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News & Trends - page 209

Onde estão os protestantes da Igreja de Lutero?

em Educação e Comportamento/News & Trends/Opinião por

O pastor Johannes Block pode se considerar o sucessor de Martinho Lutero. Ele é o vigário da própria igreja de Lutero (St. Marien zu Wittenberg). A igreja é a Basílica de São Pedro do protestantismo.

Nela, Lutero pregou seus sermões incendiários contra a corrupção do Vaticano, que levou a Reforma e a ascensão do movimento protestante. É onde os primeiros pastores protestantes foram ordenados.

Mas em um domingo típico, Block vê entre 50 e 100 pessoas nos bancos: um pequeno número em uma cidade de 135 mil habitantes. Na verdade, em nenhum lugar na Alemanha a participação dos protestantes é mais baixa do que na terra natal de Lutero.

De acordo com Detlef Pollack, professor de sociologia religiosa na Universidade de Münster, 4 por cento dos alemães do leste protestantes frequenta regularmente a igreja atualmente, em comparação com 10 a 15 por cento em 1950.

No estado vizinho chamado Turíngia, a outra parte principal do “país de Lutero”, o número é de 23,6 por cento. Em um estado ocidental como Rheinland-Pfalz, por outro lado, 30,5 por cento da população é protestante, enquanto 44,5 por cento é católica.

“As pessoas achavam que a igreja iria crescer após o fim do comunismo, mas não aconteceu”, disse Block. 4.600 pessoas residentes da Turíngia e Saxônia- Anhalt cancelam sua filiação com a igreja a cada ano, enquanto 13 mil morrem. As mil pessoas que se tornam membros a cada ano não podem compensar.

[blocktext align=”right”]”Na República Democrática Alemã era difícil os pastores serem aceitos na sociedade”, disse Diethard Kamm, um pastor veterano que atua como bispo assistente encarregado da área.[/blocktext]

“Pertencer à igreja significava tomar uma posição para dizer: ‘Isto é o que eu acredito e eu assumo as consequências. Hoje as pessoas pensam: ‘eu sou senhor da minha própria vida, por que eu preciso da igreja? ’Mas em tempos de crise, por exemplo, quando a guerra do Iraque começou, as nossas igrejas se encheram de novo”, completa o pastor Diethard.

Como uma adolescente no final de 1980, Jana Fenn participou de um grupo de jovens cristãos em Jena, na Alemanha Oriental, pois “você poderia dizer coisas lá que não podia na escola, e você aprende coisas lá que não aprende na escola”.

Mas um dia, Fenn disse, seu professor queria conversar: “Ele perguntou: ‘O que você faz as sextas à noite?’ Eu disse que ia para o grupo de jovens cristãos. Então ele perguntou quem mais ia comigo e o que fazíamos”.

Mas hoje Fenn já não pertence mais a igreja. “Eu vou aos cultos de vez em quando, mas a igreja não tem um papel importante na minha vida”, diz Fenn. “Hoje já não significa mais nada pra mim. Eu poderia muito bem me juntar ao Greenpeace”.

Pollack acrescenta que “diferentemente dos protestantes, os católicos criticam sua igreja mais vocalmente, embora também sintam uma ligação muito forte. A igreja protestante é vista mais como uma instituição que constrói creches e oferece serviços sociais”.

Quem poderia criticar tais valores benignos? Esse é exatamente o problema dos luteranos. “As pessoas não sabem exatamente o que a igreja representa. Estão tendo dificuldade em se diferenciar de outras organizações da sociedade civil, a partir de sindicatos ou partidos políticos, diz Pollack.”

Como aumentar uma igreja que está cada vez menor, é outra questão. Ilse Junkermann, a bispa encarregada da Turíngia e Saxônia- Anhalt, vê grande potencial na música da igreja: “Metade dos membros em nossos coros não é membro da igreja” Ilse observa. “A música de Bach, por exemplo, é como um curso na fé cristã. Estar em um coro dá-lhe um pertencimento à comunidade”.

Enquanto o Papa Francis está desfrutando de popularidade global, pastores como Diethard Kamm continuam o seu trabalho pesado. Apesar das dificuldades, Kamm diz que ainda ama seu trabalho.

Se ele conheceu o Pai da Reforma hoje, o pastor comenta que diria que não concorda com algumas das coisas que Lutero escreveu, sua opinião sobre os judeus. Mas o agradeceria pela Reforma.

© 2014, Newsweek

Onda de protestos gera prisões em diferentes partes da Rússia

em Mundo/News & Trends por

Em fevereiro deste ano, oito pessoas foram condenadas em um tribunal de Moscou e vão cumprir entre dois anos a quatro anos de prisão. Eles são o primeiro dos dois grupos a ser setenciados no maior julgamento político russo do último meio século. Todos eram acusados de atacar policiais durante uma marcha em 6 de maio de 2012. Os acusados ​​parecem ter sido escolhidos quase aleatoriamente para dissuadir as pessoas do protesto.

A Revolução de neve (Snow Revolution, em inglês) começou em dezembro de 2011, quando milhares de pessoas foram às ruas de Moscou e outras cidades russas para protestar contra eleições fraudulentas e a presidência aparentemente interminável de Vladimir Putin. Tanto os organizadores quanto a polícia temiam a violência. Os ativistas e policiais rapidamente aprenderam a cooperar, negociando a colocação de barreiras e detectores de metal temporários.

Em 6 de maio, véspera da posse de Putin, as pessoas se reuniram lentamente. Muitos vieram com as crianças, por isso, se alguém olhasse para além da coluna dos manifestantes que lideraram o caminho, a reunião parecia um vagaroso passeio de família em fim de semana.

Para um recém-chegado, a configuração pode ter parecido estranha: o protesto aconteceu em uma área isolada e não podia haver espectadores casuais, exceto os moradores dos prédios no caminho da marcha. Ninguém que não participasse do protesto jamais iria ouvir a mensagem do grupo. A polícia permitiu que o protesto fosse realizado dentro de uma rota exata, com tempo e até mesmo número de participantes pré-definidos. Desta forma, ninguém seria preso ou espancado.

