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News & Trends - page 210

A economia do conhecimento é impulsionada pós-revolução no Egito e Tunísia

em Cultura e Entretenimento/Educação e Comportamento/Mundo/News & Trends/Opinião/Política por

Tanto o Egito quanto a Tunísia adotaram novas constituições este ano, justamente após três anos de suas revoluções, e ambas querem proteger os direitos de propriedades intelectual. Especialistas dizem que este é um passo essencial para apoiar uma “economia do conhecimento”, o que poderia ser um caminho para sair da difícil situação econômica dos países.

“As cláusulas relacionadas com a economia do conhecimento nas constituições do Egito e da Tunísia refletem a crescente prioridade dada por estes países para a promoção da inovação e criatividade dentro das novas políticas socio-econômicas prosseguidas desde a Primavera Árabe”, escreveu em um blog, Ahmed Abdel-Latif, ex-intelectual egípcio e gerente do programa do Centro Internacional para o Comércio e o Desenvolvimento Sustentável, em Genebra.

Em janeiro deste ano, os egípcios votaram a favor de sua nova Constituição, que substituiu a versão 2012 ligado ao deposto presidente Mohamed Morsi. O artigo 23 afirma que o “Estado garante a liberdade de investigação científica e incentiva as suas instituições como um meio para alcançar a soberania nacional, e a construção de uma economia do conhecimento”. Ele também aloca pelo menos 1 por cento do PIB do país em relação à ciência e a pesquisa.

A constituição da Tunísia, ratificada há pouco mais de uma semana depois, requer que o Estado forneça os “meios necessários” para o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica.

“As revoltas da Primavera Árabe soaram um alarme político em toda a região, aumentando a sede de mudança, depois de décadas de estagnação. Mas enormes problemas permanecem, sendo o principal deles a necessidade de mais e melhores empregos, especialmente para os jovens, cujas taxas de desemprego são os piores do mundo”, de acordo com os relatórios do Banco Mundial, do Banco Europeu de Investimento e de outras organizações, publicado no começo do ano.

A taxa de desemprego no Egito superou 13 por cento no ano passado, onde os jovens  representam mais de 70 por cento dos desempregados, de acordo com a Agência Central de Mobilização Pública e Estatística. Já na Tunísia, 15,3 por cento da força de trabalho está desempregada, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Uma maneira de aumentar os mercados locais é torná-los mais atraentes.

Um novo tipo de estratégia de desenvolvimento impulsionada pela inovação é necessária nos países árabes para lidar com os grandes desafios – principalmente o desemprego. Esta nova abordagem exige regimes de taxa de crescimento mais elevados sustentados por fortes inovações e empreendedorismos.

É necessário incentivar um ambiente de negócios amigável, o que significaria um crescimento favorável dos direitos de proteção da propriedade intelectual. Idealmente, isso vai fomentar a criação de uma “economia do conhecimento”, que vai tornar as empresas mais competitivas a nível global, e começar a tirar proveito de mais oportunidades.

“Regimes de propriedade intelectual foram estabelecidos, agora os direitos de propriedade intelectual são um privilégio especial dado aos titulares para explorarem o direito econômico de suas obras, com a finalidade pública de promover o progresso da ciência e da cultura”,  disse o embaixador egípcio Dr. Walid M. Abdelnasser ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.

Estes dois países pós-revolução estão tentando usar suas constituições para fazer exatamente isso. Mas sua abordagem é surpreendentemente rara.

De acordo com Abdel-Latif, até o momento somente a Líbia, Sudão e Emirados Árabes Unidos, contêm o mesmo tipo de referências explícitas em suas constituições.

“Vale ressaltar que pela primeira vez na história desses países, as duas constituições contêm cláusulas que dão alta prioridade para a construção de uma economia do conhecimento e que prevêem a proteção dos direitos de propriedade intelectual a nível constitucional”, escreveu ele .

