Bolívia quer energia nuclear, mas o Brasil e outros países latino-americanos estão abandonando seus projetos

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Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, saudou o ano novo com um anúncio pronunciado pelo seu presidente Evo Morales: a Bolívia está pronta para desenvolver energia nuclear. Morales assegurou que o país tem as matérias-primas necessárias para o desenvolvimento ser bem sucedido, e disse que a energia nuclear é uma “certeza para cada boliviano”.

“A energia nuclear não é um privilégio para os países desenvolvidos, e outros têm que ser privado dela”, disse ele, acrescentando que a Bolívia não é um país perigoso e a energia nuclear seria usada para “fins pacíficos”.

Morales fez questão de dizer que vai demorar algum tempo para desenvolver a tecnologia necessária, e que países como França e Argentina podem ajudar. “É hora de fazer a Bolívia ser a última linha em desenvolvimento da América Latina”, disse ele .

A história da América Latina com a energia nuclear não é muito promissora. No entanto, Morales está entusiasmado com a tecnologia. Três países da região – México, Brasil e Argentina – já usaram a energia nuclear, sob o Tratado de Tlateloco de 1967, que proíbe as armas nucleares e uso da energia nuclear para a guerra. Outros países, como Chile e Cuba, já manifestaram interesse em desenvolver a energia nuclear.

Existem países latino-americanos que não são bem sucedidos com a energia nuclear por várias razões:

Brasil: Menos Nuclear, mais vento.

O Brasil começou a construir sua terceira usina nuclear, quando o desastre da usina de Fukushima fez com que todos questionassem a segurança da energia nuclear.

O projeto foi colocado em espera, até por que seriam construídas mais quatro em 2030. A partir de setembro de 2013, esses planos foram interrompidos sem data prevista para recomeçar. Mauricio Tolmasquim, chefe da EPE estatal ou Empresa de Pesquisa Energética, “As usinas não são uma prioridade para nós neste momento” disse à Reuters.

A Energia nuclear no Brasil – o país possui duas usinas trabalhando no estado do Rio de Janeiro – responsável por 1 por cento da geração de eletricidade. Isso é aproximadamente o mesmo que a participação da energia eólica.”Este é o momento da energia eólica”, disse Tolmasquim .

Cuba: Sonho nuclear interrompido.

O sonho de Cuba pela energia nuclear foi suspensa, como são a maioria das coisas em Cuba, por razões políticas. A construção da primeira usina nuclear do país começou em 1976 , como um projeto conjunto entre Cuba e URSS.

Os dois primeiros reatores nucleares foram construídos em 1983, em Juraqua, para ser inaugurado em 1993. No entanto, o colapso da União Soviética parou o fluxo de fundos soviéticos cruciais; 300 técnicos russos foram enviados para casa, e Cuba foi forçada a abandonar o projeto.

O projeto ficou no limbo até 2000, quando o presidente russo, Vladimir Putin, em visita oficial à Cuba, ofereceu então ao presidente Fidel Castro uma quantia de $800 milhões. Mas Castro recusou, por razões desconhecidas.

A fábrica abandonada fica na costa do Caribe, e o acesso não é permitido a estrangeiros.

México: Gás natural

Muito parecido com o Brasil, o México em 2011 decidiu parar a construção de 10 novas usinas nucleares em favor do gás natural, quando foram descobertos vários depósitos de combustível.

O governo decidiu aumentar o investimento do novo combustível, bem como em reservas de petróleo administrados pela estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), que será aberto ao investimento privado em março. O país estava considerando a energia nuclear como parte dos planos para aumentar a capacidade de geração de 75 por cento para 86 gigawatts no prazo de 15 anos, passando dos atuais 50 gigawatts. Ele agora prefere gás por razões de custo, de acordo com o ministro da Energia, Jordy Herrera.

“Enquanto não encontrar um modelo para tornar a energia renovável mais rentável, o gás é mais conveniente, disse ele .

O México ainda tem reatores nucleares, que produzem cerca de 4 por cento de sua energia.

(c)2013, IBTimes.

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