No início nada aconteceu. Durante quase uma hora, algumas pessoas ficaram sentadas na calçada. Então, muitas coisas começaram a acontecer rapidamente. Alguns manifestantes quebraram o cordão de isolamento em um ponto. A polícia, então, se adentrou no meio da multidão. Um coquetel molotov foi jogado e chegou a queimar as roupas de um manifestante. O fogo foi apagado e bombas de fumaça foram lançadas. Os policiais prenderam muitas pessoas escolhendo os homens para fora da multidão. Uma série de pequenos tumultos foi tomando grandes proporções. O palco tinha sido destruído assim como todos os equipamentos de som.

A repressão russa havia começado. Dentro de semanas, novas leis severas restringiram o direito de reuniões públicas, instituindo multas de até 580 dólares. Foi então que as prisões começaram.

Nos últimos 11 meses, as pessoas condenadas passaram quase todos os dias úteis no tribunal. Uma longa fila de policiais testemunhou como vítimas ou testemunhas. O que se tornou confuso quando cada um deles contou sua versão, deixando de identificar o réu ou responder às perguntas mais simples, como por que a testemunha alega ter sido atacada por um réu durante a tentativa de prendê-lo, sendo que havia um vídeo mostrando um dos réus sendo detido por outra pessoa.

“No começo eu pensei que este caso todo era algum tipo de mal-entendido”, disse Dukhanina, uma estudante universitária de 18 anos, em sua declaração final. “Mas agora que eu tenho ouvido discursos de acusação, percebi que eles estão tomando sua vingança sobre nós. Eles estão nos punindo por ter estado lá e ter visto o que realmente aconteceu. Os policiais estão nos punindo por não ceder e nos declararmos culpados de crimes que não cometemos”, finaliza Dukhanina, que também é ativista ambiental.

Enquanto as sentenças eram lidas, 234 pessoas – cerca da metade do número de pessoas que saíram para apoiar os réus – foram detidas em frente ao tribunal. Neste dia, mais de 400 pessoas foram detidas no centro de Moscou em um protesto não autorizado contra a sentença. Todos foram acusados ​​de violar as leis, o que significa um tempo na prisão para mais um grupo de manifestantes.

© 2014, Newsweek

Leopoldo López e sua crescente popularidade na Venezuela

em Mundo/News & Trends/Política por

Leopoldo López agarrou um monte de margaridas brancas enquanto entrava no carro da polícia. Um mar de manifestantes cercou o político venezuelano e tentou arrancá-lo das mãos das autoridades.

Sua rendição, que havia sido esperado por dias – embora não de forma tão pública – foi dramática, visualmente deslumbrante e um pouco perspicaz.

López parece ter tudo: uma mulher atraente e que lhe apoia, duas crianças que se dão uns com os outros, e adoráveis ​​filhotes de Labrador.  Ele é carismático, atlético e de boa aparência. Mas também é astuto e politicamente ágil.

Com 42 anos de idade, o chefe do partido Voluntad Popular posicionou-se como o rosto mais proeminente da oposição, levando milhares de venezuelanos às ruas para protestar contra a escassez de alimentos, economia estagnada e o crime generalizado. Se a situação se deteriorar nos próximos meses, dizem os especialistas, López poderia representar um desafio considerável para o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Desde a morte do ex-presidente Hugo Chávez em março de 2013, a qualidade de vida em um país frágil está em queda livre. Às vezes, itens básicos, como papel higiênico e margarina tornaram-se escassos, e muitos outros itens se tornaram inacessíveis pela inflação de 56 por cento. Vários jornais, alguns sob pressão para manter a linha do partido, estão sem papel para a impressão. O dólar de compra se transformou em um empreendimento quixotesco à medida que o estado se move para regulá-lo mais fortemente.

Em 12 de fevereiro, López, o então ex-prefeito de um bairro nobre em Caracas, convocou uma grande manifestação antigovernamental. Ele começou, pacificamente, com milhares de torcedores gritando em uníssono e exibindo sinais feitos à mão. Quando a manifestação parecia estar terminando, os jovens começaram a atirar pedras contra a polícia e incendiaram as viaturas. Três pessoas, incluindo um apoiador do governo, foram mortas. Pouco depois, Maduro emitiu um mandado de prisão, acusando López de incitar tumultos, homicídio e terrorismo.

O protesto foi um eco de 2002, quando Chávez foi brevemente afastado do cargo e levado em custódia. Ele voltou ao poder dois dias depois. López participou nesse golpe fracassado, ajudando prender o então ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín. “Estamos diante de um golpe de Estado na Venezuela”, advertiu Maduro em um discurso.

Após insultar o presidente no Twitter com as frases: “Estou lhe dizendo, Maduro, você é um covarde. Você não vai derrotar a minha família ou eu”, López surgiu na semana passada, no meio de uma manifestação com pessoas vestidas de branco, as quais ele havia convocado no dia anterior. López ficou em cima de uma estátua de José Martí, o herói da independência cubana, e falou para a multidão através de um microfone.

“Hoje eu me apresento diante de uma justiça injusta, a justiça corrupta, uma justiça que não julga de acordo com a lei e a Constituição”, disse López aos seus partidários antes de se render. “Se o meu encarceramento leva a um despertar do povo – um despertar definitivo da Venezuela – vai valer a pena o encarceramento vil e covarde que Nicolás Maduro ordenou”.

As pessoas próximas a López foram tiradas do local, mas não estavam surpresas. “Ele tem um sentido muito forte de justiça social, tolerância e democracia que motiva a sua política até hoje”, diz George McCarthy  assessor de López no Kenyon College e um amigo de longa data. López se formou em 1993 com diploma de sociologia, como um “verdadeiro intelectual” que se importava profundamente com seu país. López ainda obteve um mestrado em Políticas Públicas em Harvard.

“Pode-se discordar de um governo, mas não é possível definir o país em chamas”, diz Jesus Hernandez Godoy, especialista político venezuelano.