No mês passado, o presidente francês François Hollande disse aos funcionários e outros líderes mundiais que a nova Constituição da Tunísia “é uma esperança e um exemplo para outros países”.

© 2014, IBTimes

Os maiores suicidas do mundo são russos

em Educação e Comportamento/Mundo/News & Trends por

O suicídio parece uma tragédia essencialmente pessoal: uma pessoa lutando contra demônios até ser derrotada. Mas, em alguns casos, também pode ser considerado uma tragédia nacional.

De acordo com um estudo publicado recentemente, a ex-União Soviética lidera o mundo no quesito suicídio, com cerca de 27,8 suicídios por 100.000 pessoas. Em comparação, cerca de 38.000 americanos tiram a própria vida por ano, ou 12,4 por 100.000 pessoas, segundo dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

Igualmente surpreendente é a diferença de gênero nas taxas de suicídio nos países pós-soviéticos. Enquanto os homens se suicidam mais do que as mulheres em todo o mundo, o desequilíbrio está cambaleando na ex-União Soviética. Na Lituânia, por exemplo, para cada 100.000 pessoas, 61,3 homens cometem suicídio, enquanto apenas 10,4 mulheres se matam.

Esta não é uma nova tendência na Rússia, pois a taxa de suicídio masculino na Europa Oriental surgiu durante os anos 90 por causa do excesso de drogas e álcool. Dentro dessa realidade, a expectativa de vida nos estados pós-soviéticos seguem padrões semelhantes: homens russos, vivem em média 63 anos e as mulheres, 75. Nos EUA, a expectativa de vida de um homem é de 76 anos e das mulheres, 81.

A diferença de gênero demográfico é gritante nesta parte do mundo. Os homens mais velhos são poucos e vivem distantes entre si, enquanto as senhoras transportam mantimentos e conversam com as amigas nos bancos dos parques. Apesar (ou talvez por causa) de uma cultura em que os direitos das mulheres continuam ficando para trás na maior parte do mundo ocidental, são elas que provaram ser o sexo forte.

“Literalmente todo o seu mundo ficou de cabeça para baixo, socioeconomicamente e psicologicamente”, diz Judy Twigg, professora da Virginia Commonwealth University, que é especializada em saúde e demografia na Rússia. “Não é difícil entender como isso foi incrivelmente perturbador para esta população”.

Quando a União Soviética se dissolveu, os papéis de gênero também se desfez. Um estudo realizado em 2009 chamado “sofrimento social, pós-soviético da Masculinidade”, Arturas Tereškinas, professor de sociologia na Universidade Vytautas Magnus na Lituânia, explicou que o conceito de masculinidade e “heróis da classe trabalhadora”, que foi tão relevante na Soviética, elevou as taxas de desemprego, pois uma nova economia de serviços emergentes exigia habilidades de comunicação. Imagine uma loja da Apple tripulada por bêbados ranzinzas? Isso deixou muitos homens russos sem emprego e sem perspectivas “os tornando cada vez mais marginalizados”.

Em parte, isso aconteceu porque muitos homens soviéticos nunca desenvolveram habilidades necessárias para ter sucesso em uma economia pós-industrial. Sob o domínio do Kremlin, era difícil encontrar confiança, e os homens passaram a maior parte do seu tempo no mesmo trabalho, se comunicando apenas com os mesmos colegas de trabalho. As mulheres, por outro lado, eram mais capazes de cultivar uma densa rede de amigos que podiam confiar no que Twigg se refere como “amigos da mesa de cozinha”. Como isso, suas habilidades de comunicação e de enfrentamento social evoluíram muito mais do que a dos homens.

Um estudo feito em 2003 intitulado “Suicídio e morte prematura ou por que os homens são tão vulneráveis”, identificou que a não adaptação aos enfrentamentos sociais foram a maior razão para os homens se suicidarem. O estudo descobriu que ao ser confrontado com as mudanças sociais, os homens pós-soviéticos não estavam dispostos e eram incapazes de pedir ajuda ou expressar suas emoções. Enquanto isso, as mulheres expressavam sua dor publicamente.

