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Attenti al cane

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Era o que dizia o aviso no portão de uma casa que eu e Beatriz vimos na Itália. Do lado de dentro, um cachorro que fácil, fácil, caberia no meu bolso. Não impunha respeito algum. Claro que o pateta aqui zombou do aviso e fez gracinha em frente ao portão. Até surgir um pastor que num pulo quase leva portão, gracinha e casal brazuca no peito.

Na França (vejam que hoje estou todo internacional), andando pelo corredor de um hotel, havia uma placa ao lado do extintor de incêndio: R.I.A. Não sei o que significa e estou com preguiça de procurar no Google. Sei que obedecemos: o aviso mandava rir e caímos na gargalhada. Vejam que patetice não tem fronteiras.

Sou só eu que morre de vergonha daquela advertência em todo prédio: “Antes de entrar no elevador, certifique-se de que o mesmo está parado nesse andar”? Primeiro, pelo tom meio cafona da frase. Depois, do surrealismo da coisa. Imagino o cidadão abrindo a porta, prestes a cair no poço, mas eis que na última hora lembra-se de ler o aviso e é salvo!

No prefácio do seu livro, Marina Moraes mostrou uma placa que leu num bar em Minas Gerais: “Não nos responsabilizamos por nada.” Minas, sempre a postos para salvar o Brasil.

Na sorveteria do bairro, está escrito: “Frutas de verdade não têm o mesmo gosto, e essa é a graça.”

Muito da bagunça que atravessa o país se deve ao fato de terem retirado dos ônibus aquela placa de “É proibido conversar com o motorista”. Daí o pessoal começou a se remoer, a falar sozinho, ouvir fantasmas interiores, implicar com o som do sapato do vizinho de cima e deu no que deu.

O auge da pertinência está naquelas 287 mil placas que, num exemplo do bom uso do dinheiro público, colocaram em cada esquina da cidade, acima do sinal de pedetres, dizendo: “Só atravesse no verde.” Sempre bom lembrar.

Toda vez que Beatriz me vê olhando para os lados, escarafunchando os acontecimentos, procurando assunto, ela diz: “Attenti al cane”.

Então, esperemos para ver no que dá o andar velhaco do gato em cima do muro. O que aquela nuvem vai aprontar. O fuá que a casa de abelha no oco da árvore causa toda vez que alguém joga cigarro lá dentro. O vento que levanta a saia sem julgar a formosura das pernas. O sujeito regando o jardim, sem perceber o senhorzinho que, escondido pelo muro, se aproxima do jato de água. O poodle que passeia, vestindo sapatos de crochê. O caso de amor entre a moça da Zona Azul e o dono da lavanderia.

É. Os assuntos chegam sem aviso.

Attenti al cane.

 

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