O governo acusou López de atos corruptos e o impediu de exercer cargos públicos, uma tática de rotina contra figuras da oposição, em várias ocasiões desde que ele deixou o cargo de prefeito.

Enquanto Lopez se entregava, Maduro disse a uma manifestação pró-governo que o governo havia detectado um plano de extrema-direita do país para matar Lopez, a quem chamou de fascista, a fim de “criar uma crise política e levar a Venezuela a uma guerra civil”. López concordou em se entregar, disse Maduro, e o Estado, por sua vez, prometeu protegê-lo na rota até a prisão.

[blocktext align=”left”]Naquela noite, em uma virada cinematográfica dos eventos, um vídeo pré-gravado de López surgiu na web. “Se você está assistindo este vídeo é porque o estado venezuelano emitiu um mandado de prisão para mim, talvez porque eu já esteja preso por forças de segurança do Estado”, disse López.[/blocktext]

Com uma cobertura limitada das manifestações na TV local, a mídia social tornou-se uma fonte de notícias indispensável para os venezuelanos. Fotografias e vídeos de confrontos cheios de gás lacrimogêneo e os manifestantes feridos surgiram no Twitter, Facebook e Instagram.

López tem usado todas essas plataformas para construir sua imagem como cristão devoto, pai de família e libertador. Em seu Instagram, López adicionou uma fotografia de si mesmo ao lado de Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado, outra com Óscar Arias Sánchez, o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, mais um, e com Yoani Sánchez, dissidente cubana amplamente reconhecida.

Há também imagens de López segurando seu filho durante o batismo do recém-nascido, cozinhando com seu velho pai e beijando apaixonadamente sua esposa.

A esposa de López publicou uma foto em seu Instagram carregando uma estatueta religiosa no caminho para visitar seu marido na prisão. Ela olhou diretamente para a câmera e sorriu confiante.

 

© 2014, Newsweek

Google Fiber: democratiza ou segrega o acesso à internet?

em News & Trends por

No futuro imaginado pelo Google, o acesso à Internet será um direito humano básico. Através de suas raízes na Ciência e com muitos prêmios de engenharia, a empresa planeja gastar 1,5 milhões este ano para apoiar a educação de ciência da computação em todo o mundo. Através do Projeto Link, uma rede de fibra óptica está emergindo, em Kampala, Uganda. No verão passado, o Projeto Loon lançou 30 balões para a estratosfera sobre a Nova Zelândia, cada um irradiando uma conexão 3G. A empresa está arcando com as despesas para conectar dezenas de parques em San Francisco, além de uma grande área do bairro em torno de sua sede em Nova York.

No meio de toda essa experimentação, um projeto surgiu como o seu porta-estandarte, prometendo o potencial igualitário completo da Internet: o Google Fiber. Mas, apesar de toda a retórica elevada, a empresa de 400 bilhões de dólares está construindo uma rede que requer inscrição on-line pré-paga. E para aqueles que ficaram encalhados na era digital: os pobres, os idosos – o resultado é muito aquém da e-mancipation.

De acordo com o Pew Research Center, 15 por cento dos adultos norte-americanos não tem acesso à Internet. Num momento de grande desigualdade de renda, os especialistas dizem que a chamada divisão digital perpetua os ciclos de pobreza. O acesso à Internet mantém a chave para a educação, emprego, serviços públicos e muito mais. À medida que o papel da Internet na vida cotidiana se expande a uma velocidade vertiginosa, aqueles deixados para trás encaram um nível perigoso de isolamento.

“É praticamente impossível procurar um trabalho sem acesso à Internet”, diz Karen Mossberger, diretora da escola de assuntos públicos da Universidade Estadual do Arizona, cuja pesquisa mostrou que o acesso faz uma diferença significativa nos salários médios. “Apesar do importante papel que as bibliotecas públicas desempenham, as pessoas esperam na fila. O tempo deles expira depois de meia hora e isso realmente não é uma alternativa viável”, declara a diretora.

Em materiais promocionais que reúne “gigabit” – velocidades 100 vezes mais rápido do que a banda larga média – o Google Fiber promete “conectividade rápida”, “possibilidades infinitas” e “bondade”.

Cada usuário da Internet é uma fonte potencial de informações valiosas para os clientes. E do ponto de vista logístico, o desafio equivale a pouco mais do que navegar em burocracias governamentais. Mas o Google também optou por destacar a política pública imperativa. “Nós sabemos, realmente acreditamos que temos um papel a desempenhar para acabar com a exclusão digital”, diz Erica Swanson, gerente do programa de inclusão digital no Google Fiber.

O Google encomendou um estudo independente, que identificou três principais obstáculos para o projeto Fiber ter continuidade: acessibilidade, um sentido de relevância e conhecimentos de informática, diz Swanson. Para ampliar a participação, a empresa oferece o serviço de banda larga de baixa velocidade por uma taxa de construção de 300 dólares, dividido em pagamentos mensais de 25 dólares. Contando com organizações comunitárias, o Google chegou a contratar trabalhadores para pesquisas de opinião.

“O desafio é o custo. A oferta de 300 dólares que eles têm é uma boa, se você tem intenção de ficar em uma casa própria. Mas em bairros de baixa renda, as pessoas tendem a alugar, o que é uma condição transitória, por isso, não faz sentido conectar em sua casa”, diz Rick Chambers, diretor executivo da Center Education Foundation.

“É bizarro e triste saber que eles estão enviando balões para a África prometendo levar Wi-Fi e não fazê-lo aqui em Kansas City, onde poderia ter um impacto real no momento”, declara Michael Liimatta, presidente da ONG Connecting For Good, que visa fornecer computadores populares às famílias de baixa renda.

Para executar o lançamento, o Google fez uma contratação local com fortes ligações políticas. Mark Strama, um dos jovens mais politicamente engajados, considerado um dos magos digitais de sua geração, está neste time.