Muitos homens, sofrendo em silêncio, afundou-se na bebida. Outro estudo em 2012 intitulado “A interseção da expectativa de vida e sexo em um estado de transição, no caso, a Rússia” descobriu que os homens da ex-União Soviética sentiam vergonha com a queda da URSS e abusavam do álcool e da violência, em vez de expor suas vulnerabilidades.

Na cultura popular, é comum zombar dos russos os chamando de “inúteis”, pois a maioria das vezes estão bêbados demais para fazer qualquer coisa. E a mídia, muitas vezes retratam “a mulher como a mais forte”, disse Twigg à Newsweek. A OMS afirma que os europeus orientais consomem 14,5 litros de álcool puro por ano. Já nos Estados Unidos, o consumo por pessoa é de apenas 9,6 litros por ano.

E o consumo não é apenas pessoal, é político. A Vodka continua sendo uma grande fonte de renda para a região, principalmente para a Rússia. Durante anos, o Kremlin incentivou o consumo de álcool, a fim de trazer mais receita ao governo. “Aqueles que bebem e fumam estão ajudando o estado através da compra destes produtos”, disse o ministro de Finanças da Rússia, Aleksei L. Kudrin, em 2010.

Monika Bonckute, jornalista do jornal lituano Lietuvos Rytas, disse à Newsweek que “beber era uma forma de protesto contra a ditadura”.

Consumir muito álcool tem consequências graves para a saúde pública. Além dos conhecidos impactos na saúde a longo prazo, uma análise de quase 30 anos de literatura médica sobre o assunto concluiu que o alcoolismo aumenta o risco de suicídio. Outro estudo recente, “Fatores de risco no comportamento suicida dos alcoólicos” descobriu que 40 por cento de todos os pacientes que procuraram tratamento para a dependência de álcool relataram pelo menos uma tentativa de suicídio.

E porque o tratamento da saúde mental na Europa Oriental, incluindo – terapia do vício em álcool são até agora abaixo dos padrões globais? A resposta vem do passado, antigamente, sob o domínio soviético e durante a dissolução da URSS, pessoas que lutavam com a depressão ou abuso de substâncias não tinham opções reais na área da saúde mental. “Toda a disciplina da psiquiatria e saúde mental era uma abominação no período soviético”, diz Twigg. Sob o domínio soviético, dissidentes políticos eram muitas vezes jogados em instituições psiquiátricas, onde foram drogados e torturados. “Toda a disciplina foi pervertida ao ponto em que nenhuma das instituições soviéticas da psiquiatria admitiam sociedades científicas internacionais”, diz Twigg. “Eles ainda estão anos e anos atrás do Ocidente”.

Claro que um sistema pobre de cuidados de saúde mental vai afetar tanto homens quanto mulheres. Mas quando os homens já estão preparados para levar seus problemas ao bar, as oportunidades de ajuda disponível vão diminuir ainda mais.

Bonckute, que cresceu vendo muitos homens alcoólatras, acredita que os pós-soviéticos sejam incapazes de pedir ajuda e vão continuar recorrendo ao álcool quando tiverem qualquer tipo de problema. “Velhos hábitos custam a morrer”, diz ela, “e sempre existe uma desculpa para eles beberem”.

© 2014, Newsweek

Animais de pasto melhoram a biodiversidade

em News & Trends por

A área verde ocupa mais de um quarto da área terrestre do planeta, espalhado ao longo de seis continentes. Como os ecossistemas biodiversos, eles suportam o crescimento de várias plantas e animais indígenas. Mas, infelizmente, o uso excessivo de fertilizantes nas últimas décadas têm acelerado o declínio ecológico ao longo das paisagens únicas. Agora, uma equipe de cientistas apareceu com uma solução para conservar e proteger a biodiversidade dos campos: permitir que os animais que ficam pastando comam o mato.

