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Coluna

Claro que a gente pode ir morar no Exterior, amor, mas

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Nesse caso, quem vai colher pitanga no quintal – vai ficar tudo para os tico-ticos e sanhaços? Quem é que vai secar o Corinthians? Onde mais ver casas com parede cor de rosa, terraço amarelo e janela verde, de onde uma senhora com cabelo roxinho fica espiando? Como viver sem Yakult e os lactobacilos vivos? Como resolver a fome atrevida que não respeita horário nem continente, se nas esquinas de lá não tem padaria nem pão na chapa nem broa nem média nem pão de queijo com café de coador, e como é que se vive sem pão de queijo, meu amor?

Dá pra viver sem assistir a uma pelada na praia em que o goleiro foi dar um mergulho e deixou o gol vazio e ninguém chuta no gol enquanto ele não volta, porque há limites para a falta de esportividade?

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A festa de 15 anos

em Monocotidiano/News & Trends por

Monique, que não era boba, mas sabia muito bem fingir quando interessava, entrou na loja logo atrás de sua mãe.

A vendedora, que também não era boba, mas sabia muito bem fingir quando convinha, logo se aproximou com aquele charme peculiar que toda vendedora em fim de mês tem quando quer bater sua meta.

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Crônica boa é no Rio

em Cássio Zanatta/News & Trends por

 Todo mundo conhece um carioca bairrista. Certo, eles já foram em maior número, hoje a coisa anda meio contida, talvez pelo tanto que a cidade anda judiando de sua gente. Quando eu era garoto, a coisa era feia. Não só para eles o Rio de Janeiro era o melhor lugar do mundo (e era quase verdade), como São Paulo era o que havia de ruim e sem graça (e isso não era não).

Para os cariocas da gema fechada numa casca dura de fanatismo, chopp bom era no Rio, vista bonita era no Rio, time bom, idem. Mulher bonita era a carioca, o resto, tudo canhão. Músico, escritor, artista, para ser grande tinha que acontecer por lá. Não adiantava vir com Bandeira, Drummond, Rosa, Graciliano, Jorge Amado, Caymmi, Elis, Adoniran, Lupicinio, Guiomar Novaes, Pelé, Rivelino, Tostão, Portinari, Tarsila, Anita, Carybé: se não fosse carioca ou naturalizado, não prestava.

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A menina comum

em Monocotidiano/News & Trends por

A ideia da Tia Luísa era boa. A brincadeira era simples: cada grupo de crianças deveria escolher uma palavra, ir até a frente da sala e pronunciar a palavra sem emitir som, apenas mexendo a boca.

Aos outros grupos cabia a tarefa de descobrir a palavra escolhida.

Diversão garantida, lá foram os meninos para um lado, as meninas para outro, e as escolhas começaram.

Verdadeiros dicionários mentais sendo revirados na busca da palavra mais dificilmente compreensível.

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Madrugada

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Claro que o vizinho foi ao banheiro. Você pode estar dormindo em um loft em São Francisco, numa espelunca no Irajá, na suite real do Negresco em Nice ou na casa da madrinha Rosa em São José, que o vizinho irá ao banheiro.

Particularmente de madrugada, o vizinho sempre vai ao banheiro – uma, duas, três vezes. Como se, horas antes, tivesse encarado seis xícaras de chá de hortelã ou quinze rodadas de chopp, o que mexe um pouco com seu equilíbrio, já que no caminho o vizinho chuta cadeiras, que arrastam no assoalho, e ainda derruba vasos da dinastia Richter.

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Assim, de repente

em Cássio Zanatta/News & Trends por

De uma hora pra outra, me vi emocionado numa queima de fogos. Disfarcei um choro sentido e sem sentido, particularmente quando explodia algo azul. Foi pouco depois de perceber que agora ficaria meio ridículo fazer tatuagem.

Comecei então a ter de fazer conta para lembrar a idade. A me atrapalhar para pagar uma conta pelo celular, como meus pais se atrapalhavam com o controle remoto da televisão. Cada vez mais inconformado com o sumiço dos coletes.

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Tudo o que aconteceu

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Então direi a vocês o que vou fazer. Vou me sentar neste banco de uma rua em São Paulo, às 16 horas e 11 minutos de uma quarta-feira, 7 de março de 2018, bloquinho em punho. Pela próxima meia hora, vou anotar tudo o que acontecer em volta. Sem inventar lhufas. Se não houver nada, se for de uma sem-gracice sem fim, a culpa não é minha, apenas vou registrar os fatos. Começando agora.

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O sumiço dos telhados

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Erguem um prédio aqui, outro mais adiante e quando a gente vê, a quadra virou que é só prédio. Ou edifício, que parecer ser mais chique, ainda mais precedendo algum nome bacana como Avignon, Positano Palace ou Golden Garden (ai como somos jecas).

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Que maçada

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Não sei se na sua família havia o “que maçada”. Na minha, ô se tinha.

Geralmente, acompanhado de um balançar de cabeça ou de um leve muxoxo nos lábios. E era coisa de tia falar, muito raro que fosse um homem, maçada era palavra tão feminina que só aceitou “a” de vogal.

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