O Google recusou o pedido da Newsweek para entrevistar Mark Strama. Em suas poucas declarações públicas, ele traçou um plano notavelmente similar ao utilizado em Kansas City. “Para que nós levemos o Google Fiber até você, precisamos saber se você nos quer!” Mark escreveu em um blog. “Este processo será transparente, você e seus vizinhos estão no controle”, finaliza.

© 2014, Newsweek

O lado bom dos esteroides nos Jogos Olímpicos: ele existe?

em News & Trends por

Em fevereiro de 2013, Lindsey Vonn rompeu o ligamento do joelho em um acidente nas montanhas da Áustria. Ela passou por uma grande cirurgia reparadora e, em seguida, entrou em um programa de reabilitação do joelho, mas finalmente optou por não participar dos Jogos Olímpicos de 2014 em Sochi, citando “instabilidade” na perna ferida.

Alguns se perguntavam se Vonn teria se recuperado de forma mais eficaz se tivesse tomado hormônio de crescimento humano e esteroides – elementos proibidos pelo Comitê Olímpico Internacional e pela Federação Internacional de Esqui. A investigação tem sugerido que esses remédios ajudam na cura de determinadas lesões.

Isso nos leva a uma questão intrigante: e se os fãs não se importarem se um jogador estiver usando drogas que melhoram o desempenho? De fato, talvez seja isso que eles queiram. Afinal, a saída de Vonn foi uma grande decepção para os fãs de esqui que esperavam vê-la defender sua medalha de ouro em 2010. Por que não permitir que Vonn tome hormônio de crescimento humano, ou o que ela precisa, a fim de se recuperar rapidamente?

Para muitos, a ideia de uma Olimpíada aprimorada é perturbadora e antiética, mas considere que todas estas tecnologias de aprimoramento existem, ou então outras versões já foram utilizadas. E às vezes de maneira exagerada em esportes de elite.

Há dois anos, nos Jogos Olímpicos de Londres, Oscar Pistorius competiu no atletismo usando suas pernas artificiais. E a história do doping de Lance Armstrong é muito familiar. No ano passado, ele admitiu ter conseguido, ilegalmente, sete vitórias no Tour de France, quando estava em uma dieta constante de esteroides e eritropoietina, um hormônio que bombeia as células vermelhas do sangue ricas em oxigênio e dá uma vantagem na resistência.

A grande diferença entre estes dois atletas é que o Pistorius usou sua tecnologia de melhoramento de forma legal, enquanto que Armstrong não optou por uma solução saudável. Mas essa é uma linha que em breve pode começar a se confundir à media que as tecnologias desenvolvidas para aumentar a resistência do esportista lesionado continuem a trazer novidades.

A maioria dos argumentos a favor de uma regulamentação para melhorar o desempenho de drogas e outras formas de valorização tem a ver com segurança. O website da Agência Mundial Anti -Doping (WADA), por exemplo, adverte que os esteroides aumentam as chances de mudanças de humor, redução da contagens de esperma, danos ao coração e masculinização nas mulheres. E a instituição Substance Abuse and Mental Health Services Administration declara que mais de 1 milhão de adultos norte-americanos confessaram usar esteroides anabolizantes.

Esse é o paradoxo de desportos: Os órgãos de governo proíbem substâncias dopantes em nome da segurança, o tempo todo, sabendo que uma das atrações de eventos como o esqui alpino é o perigo inerente,  pois os atletas em exposição procuram tornar-se os maiores, mais rápidos, mais fortes e mais ousados. A briga entre tecno-atletas e grupos como a WADA – que usam técnicas de detecção cada vez mais sofisticadas – resultou em uma “corrida armamentista”, diz o bioeticista Thomas Murray, o ex- presidente do Centro Hastings. Cada lado funciona com e contra a outra.

Claro, o outro argumento que esses órgãos fazem na proibição da melhoria é uma questão de justiça. Não seria certo que alguns atletas obtivessem uma vantagem, enquanto outros jogassem sem algum recurso extra.

Mas e se as regras forem alteradas para permitir melhorias em determinados jogos e competições esportivas? Não é muito difícil imaginar um futuro com dois Jogos Olímpicos paralelos: Um reforçado e outro de maneira natural. A verdadeira questão é que, se houvesse dois tipos de jogos, qual versão teria um público maior?

© 2014, Newsweek

A burocracia do imposto de renda nos EUA – seria diferente da nossa?

em Mundo/News & Trends por

É difícil amar o código tributário dos Estados Unidos, razão pela qual milhões de norte-americanos adiam a apresentação do imposto de renda até 15 de abril. Isso inclui muitas pessoas que não devem nada e muitos que receberão o dinheiro de volta do governo.

A lei fiscal é, talvez, a característica mais complicada da vida nos Estados Unidos, e as penalidades por entregar dados incorretos são graves. Além disso, o corpo da legislação fiscal com o qual todos os cidadãos têm de cumprir cresce cada vez mais. Quando o Congresso aprovou a lei de imposto de renda em 1913, o documento tinha apenas 27 páginas. Hoje chega a ter cerca de 5 mil páginas.

Se você ler o código inteiro, não ganhará uma medalha de honra, mas aprenderá que não existe o formulário número 1040, usado por cerca de 100 milhões de contribuintes para apresentar as declarações individuais. Isso porque o formulário 1040 não está no código, mas no regulamento da declaração de imposto de renda. Existem milhares de páginas de regulamentos fiscais, orientações, boletins, formulários e resumos de decisões judiciais, os quais devem ser cumpridos.

Especialistas da CCH – uma editora de guias para profissionais do setor tributário – compilaram um conjunto mais abrangente dos documentos que cobrem o código do imposto de renda por completo. O guia estende-se em mais de 75 mil páginas em 25 volumes separados. Bem distante de como começou em 1913.

Por todos esses motivos é que os norte-americanos precisam de tanta ajuda com os seus impostos. Pelo menos metade dos americanos contrata um profissional ou usam algum software facilitador para preparar a declaração de impostos. Algo que lhes custa tempo e dinheiro. A Receita Federal estima que o contribuinte médio gasta 13 horas fazendo impostos.