Mais de 50 cientistas que estudam pastagens em todo o mundo, conhecido como a Rede de nutrientes ( NutNet ) realizou um estudo comparativo de cinco anos sobre as pastagens, e veio com a solução. O estudo, que será publicado na revista Nature, foi realizado em 40 locais diferentes ao redor do mundo. “Este estudo tem enorme importância porque as atividades humanas estão mudando as pastagens em todos os lugares”, disse o co-autor Daniel S. Gruner, professor de entomologia da Universidade de Maryland, em um comunicado. “Temos uma experiência para passar ao mundo, mas é completamente descontrolada”.

Os campos são pontilhados com um número de plantas nativas, no entanto, as atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, acrescentando fertilizantes, e estrume adicionando nitrogênio extra e outros nutrientes no solo das pastagens. Este excesso de nutrientes levou certas gramíneas a crescerem mais rápidas do que outras. Além desses fatores, os pastos ao redor do mundo também estão sendo convertidos em pastagens para animais domésticos, que começaram a superar outros herbívoros selvagens, como alces e antílopes.

Permitir que os herbívoros comam a grama, revertendo, assim, os efeitos do excesso de adubação, já havia sido teorizado, mas nunca colocado em prática. Para testar a teoria, os cientistas da NutNet criaram quatro parcelas de ensaio em cada um dos 40 locais. O primeiro lote de teste foi cercado, para evitar os animais de pastoreio. O segundo foi pulverizado com fertilizantes para replicar práticas agrícolas atual – uso de fertilizantes – com animais que estão sendo autorizados a pastar. A terceira parcela foi cercada e fertilizada  e o último foi isolado.

Os pesquisadores descobriram que as parcelas adubadas que não têm animais de pasto tinham uma menor diversidade de plantas, enquanto parcelas adubadas com animais de pasto mostraram um aumento na diversidade de plantas. A melhoria foi observada em parcelas onde os animais de grande porte, silvestres e domésticos foram autorizados a pastar, como gados, alces, cavalos, ovelhas e cabras. Já em locais onde apenas pequenos animais pastaram como coelhos e ratazanas não melhoram muito.

Com estes resultados, os pesquisadores comprovaram que os animais de pastagem melhoram a biodiversidade, aumentando a quantidade de luz que chega ao solo. “Onde nós vemos uma mudança na luz, vemos uma mudança na diversidade”, disse a principal autora do estudo Elizabeth Borer, da Universidade de Minnesota, em um comunicado. “Nosso trabalho sugere dois fatores para os seres humanos mudaram globalmente, pastagem e adubação podem controlar a luz do nível do solo. Luz parece ser muito importante na manutenção ou perda de biodiversidade em pastagens” .

© 2014, Newsweek

EUA e a sua economia estagnada

em News & Trends por

A economia dos EUA parecia que mais uma vez iria desafiar os pessimistas e sair da sua rotina. Ajustado pela inflação, a medida do produto interno bruto que já atingiu uma taxa anual de 4,1 por cento, seguia no caminho certo para crescer acima de 3 por cento no último trimestre de 2013. Mas pelo jeito, tropeçou no meio do trajeto.

Dados recentes mostram que o produto interno bruto da economia downshifted teve um crescimento de apenas 2,4 por cento no final do ano passado, e não os 3,2 por cento inicialmente citado. Os economistas acreditam que o crescimento não vá continuar no atual trimestre, devido a uma variedade de razões, incluindo o tempo frio e gastos mornos dos consumidores.

Bem-vindo à economia de 2 por cento. Desde a Grande Recessão que terminou em 2009, a taxa de economia dos EUA cresceu em média 2,3 por cento. As agências governamentais já estão se conformando e acham que o crescimento medíocre vai continuar por algum tempo, na verdade, por um longo tempo…As previsões econômicas do Escritório de Orçamento do Congresso para a próxima década vê o crescimento médio do PIB de apenas 2,6 por cento ao ano a partir de agora até 2014.

