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Cultura e Desenvolvimento: apontamentos para a discussão

em Brasil/Coluna/Cultura e Entretenimento/Educação e Comportamento/Ghost Writer/News & Trends/São Paulo por

Cultura e Desenvolvimento: apontamentos para a discussão

Marcelo Leandro Adifa

Passadas as eleições municipais, temos condições de fazer uma leitura quanto à compreensão dos governantes eleitos nas principais cidades do Brasil em relação ao desenvolvimento cultural e dos programas para o segmento em seus municípios. Excetuando Sorocaba, Curitiba e São Paulo, os prefeitos eleitos nas grandes cidades pouco ou nada apresentaram de novidades. Erro comum é pensar a cultura desconectada das demais pastas, ou meramente como elemento recreativo ou de entretenimento. Acerta quem visualiza a cultura como um retrato fiel do estrato a ser comandando; síntese de uma determinada parcela da população e aglutinadora dos seus sinais e manifestações mais evidentes. Como expressão artística sim, mas também social de um povo e elemento componente da alma de suas cidades. Para tanto é preciso romper com as amarras do baixo investimento e da mítica de ser sempre o primeiro setor afetado pela tesoura cruel que vem atrelada ao orçamento. Cultura é investimento, não gasto sem retorno.

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Na esquina da Penha

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Cigarro aceso, aquela tragada sem pressa, olhando o mundo à volta, buscando no passar das poucas pessoas um incentivo para continuar ali, parada, prostrada como a permitir o tempo correr, na perspectiva que seus próprios ponteiros deixem-na partir. Está velha, nem sabe por que continua na vida, e não acha isso em sentido figurado não, já até pensou em desistir e se atirar da ponte da rua Quinze. Faz, como a brincar, círculos de fumaça e despeja seu riso solto e desdentado pelas vielas do centro. Fuma um atrás do outro, os cigarros a consomem. Vai, naquele andar sem mexer-se, tropeçando em fantasmas e lembranças.

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Berliner Mauer

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Como caído? As pessoas passam e gritam apontando um ponto qualquer, logo à frente, engolido pela escuridão da noite. Um velho, mais de oitenta anos, tenta me puxar pela camisa. Outros tantos o seguem – o êxtase.

Um mundo reduzido ao pó dos dias, mãos e pás, picaretas afoitas disputando pedaços. O que se fez de pé a partir de uma madrugada agora jaz estatelado igualmente em poucas horas. Os da frente batendo com fúria. Não desviasse dos golpes teria metal dentro das costas; as carnes dilaceradas pelos instrumentos movimentados violentamente.

Abrindo espaço ao meu lado, dois garotos que se empurram – e me ignoram- disputando a face de pedra onde pousar seus murros. As mãos não chegavam tão longe, aproveitam, testam e depois atacam. Aproveitar o agora, o depois é distante e incerto.

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Aquele que ninguém lê…

em Ghost Writer por

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Quase em festa comemoro quando sai alguma nota, rodapé que seja, dos meus livros e poemas. Já cheguei a bater – porta em vez- de cada jornal brasileiro oferecendo colaborações e colunas. Monto um álbum de publicações como prova de que existo. Preciso olhar ali e saber que é de mim que falam. Paranoia de artista sem público. Formo o picadeiro, mas entro em cena sozinho; palhaço triste e arredio que não vende ingresso nem para a família.

Tenho o meu nome estampado em matérias que ninguém lê, a editoria cultural geralmente é menos disputada que obituário. Mais barata, inclusive. Anunciar um defunto é mais caro e respeitado que um livro. Alimento pra terra é mais valorizado que aquilo que enobrece o espírito. País do inverso e do perverso desejo de sermos alguma coisa além de letras soltas em livros, revistas e folhas mortais de jornais que servirão para embrulhar um peixe ou o azedume de uma fruta em fim de feira.

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