E só para registrar, a Bíblia King James, o livro Guerra e Paz e Ilíada e Odisseia de Homero somam, aproximadamente, 4,5 mil páginas.

© 2014, Newsweek

Famagusta: uma cidade prestes a renascer

em Mundo/News & Trends por

Se você conhece Famagusta, a cidade na costa leste da pequena ilha de Chipre, localizada abaixo da Turquia no Mar Mediterrâneo, provavelmente é porque você já ouviu falar sobre uma bela cidade fantasma dentro dele chamado Varosha, congelado no tempo por 40 anos agora. Até estrelas de cinema como Elizabeth Taylor e grupos pop como o ABBA já a visitaram.

Um dia, em breve, você pode começar a descobrir. Depois de 40 anos há uma nova esperança de que esta cidade fantasma mais uma vez voltar à vida. Os líderes das comunidades gregas cipriotas e turcas cipriotas se reuniram em um aeroporto abandonado na capital de Nicósia, para anunciar que concordaram em retomar as negociações para a reestruturação do local.

Há 100 razões para desprezar essa ideia, e a história é a principal delas: A ilha colonizada por gregos micênicos na Idade do Bronze tem 3,5 mil quilômetros quadrados, mas foi conquistada nove vezes nos últimos 4 mil anos – pelos assírios, egípcios, persas, romanos, bizantinos, califados árabes e pelos venezianos.

Ano após ano, surgiram propostas para reunir o Chipre. Mas agora, depois de 18 meses de disputa por posição, as negociações recomeçaram, e com um novo jogador-chave: os Estados Unidos, que exercem uma importante influência em ambos os países – Turquia e Chipre (se o considerarmos assim).

Apenas quatro dias antes das negociações começarem, o vice-presidente, Joe Biden, chamou o presidente cipriota Nicos Anastasiades, no qual ele “se comprometia a explorar novas oportunidades para promover a recuperação econômica do Chipre e o seu crescimento”, entre outras coisas.

O que Biden quer dizer com “novas oportunidades?” Energia, dizem várias fontes próximas às negociações.

Os EUA, a União Europeia e Israel querem que o Chipre se estabilize, pois isso significa uma maior estabilidade no Oriente Médio. A descoberta de gás natural na ilha adiciona uma nova razão atraente para os EUA se envolverem. Os cipriotas passaram a chamar o atual quadro de “O Plano de Obama”.

Há pelo menos duas outras razões-chave para que as negociações deem certo no Chipre:

Todo mundo quer isso. Uma pesquisa, realizada em agosto de 2013, constatou que 73% dos residentes cipriotas turcos de Famagusta acreditava que a cidade fantasma de Varosha deve ser devolvida aos seus proprietários gregos cipriotas.

A outra razão: existe uma harmonia com a União Europeia. Não é que o Chipre esteja com tudo garantido, mas a maioria dos observadores acredita que a ocupação permanente da Turquia da metade norte da ilha é um obstáculo. “O Chipre é um país europeu sob ocupação”, diz Alexis Galanos, prefeito no exílio de Famagusta. “A Turquia é um país que bate à porta da Europa para se juntar a Europa, e, ao mesmo tempo, está ocupando parte da Europa.”

Como se uma solução para o problema de Chipre fosse uma conclusão precipitada, uma coalizão dedicada aos cipriotas turcos e gregos está avançando em um plano para reconstruir Varosha. A lógica é que, não importa o que aconteça com as negociações, reabrir Varosha será uma tarefa complicada, e é melhor estar preparado para fazê-la direito.

© 2014, Newsweek

Os fatos que Sochi tentou esconder

em Mundo/News & Trends/Política por

Um grupo de ativistas locais dos direitos civis levou suas amigas, membros da banda Pussy Riot – um grupo russo feminista de punk rock -, em um passeio pelo centro de Sochi. Eles não foram muito longe, carregando suas guitarras penduradas sobre os ombros, quando um grande número de policiais de uma unidade de antiextremista chegou para detê-los.

A justificativa soou peculiar: a banda e os ativistas foram convidados a acompanhar os oficiais até a delegacia como testemunhas de um caso de uma bolsa roubada.

A ordem de prisão veio de oficiais vestidos com roupas civis que estavam no comando da operação. Eles se recusaram a mostrar seus distintivos ou qualquer documento de identificação oficial.

Em poucos minutos, a polícia tinha prendido os braços de todos os detidos na parte de trás de caminhões. “Nunca fui tratada tão violentamente pelos oficiais quanto em Sochi”, declarou Nadezhda Tolokonnikova (um dos membros da banda). “Eles me jogaram no chão com o rosto pra baixo, machucando minhas mãos e joelhos”.

O principal objetivo da visita de Tolokonnikova na cidade de Sochi durante os Jogos Olímpicos de Inverno foi provocativo: no dia em que foi presa, a banda tinha planejado gravar uma nova música ali, ironicamente intitulada “Putin Will Teach You to Love the Motherland” (Putin vai te ensinar a amar a pátria).

“Nossa nova canção é dedicada aos nossos amigos e aos presos políticos da Rússia”, disse Tolokonnikova. “Sochi é o melhor lugar para gritar os nossos protestos porque o mundo inteiro está aqui.”

Os cinco membros da banda e seus amigos de Sochi foram detidos três vezes no curso dos três primeiros dias de sua visita. O Serviço Federal de Segurança detiveram os ativistas e os mantiveram sob custódia por mais de cinco horas por dirigir muito perto da fronteira da Abkházia.

Com milhares de jornalistas estrangeiros em Sochi à procura de histórias, tentar esconder as punks mais famosas do mundo atrás das grades, provavelmente não era a melhor ideia. O presidente Vladimir Putin quer que o mundo se lembre dos Jogos Olímpicos de Sochi pelos esportes, não pelas prisões de dissidentes.

(C) 2014, Newsweek.

China x Taiwan: uma possível relação de paz? Conheça os dois lados

em Mundo/News & Trends/Política por

Depois de décadas de hostilidades, a China comunista busca relações melhores com sua antiga rival: a democrática Taiwan.