Para entender o contexto desses miserê 2 por cento, desde o final da Segunda Guerra Mundial até 2013, a economia americana cresceu em média 3,3 por cento, inclusive nos bons e maus momentos do país. Para a maioria dos americanos, o crescimento lento significa um mercado de trabalho fraco, com pouca mobilidade e pouca chance de  salários mais elevados. A última vez que o mercado de trabalho dos EUA aqueceu foi na última metade da década de 1990. Naquela época, o PIB estava crescendo a uma taxa média anual de 4,5 por cento. Se a projeção do PIB estimado pelo Escritório de Orçamento do Congresso for de apenas 2,6 por cento, então o povo americano vai experimentar um gosto amargo jamais sentido antes.

Recentemente, o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers referiu-se à tendência de “estagnação secular”. A economia de 2 por cento dos EUA pode ter chegado pra ficar. E isso ocorrer por causa de alguns fatores-chave. Em primeiro lugar, as taxas de juros estão faz tempo no zero para que não existir flexibilização de crédito para estimular a economia. Em segundo lugar, não há vontade política de fazer o governo gastar para ajudar no crescimento econômico do país.

A longo prazo, porém, mais lento, o crescimento da população pode ajudar a manter a economia em baixa velocidade. A população crescente conduz a maior demanda por habitação e bens de consumo e serviços, exigindo o investimento empresarial e alimentando um ciclo virtuoso de crescimento. Registros apontam que o crescimento da população americana não chegou a 1 por cento nos últimos anos. Sem essa importante fonte de crescimento econômico, os EUA que sempre tiveram uma economia excepcional, pode ficar para sempre estagnada.

© 2014, Newsweek

EUA e Arábia Saudita: um abismo real

em News & Trends/Política por

Quando o presidente Barack Obama pousar na Arábia Saudita para uma visita de Estado no final deste mês, ele vai encontrar uma região bem diferente do Golfo Pérsico de um mês atrás, quando seus assessores anunciaram a viagem. A visita foi inicialmente concebida para fazer as pazes com os sauditas, os quais reivindicam a liderança do mundo árabe sunita, e outros países do Golfo que estão chateados com o degelo entre Washington e o Irã xiita. O presidente espera suavizar as relações com um dos aliados mais antigos da América no Oriente Médio e explicar melhor sua diplomacia com o Irã e seus vizinhos.

Nós “incentivamos os oficiais de todos esses países a se envolverem uns com os outros e esperamos resolver essas questões o mais rápido possível”, diz  o porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

Mas isto pode ser difícil. Não é um ano para o reinado de Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, que aos 33 anos de idade tornou-se o monarca mais jovem em uma região onde os governantes têm tipicamente o dobro de sua idade. O Qatar ainda tem de sinalizar se deseja ter relações mais diplomáticas com os seus vizinhos ou escalar a confrontação diplomática.

Em Riad, capital da Arábia Saudita, também, há uma série de estrelas em ascensão de terceira geração. Mas notavelmente, o ministro do Interior – o príncipe Mohammed bin Nayef – está ganhando poder no reino usando conexões de Washington como uma de suas ferramentas.

Ao voltarmos na década de 1990, Bin Nayef, agora em meados de seus 50 anos, iniciou uma amizade com o chefe do escritório da Agência Central de Inteligência, John Brennan, o diretor da agência atual. Bin Nayef também aproximou as relações com o secretário de Estado, John Kerry, assim como em uma visita a Washington  com o vice-presidente, Joe Biden, e a Conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice.

