeto internacional DES (http://www.darkenergysurvey.org/ ). O DES é um levantamento profundo de uma ampla região do Hemisfério Sul com duração prevista de cinco anos e que envolve mais de 300 participantes de dezenas de instituições de vários países, incluindo o Brasil. A descoberta anunciada foi baseada nos dados do primeiro ano do DES. A análise dos dados foi liderada pelos astrônomos norte-americanos Alex Drlica-Wagner e Keith Bechtol, mas o grupo brasileiro no DES, o DES-Brazil, também participou ativamente dessa descoberta. O grupo de trabalho internacional do DES que lida com a Via Láctea, o DES-MW, é coordenado pelo pesquisador da UFRGS e membro do DES-Brazil, Basílio Santiago, sendo que sua equipe de colaboradores esteve entre os primeiros a identificar os novos objetos.

Basílio comenta que “a importância da descoberta está não apenas no aumento do censo de satélites da Galáxia, mas também no fato de que as propriedades deste sistema de satélites permitem testar os modelos de formação de estruturas cósmicas”. O modelo mais aceito atualmente é de um Universo formado por energia escura – um componente misterioso que faz com que ele se expanda de forma acelerada – e por matéria escura, um tipo diferente da matéria que conhecemos. Esta última eria constituída por prótons, nêutrons e elétrons que se agrupam nos elementos da tabela periódica. As simulações de galáxias como a nossa usando este modelo parecem prever um número acentuadamente maior de satélites do que o observado, daí a necessidade de se ter um censo o mais completo possível para avaliar se o modelo precisa ser revisto.

Outro aspecto importante é o de que as galáxias anãs do halo galáctico são justamente os objetos mais ricos em matéria escura. Seu estudo detalhado, correlacionando esses objetos com mapas de emissão de raios gama, por exemplo, nos permite conhecer melhor a natureza da partícula de matéria escura que parece dominar a gravidade dentro da Galáxia e distribuída em todo o Universo. Os raios gama podem ser resultantes de eventos de aniquilação dessas partículas, sendo que a quantidade de eventos de aniquilação depende das propriedades da partícula, entre elas a sua massa. A análise dos mapas de raios gama na direção desses novos satélites está sendo apresentada em outro artigo científico, resultado de observações com a colaboração do “Large Area Telescope” (Telescópio de Grande Área, LAT). Até o momento não foram encontrados excessos significativos de raios-gama para os objetos recém-descobertos. Estes resultados demonstram que descobertas em telescópios ópticos podem ser traduzidas em testes de física fundamental.

A identificação de parte dos objetos foi feita usando ferramentas desenvolvidas pelo DES-Brazil disponíveis em um portal científico, acessível via web para a colaboração. A participação brasileira no DES é gerenciada pelo Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA, www.linea.gov.br), cuja responsabilidade é justamente a de promover a participação de pesquisadores brasileiros em grandes projetos internacionais envolvendo uso intensivo de tecnologia da informação. Luiz Nicolaci, pesquisador do Observatório Nacional e coordenador do LIneA, menciona que “os investimentos financeiros feitos pelo LIneA estão trazendo ótimos dividendos em termos de resultados científicos, permitindo, inclusive, a participação de jovens estudantes em descobertas relevantes na astronomia, e o contacto com colaboradores internacionais de instituições de primeira linha.”

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