Este movimento amigável contrasta fortemente com as tensões que vêm aumentando entre a China e muitos de seus outros vizinhos, incluindo o Japão. Existe, realmente, o temor de que essas divergências possam levar a um confronto armado.

Uma semana depois de uma reunião sem precedentes entre os funcionários de Pequim e a capital de Taiwan, Taipé, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Fan Liqing, insinuou aos jornalistas que o presidente Xi Jinping está mesmo considerando um encontro com o presidente de Taiwan, Ma Ying- jeou.

“Compatriotas de ambos os lados da China esperam que os líderes possam se encontrar”, disse Fan. “Várias vezes declaramos que isso é algo que temos mantido durante muitos anos, e sempre tivemos uma atitude aberta e positiva em direção a ela”.

Ela se recusou a discutir uma possível data para tal encontro, mas a simples menção da possibilidade indica uma tendência que preocupa alguns na região.

“A situação atual é uma inversão da década de 1990”, diz Vincent Wang, professor de ciência política na Universidade de Richmond. Nas últimas duas décadas, Pequim adotou uma postura cada vez mais agressiva em direção a Taiwan. Ao mesmo tempo, ela tentou crescer sua economia, entre outras maneiras, reduzindo as tensões com os países vizinhos, como o Japão, a Coreia do Sul e Filipinas.

“Agora a política da China é mais conciliatória em direção a Taiwan. As águas ao largo da costa leste dessa ilha são muito profundas”, disse Wang. As margens nas proximidades do Japão e sem grandes barreiras por todo o caminho para o Havaí, a costa leste de Taiwan poderia ser “um bom porto para submarinos da China”, analisa Wang. Embora nenhum acordo para tal uso está para ser discutido, a China pode usar seus novos laços com Taiwan para buscar o que constituiria uma ameaça militar estratégica que precisa ser observada com atenção.

Até o momento, os outros países vizinhos não estão preocupados. “Taiwan nunca permitirá que a China use suas instalações militares”, disse um oficial do Ministério das Relações Exteriores de Tóquio, que falou sob a condição de anonimato. No entanto, acrescentou que “Pequim agora vê mais importância em manter Taiwan completamente dentro de sua esfera de influência – política e economicamente”.

Desde que os nacionalistas chineses foram forçados a recuar a partir do continente para a ilha de Taiwan, em 1949, e criar um país autônomo, que evoluíram para uma democracia plena.

Ser membro da ONU e de outros organismos internacionais tem sido uma tremenda fonte de atrito, desde então, já que a China proíbe diligentemente a participação de Taiwan em qualquer fórum global, temendo que isso possa indicar um reconhecimento tácito da independência de Taipei.

Pequim continua a bloquear qualquer tentativa de Taiwan para participar de tratados internacionais. Isso pode colocar em risco as esperanças de Taiwan em firmar uma parceria com a Trans-Pacific Partnership (TPP), a nova gigante zona de comércio regional proposta pelo presidente Barack Obama, como parte de sua política de “reequilíbrio” em direção ao Pacífico. Taiwan, que é líder mundial na fabricação de placas-mãe e notebooks e é uma potência em muitas outras indústrias de alta tecnologia, está ansiosa para se juntar ao novo acordo comercial.

Várias fontes na região dizem que autoridades norte-americanas tinham indicado nas últimas conversas privadas que Washington iria ajudar Taiwan aderir à parceria, que uniria os EUA e 11 países dos dois lados do oceano, em um acordo de livre comércio. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Edward Royce, expressou sua esperança de que Taiwan será incluída também.

Taiwan depende das exportações para 70 por cento de sua economia, e nos últimos anos muito desses comércios e transações têm ido para o continente. Em 2010, 29 por cento das exportações da ilha foi para a China. Agora é 40 por cento, e a China tornou-se a maior parceira comercial de Taiwan.

O presidente de Taiwan, Ma, aumentou os laços com a China continental, estabelecendo voos regulares, permitindo que os turistas e empresários visitem e façam negócios em ambos os lados de Taiwan.

Mas “Taiwan não será forçada a reduzir o comércio com o resto da Ásia Oriental e do Ocidente”, diz Brian Su, vice-diretor geral do Ministério Econômico e Cultural de Taipei, em Nova York.

O antecessor de Ma, Chen Shui- bian, agora preso, era um nacionalista que nunca escondeu seu desejo de declarar a independência. Pelo contrário, Ma foi mais conciliador com Pequim, concordando com o conceito de “um país, duas interpretações”.

Do outro lado do estreito, por sua vez, Xi decidiu abrir mão das hostilidades, talvez porque ele precisa reduzir certas preocupações urgentes na Ásia e em Washington sobre os movimentos agressivos da China em outros lugares na região.

“A China nunca renunciou ao seu objetivo final” de anexar a ilha como parte de um processo de unificação, diz Wang. No entanto, de acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de Taipei, “mais de 80 por cento da população de Taiwan favorecem o status quo sobre a independência ou unificação imediata”.

O que pode explicar por que enquanto a China corteja o seu ex-monstro imaginário Taiwan, os sinos de alarme ainda não tocaram no Japão – nem nos outros vizinhos – que estão mais cautelosos sobre o confronto com a China.

“A fim de ter mais espaço para respirar na comunidade internacional, Taipei precisa manter boas relações com Pequim”, diz o oficial do Ministério das Relações Exteriores de Tóquio. Ele acrescenta, porém, em uma última análise que “Taiwan permanecerá do nosso lado – do Japão e dos EUA”.

© 2014, Newsweek

Governantes corruptos da Bósnia são atingidos por um “Tsunami de cidadãos”

em Mundo/News & Trends por

A violência e a agitação, retornaram mais uma vez à Bósnia. O que começou como um protesto popular contra a corrupção, a má gestão e a pobreza levaram o ministro da segurança do país ligar o alerta sobre um possível “Tsunami de cidadãos”.

Sarajevo, que se tornou o símbolo do sofrimento durante aproximadamente três anos, de 1992 a 1995, foi fechado, assim como outras cinco cidades.