Enquanto Obama declara que Assad teve sua “legitimidade perdida” para liderar a Síria, os EUA se preocupam com os seus inimigos. Como disse a um oficial do governo recentemente: “Estamos preocupados com o crescimento do extremismo na Síria”. Mas enquanto ele acrescentou que “os EUA ainda continua a ver os sauditas como parceiros”, a maior parte das armas que fluem a partir do Golfo para o rebeldes anti-Assad vão para os “extremistas”.

Bin Sultan, que lidou com os esforços de Riad, na Síria, pode ser visto como o responsável, enquanto Bin Nayef está “mais interessado em sua própria ascensão ao poder do que na Síria”, diz Ali al- Ahmed, um dissidente saudita de Washington, que segue a política de Riad de perto. Washington, portanto, pode esperar que ele seja mais cooperativo na contenção ajudando os extremistas da Síria, segundo Ahmed.

Mas como um diplomata ocidental que costuma visitar Riad e outras capitais do Golfo me disse, os sauditas, como os do Catar, consideram Assad um fantoche do Irã.

Para lutar contra Assad e o Irã, disse o diplomata, o Golfo afirma que “olha ao redor e se perguntam: ‘Quem pode derrotar Assad? Qual oposição?”. Não houve confirmações em Teerã ou Riade, em resposta a relatos da mídia árabe que a Arábia Saudita convidou o presidente do Irã, Hassan Rouhani, para uma visita de Estado sem precedentes depois da partida de Obama.

Para complicar as coisas, os grupos rebeldes da Síria frequentemente lutam entre si. Fontes na Síria dizem que apoiam os sauditas, embora não necessariamente o governo, fornecem lutadores do Estado islâmico do Iraque e da Síria, enquanto os do Qatar apostam no rival Jabhat al- Nusrah.

A competição entre sauditas e o Catar é igualmente vista em todo o mundo árabe, onde Doha apostou em afiliadas da Irmandade Muçulmana, o que aumenta o medo em outras monarquias do Golfo. A irmandade assusta os poderes dominantes da Arábia Saudita, “porque oferece um modelo político de competição”, diz Ahmed, o dissidente saudita.

O Sheikh Tamim pode enfrentar a tempestade diplomática sem perder muito desse poder?

“Tendemos a olhar para estas monarquias através de perspectivas ocidentais. Examinamos as personalidades no topo”, diz Eran Segal, professor na região do Golfo da Universidade de Haifa, em Israel. “Mas a política é mais frequentemente decidida no seio das famílias dominantes, onde a construção de consenso é fundamental. “

Por isso, diz ele, os EUA podem achar Riad difícil de apaziguar. “Eu não posso ver o que as ideias concretas de Obama podem trazer para eles”, diz Eran. “A raiva deles foi despertada quando Obama se recusou a atacar a Síria depois de desenhar a sua linha vermelha lá. O quanto sua visita pode provocar uma mudança? “

© 2014, Newsweek

Quanto vale um amigo? Depende, o preço é por hora?

em Educação e Comportamento/News & Trends por

Precisa de alguém para ir ao cinema? Desesperado para conhecer um novo restaurante, mas não quer ir sozinho? Quer jogar conversa fora, mas não tem ninguém?

Boa notícia! Há alguém que gostaria de fazer todas essas coisas com você por um preço.

Nos últimos anos, os serviços on-line de “amigo de aluguel” têm crescido em popularidade, oferecendo aos usuários a chance de pagar – não sexualmente – pelo companheirismo. Os “amigos” determinam suas taxas, seja por atividades específicas ou por um determinado tempo, e os usuários têm a oportunidade de escolher a pessoa (ou a faixa de preço) mais adequada às suas necessidades.

RentAFriend, o mais popular desses sites, afirma ter muito mais de 500 mil amigos disponíveis em todo o mundo para tudo, de visitas a museus até companhia para praticar esportes radicais. Mas para entrar em contato com eles, os usuários precisam desembolsar uma taxa de adesão 24,95 dólares por mês.

