-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-

Category archive

Poética Urbana

A poesia de Carvalho Junior

em Poética Urbana por

*Rua Teixeira Mendes*

sim, eu sinto
que passaram a navalha
na memória da cidade,
mas ao passar, hoje,
pela rua Teixeira Mendes,
o cheiro de um bigode
de quase cento e sessenta anos
percorreu-me as narinas.

*Mapa da leveza*

como se penteassem
as ondas de energias
líquido-líricas da manhã,
leve fluem os fios d’água
[[[do riacho]]]
entre os mapas
dos teus cabelos.

Continue lendo

De Todas Marias (Marcelo Adifa)

em Poética Urbana por

De todas Marias

De todas Marias,
mulheres de bem
Jovens senhoras
idade de alguém

De todas Marias,
mais vale além
Da mulher que são
o que podem querer

Se bates à porta;
Maria, alguém
Há de dar água
e um pouco o comer

Se bates à sola,
Maria, o seu pouso
Será por certeza
uma cama qualquer

Continue lendo

Poesias para sexta-feira

em News & Trends/Poética Urbana por

“Das virtudes do teu corpo
Do assombro em tê-la pele
Tela que chama descoberta
Em mãos e boca no perder-se
Em horas

Das formas o contorno, da carne
O gosto, a explosão aos lábios
De tudo o que é memória
O mais presente é a tua voz

Ei-la, sussurrar da natureza humana
Vento de fada sem asas – ou roupas-
Canto de sereia, ei-la;
A voz, o chamar de tua boca
Som, do universo
o cio”

Marcelo Adifa

Continue lendo

Nó Borromeu

em Poética Urbana por

NÓ BORROMEU
(Rogério Duran)

– Sim, eu ouvi!
Não sou surdo,
por mais que possa lhe parecer absurdo!
Não sei se entendi;
era mais certo que sim.
Mas vi pouco a dar em seu olhar
e muito a jogar.
Então passei a vez.
Tinha mais o que fazer.
Olhava seus dedos finos no ar
(delicadeza prometida)
apontando detalhes em Almodóvar.
Minha pele estava fria;
eu pensava em carícias…
Rancière, Mallarmé,

Continue lendo

Poemas de Garcia Lorca

em Poética Urbana por

AR DE NOTURNO

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!

Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.

Continue lendo

Poesias para sexta-feira

em Poética Urbana por

Consolo
[Norma de Souza Lopes]

a primavera está lá fora
enlouquecida
juntando as folhas

quer pintar
um milagre na parede da sala

agora entendo
a primavera retorna
mesmo depois que eu partir

caiu uma nódoa da vida
na barra do vestido do poema

Insignificante
[Norma de Souza Lopes]

este poema tem um destinatário
no máximo dois ou três
é um poema portátil
erétil, volátil
destinado a pairar
entre os falantes da língua perdida
inaudível como voz de um velho cassete

ele não é nenhuma façanha poética
críticos poderiam dizer
que seus versos assim dispostos
serviriam a centenas de poemas
um poema não-convencional
imperdoável por sua falta de métrica e rima

exposto às intempéries
este poema poderia ceder
como uma corda estendida
não guarda mistérios dolorosos
envolvendo o sexo dos anjos
cada verso destina-se
a ocupar as cavidade entre as vértebras

sinta-o como um último clamor
perdoe seu excesso de diligência
à convocação para tornar-se humano
não incendeie a casa ainda
cuide dos homens da calçada fria
nunca pergunte onde deus está
não afaste seus pés da linha da fronteira
ignore o vício de achar sentido em tudo

Borboleta amarela
[Norma de Souza Lopes]

uma borboleta amarela lança-se sobre uma pedra
borboletas amarelas vivem apenas um dia

dentro das asas amarelas da borboleta
encontraram pedras

vinte anos é o tempo que demora
para uma borboleta amarela
virar pedra

borboletas amarelas prestam-se bem à fotografia
perto do fim

publicado em Entre Lagartos e Borboletas coletanea

Não é um poema de amor
[Norma de Souza Lopes]

quantos corpos ainda precisará
percorrer com teu braile sereno
para compreender que
ao final estará ainda mais só
na escuridão rubra de suas
pálpebras cerradas?

teu olhar solene me ofende
e a sombra de teu abraço
paira sobre mim como cicatriz

tivesse você alguma reverência
eu invocava o código de hamurabi
a fim de que me restituísse
o amor que te dedico

Poesias para sexta-feira

em Coluna/Poética Urbana por

FUNILARIA NO AR (I)

Funilaria
facada que vai ao centro,
súbita falta de língua
no pensamento.

Esta vontade de chover
pássaros onde o céu
é mais escasso, e a mão
não escolhe
é mão para escrever
mão para cumprimentar.

Funilaria: a lei
que manda afixar o olho
dentro da saliva de alguns séculos.

Funilaria de tambores.

Só eu, vacinado,
crismado, lido, treslido,
escondo-me do diabo,
rezo a Deus pelos pobrezinhos.

Há alguns anos tenho fome.
Fome que varou
a vaca, a siderurgia,
as debêntures.

Na calha
de minha loucura
sou o único a ter fome.

Parece que içaram
o verde na procissão
dos automóveis.

Continue lendo

Poesias para sexta-feira

em Poética Urbana por

A TESSITURA DAS NINFAS / O CANTO DA PELE
(Nathan Sousa)

é cinestésica a flora da fêmea.
modelada e híbrida é sua pele;
sua casta de cores e afetações;
o primer adequado ao ânimo
esquecido de tutankamon.

e elástico é seu riso ante a
velhice do crepúsculo.
seu torso longilíneo (aos
poucos) curva-se e geme
e ringe em sua cordilheira
de ossos
.
mas há nova roupagem em
sua linha de produção
(o couro trabalha sem parar):
novelo que persevera e se regenera
como se um disparo de cardumes
modelasse o tecido das águas
entre o atlântico e as bordas
da pangea.

até que as agulhas (em silêncio)
confabulam sobre a película
última da aurora, numa desfaçatez
típica de quem cala

e devora.

Continue lendo

Voltar p/ Capa