Havia incêndios no edifício presidencial, onde há 20 anos os líderes bósnios em apuros levaram seu governo para atrás dos muros – sem ar-condicionado e muitas vezes sem eletricidade em seus escritórios.

Estudantes prejudicados – alguns nem sequer tinham nascido durante a guerra – atiraram pedras em policiais. Aqueles que tinham vivido durante os dias de privação, assassinatos e limpeza étnica na década de 1990 assistiram aos ataques com horror.

Velma Saric, jornalista e ativista, estava junto ao edifício da presidência, em silêncio, observando as chamas.

“Eu fiquei em choque. Me lembrei dos dias negros da guerra. Eu estava realmente com medo de que esses dias  voltassem”, disse ela. “Era aterrorizante, Saric acrescentou, a polícia estava indefesa”.

Ziyah GAFIC, um fotojornalista, acrescentou: “A polícia em Sarajevo foi severamente insuficiente e extremamente passiva”.

“Não havia carros blindados, canhões de água e quase não usaram gás lacrimogêneo – embora haja pelo menos dois setores das forças de segurança bem treinados e equipados para controle de distúrbios.”

O que desencadeou os tumultos?

A maioria dos bósnios pediram para solucionarem a taxa de desemprego, os baixos salários, a pobreza e a corrupção.

“Há muitas razões válidas para protestar na Bósnia”, disse GAFIC. “Privatização não-transparente e empresas estatais criminosas, a corrupção generalizada, o nepotismo e a miséria geral – para citar apenas alguns.”

As pessoas comuns estão furiosas como excesso de corrupção dos dirigentes da federação da Bósnia. Os manifestantes carregavam placas com dizeres do tipo: “Faz 20 anos que somos roubados”.

Após os protestos, alguns se demitiram do governo da Bósnia, que é composto principalmente de croatas e muçulmanos bósnios .

“Depois de 18 anos, não é de se surpreender que as pessoas estão fartas dessa situação”, disse Tim Judah, autor de Os sérvios e um analista Balkan de longa data. “Os padrões de vida estão indo para o buraco, enquanto os políticos mostram sua riqueza dirigindo carros cada vez mais extravagantes. Você precisa subornar alguém para conseguir um bom emprego e a política nacionalista faz questão de deixar a economia  de lado”.

A vida pós-guerra na Bósnia não tem sido fácil. Bombardeios matam crianças, os supermercados estão cada vez mais escassos e as aldeias cheiram queimado. O que os cidadãos da Bósnia estão passando não é apenas pobreza, é a falta de qualquer tipo de futuro promissor.

“Mas essa violência que tem tomado conta do país não é sobre o conflito étnico, é sobre a frustração, pois o custo de vida está muito alto e o trabalhador não conseguem arcar com suas despesas”, disse Saric.

Irritados com a exagerada corrupção, insegurança econômica e ao fato de que os líderes eleitos parecem inconscientes das necessidades de seu povo, a Bósnia entrou em erupção.

Os protestos começaram no dia 6 de fevereiro, quando um grupo de trabalhadores da indústria química, desapontados por não receberem seus salários durante os últimos 18 meses, reuniram-se em frente a um prédio do governo .

Logo, a situação voltou-se para a violência, espalhando-se para Sarajevo e outras cidades, onde as pessoas também saíram às ruas.

“Estes trabalhadores alertaram o governo sobre seus problemas por um longo tempo, mas ninguém prestou atenção”, disse Saric.

A guerra na Bósnia tecnicamente terminou em 1995 com os Acordos de Paz de Dayton, intermediado pelo diplomata americano Richard Holbrooke em uma base militar em Ohio, mas em muitos aspectos, a guerra não terminou aí.

A guerra na Bósnia deixou cicatrizes profundas e, em muitos aspectos, um trauma coletivo difícil de curar. Holbrooke sabia disso quando ele negociou Dayton. Ele sempre viu isso como um fim temporário para aliviar o sofrimento.

A Pós-guerra da Bósnia foi um lembrete desagradável. Enquanto os fundos derramados no país eram usando para a reconstrução, novas divisões religiosas surgiram, que não tinham no momento, mas de certa forma, existiam antes da guerra. E o enorme dinheiro derramado para reconstruir o país, atraiu muitos criminosos.

O país era como uma encruzilhada de drogas e tráfico de seres humanos. E falava-se com medo da Europa sobre a possibilidade de a Bósnia se tornar um Estado falido, como a Somália.

“Essas ondas de protestos sociais que abalaram Bósnia criaram raízes por causa da enorme taxa de desemprego – mas a resposta das autoridades mostram que o verdadeiro problema é devido ao estado ser corrupto e ineficiente”, disse Srdja Popovic, analista em Belgrado, que ajudou a derrubar o ditador sérvio Slobodan Milosevic quando ainda era um jovem estudante em 2000. “Eles são incapazes de lidar com os problemas sociais”,

E o que vai acontecer nas próximas semanas ou meses?

Saric acredita que as pessoas vão continuar protestando até que a impressionante taxa de desemprego seja abordada. Afinal, a nova geração de bósnios estão magoados por que vão enfrentar um futuro sem trabalho.

Popovic acredita que os ditadores e os políticos que não servem as necessidades das pessoas, devam ser removidos sem violência, pois os protestos podem se transformar em algo muito mais perigoso.

“Mas, até agora, os protestos bósnios não foram muito bem organizados”, disse ele. “Ele ainda se parece com um monte de grupos independentes cheios de raiva”.

Em uma visão equilibrada, disse ele, esta onda de protestos pode ser um teste profundo para os bósnios infelizes: se eles direcionarem sua raiva com foco, verdadeiros processos democráticos podem ser criados.

“Os estrangeiros, incluindo funcionários da União Europeia, devem mostrar moderação e não piorarem as coisas. O que eles podem fazer é ajudar os bósnios em como amadurecer o próprio futuro democrático”, disse.

Sempre ficou nítido que existe mais de um problema na Bósnia, mas o estilo revolucionários dos cidadãos bósnios podem finalmente mudar a cara do país.