Helen White, uma amiga de Boston, diz que recebe 20 dólares por hora apenas para fazer companhia. “Fomos a um concerto juntos”, diz ela contando sobre um passeio. “Contando tudo eu ganhei 60 dólares, além das bebidas que ele pagou. Na verdade, foi muito natural, não havia qualquer constrangimento, como se poderia esperar. Tivemos uma grande conversa”.

David Bakke, um amigo de Atlanta, teve experiências semelhantes. “A primeira vez que eu tive um jantar com uma mulher que estava na cidade a negócios, e no segundo eu fui a um jogo de basquete com um cara cujo amigo havia cancelado com ele há poucas horas”. “Ambas as vezes, Bakke, um escritor freelance, não quis receber a taxa desde que os clientes pagassem pelo entretenimento da noite.

Mas nem todos os usuários têm tais experiências positivas. Mikey Rox, proprietário da empresa Paper Rox Scissors, em Nova York, se inscreveu no RentAFriend, e diz que “nunca aceitou um pedido, por uma razão”.

Rox, 32 anos, diz que ficaria feliz de fazer companhia para alguém para passear, mas muitas das ofertas que recebeu foram de senhores gays significativamente mais velhos – Rox é gay – o fizeram ignorar algumas solicitações: “sempre senti que eles tinham segundas intenções, e eu tinha medo de que, até o final da noite, eles agissem como se fosse a hora de “começar a fazer o dinheiro valer a pena”.

Embora o site seja muito claro sobre a sua política de tolerância zero para os pedidos não platônicos, a experiência de Rox não é incomum.

Helen também recusou um candidato a amigo, pois “sentiu que ele estava basicamente querendo sexo”, por isso ela usa um pseudônimo em seu perfil (e neste artigo), a fim de proteger sua privacidade.

Embora seja impossível rastrear o número exato de mensagens “suspeitas” enviadas através do site. É provável que muitos usuários, como Rox, simplesmente as ignore. O grande número de advertências contra os pedidos não platônicos mostra que elas são um problema frequente para o site.

Além das preocupações potenciais de segurança, alguns profissionais de saúde mental questionam a premissa do site: a ideia de que a amizade seja algo que possa ser comprado.

A Dr.Carole Lieberman, uma psiquiatra de Beverly Hills, diz que a própria existência do RentAFriend é “uma condição muito triste sobre o estado das relações humanas”.

“A verdadeira amizade vem de experiências e valores compartilhados, e em amizades reais, os amigos são imparciais”, diz Lieberman. “Alugar a amizade é, em sua própria natureza, algo não confiável, desigual e temporário. Uma vez que você pare de pagar, a pessoa não vai mais estar com você, que é a antítese da amizade”.

“As pessoas estão cada vez mais afastadas uma das outras”, comenta a psiquiatra. “Elas saem juntos apenas para passar a noite grudadas ao celular. Se eu tivesse um paciente, considerando isso, eu ia trabalhar para descobrir em primeiro lugar o que está impedindo que ele conheça pessoas organicamente,  e trabalharia soluções para esse problema”.

Dadas as potenciais armadilhas de alguns desses serviços, as pessoas solitárias podem preferir o original rent-a-friend: Ben Hollis .

Em 1986, Hollis divulgou um vídeo intitulado “Rent-A-Friend”, que permite que os espectadores “interajam” com Sam, que fala sobre tudo, inclusive sobre as suas paixões no ensino médio, parando com frequência, a fim de “ouvir” as respostas dos espectadores.

O vídeo tem apenas 42 minutos de duração, e depois de algumas visualizações, Sam pode parecer um pouco previsível, assim como uma conversa com alguém que você não conhece ou que tenha alugado.

© 2014, Newsweek.

Como a China controla os exilados tibetanos

em Mundo/News & Trends por

Todos os telefones começaram a tocar ao mesmo tempo, ela se lembra. Eram chamadas de mais ou menos 20 pessoas em uma sala em San Francisco. O lugar entrou em erupção. “Alô? Alô?” Vozes estranhas vieram em seguida de alguns dos telefones. Após perceber que o sotaque daqueles homens era chinês, então, ouviu-se o som horripilante de gritos.