© 2014, Newsweek

Quem apita o jogo agora é um… Computador?

em News & Trends por

A tecnologia em breve fará dos funcionários que trabalham em eventos esportivos meros ascensoristas.

Nos Jogos Olímpicos de Sochi não houve nenhum escândalo de arbitragem global. Os funcionários são altamente treinados e geralmente têm razão, mas são humanos. E, por isso, às vezes cometem erros – o que os transformam em “corruptos” – e esse é o problema.

Nós tentamos fechar essa lacuna nos últimos dez anos, apoiando os seres humanos imperfeitos com replays de vídeo. E não estamos falando de ciência ou ficção, muitas dessas capacidades estão surgindo agora, e as empresas trabalham para obtê-las. “Os avanços na última década tornaram muito mais viável substituir os sentidos humanos”, diz Eric Brynjolfsson, professor do Instituo de Tecnologia de Massachusetts e coautor do livro “The Second Machine Age”, o qual fala sobre o impacto dos computadores que podem começar a pensar como nós.

Não é como se isso nunca tivesse acontecido antes. Agora a contagem do tempo é automatizada para quase todas as corridas de alto nível de qualquer tipo – patinagem, corrida, natação.

Agora é só considerar a armadura de tecnologias que comanda os esportes. A NBA este ano colocou o SportVU (dispositivo de câmeras) em cada arena. Esse sistema de câmeras e computadores rastreia todos os jogadores e a bola três vezes por segundo e registra todos os dados. As ligas de futebol de todo o mundo estão considerando em adotar o tal sistema.

Todos os grandes torneios de tênis estão usando um sistema chamado Hawk-Eye, que acompanha a bola e fornece os registros de seu movimento.

O futebol na Europa está fazendo de tudo para adotar um sistema de câmeras de alta velocidade e computadores que podem dizer se a bola cruzou a linha do gol. O fabricante de um sistema desse tipo, o GoalControl, afirma que as câmeras podem rastrear os jogadores e a bola, além de ser mais preciso que os árbitros humanos nos casos de impedimento.

A tecnologia vai manter as partidas mais interessantes. Essas plataformas conseguem ser tão sensíveis que podem informar o peso e o número do calçado de um jogador. A tecnologia fomenta a ideia de que a NFL – National Football League – pode colocar sensores em um campo de futebol inteiro e capturar onde a bola cai.

“Imaginem o dia em que os oficiais que escrevem as regras e os programadores das máquinas trabalhem em conjunto”, diz Brynjolfsson. “Nós ainda não estamos perto de construir um computador-árbitro que possa fazer o julgamento correto, mas a de tendência é que isso aconteça em breve”, completa.

Claro, toda essa ideia pode parecer assustadora e autoritária. Quem os torcedores irão vaiar?

Que insulto os fanáticos indignados diriam para o computador? Talvez: “O juiz roda no Windows!”.

© 2014, Newsweek.

Ex-chefe do serviço de espionagem de Israel analisa a situação do país

em Mundo/News & Trends/Política por

Ehfraim Halevy, ex-chefe do Mossad – o serviço secreto do governo de Israel -, disse que esperava por mim do lado de fora da cafeteria da Universidade de Tel Aviv, vestindo uma jaqueta “azul de combate”. Eu não tinha certeza do que isso significava, até que cheguei ao café e avistei um homem idoso com cabelo grisalho, falando ao celular. O ex-chefe do serviço de espionagem de Israel vestia uma versão civil do tipo de jaqueta que o general Eisenhower usava às vésperas da invasão da Normandia, em junho de 1944.

Uma jaqueta de combate é um traje inteiramente apropriado para Israel, um país perpetuamente em guerra em um grau ou outro. Israel existe em uma “vizinhança ruim”, como se costuma dizer. Segundo fontes militares israelenses, o Hezbollah tem 100 mil foguetes armazenados a apenas 125 quilômetros da rodovia, no sul do Líbano. A Síria, infiltrada pela Al- Qaeda, fica a três horas ao norte de Tel Aviv. A jihad islâmica se infiltrou no Sinai, a poucas horas do Sul e depois, claro, existe o Irã – a alguns minutos do míssil balístico – e seu programa nuclear nascente.

Halevy, de 79 anos, desligou o telefone e me cumprimentou com impaciência e um sotaque britânico, o vestígio de uma infância em Londres. Ele me levou para a cafeteria, o “seu escritório”, de acordo com o historiador israelense Yossi Melman.

O restaurante era barulhento com alunos e professores, aparentemente alheio à interminável crise existencial de Israel. “Somos uma vila serena em um zoológico”, disse Halevy.

Mas Halevy teve uma série de contatos informais com os iranianos nos últimos anos e chegou a pensar que eles eram pessoas com as quais Israel poderia lidar.

“Seja lá o que eles disserem, os iranianos estão morrendo de medo dos israelenses e escondem seu medo por trás de uma falsa coragem”. Ainda mais nos Estados Unidos, Halevy acrescentou.

Halevy disse que brincou com os iranianos, os quais ele não quis identificar, sobre sucesso deles nas negociações. “Eles sentem que estão em um precipício”, explicou Halevy. “Um passo em falso e eles vão cair em um barranco, rolando em cima das rochas.”

O mesmo pode ser dito de Israel. Para toda a conversa de uma “ameaça existencial” de mísseis do Irã ou do Hezbollah, a falta de um acordo com os palestinos paira sobre todo o resto.

Mesmo Ephraim Sneh, um ex-comandante paramilitar e ex-vice-ministro da Defesa, que já atuou como administrador civil da Cisjordânia, diz que Israel não pode sobreviver sem um acordo com os palestinos. “Se você quiser que outras nações fiquem com você contra o Irã, não pode negar o direito do povo palestino de ter um Estado próprio”.

“As questões mais importantes para o partido de Bibi –  Binyamin  Netanyahu, presidente do partido político Likud – são os assentamentos na Cisjordânia”, finaliza Sneh.

© 2014, Newsweek.

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