“Soou como se aquelas pessoas estivessem sendo torturadas”, lembra Lhadon Tethong, um líder ativista pela independência tibetana. Ela finalmente percebeu que os gritos eram falsos, os quais podiam ser gravações de um filme de terror. Mas para as pessoas mais velhas da sala naquele dia, em 2008, em San Francisco, as pessoas com memórias pessoais da repressão brutal da China no Tibete, esses gritos eram uma lembrança angustiante que não importa o quão longe eles se afastaram, podendo afetar suas vidas, mesmo vivendo nos Estados Unidos.

“Eles são muito agressivos”, diz I.C. Smith, um especialista aposentado do FBI da China. “Pequim persegue os tibetanos e outros grupos dissidentes aqui”.

O destino dos seis milhões de pessoas do Tibete, dispersas pela área seca da Ásia Central do tamanho do Texas e do Alasca combinados, parecem não merecer muita atenção. No entanto, como foi demonstrado mais uma vez recentemente, quando o presidente Obama se aproximou de Pequim, acolhendo o Dalai Lama na Casa Branca, o Tibete, nominalmente uma província autônoma chinesa, continua a ser uma parte importante do cálculo da Ásia Oriental em Washington.

Como parte da aproximação EUA-China, em 1972, o presidente Richard Nixon puxou a ficha sobre a resistência armada, mas o Departamento de Estado continuou a apoiar o Dalai Lama e seu governo, que fugiu para o exílio em 1959. A China ainda tem que integrar plenamente o Tibete em seu sistema, e sua diáspora, com sede na Índia, mas espalhada por todo o mundo.

No incidente de 2008, quando os tibetanos se reuniram em San Francisco para protestar contra tochas olímpicas dos Jogos de Pequim, Tethong, 37 anos, filha de um ex-ministro das Relações Exteriores diz à Newsweek que “os telefones foram bloqueados por cerca de três dias, quando mais precisávamos deles”. Ela e outros “sabiam” que os ataques vinham da China, mas só depois de uma parceria com o Lab Citizen da Universidade de Toronto, que monitora ataques de hackers, foi capaz de confirmar suas suspeitas.

“O que estamos trabalhando na tentativa de levar as pessoas a reconhecer é que o celular em seu bolso é a ferramenta de vigilância perfeita”, diz Tethong. “Você o carrega para qualquer lugar. Os hackers não só podem colher os seus arquivos, contatos e rastrear seus movimentos, como também podem ativar o seu microfone e câmera”.

“Um grupo de alto nível do Tibete, durante a sua reunião de diretoria anual há um ano, usava um laptop sobre a mesa para uma apresentação”, conta Tethong. “Alguém notou que a luz da câmera estava ligada. Isso é uma das coisas que temos visto ultimamente no mundo do malware: a capacidade de ligar e desligar câmeras”.

Com essas ferramentas, a intimidação física parece desnecessária, mas os agentes chineses aparecem frequentemente em eventos de exilados para tirar fotos de ativistas. “Outros se dizem ser jornalistas para obter detalhes sobre os manifestantes”, diz Tethong.  As agentes femininas, neste caso, são enviadas para seduzir ativistas masculinos.

Gabriel Feinstein, 24 anos, foi atraído para a causa do Tibete após ficar interessado no budismo quando era estudante de um colégio interno em Utah. Agora ele é um membro do Congresso Nacional Tibetano, um dos cerca de 200 grupos de apoio ao exílio em todo o mundo. “Todos os anos, desde 2009, quando eu organizava os protestos em frente ao consulado chinês em Chicago, as autoridades consulares chinesas tiravam fotos de vigilância e filmavam os manifestantes. Foi uma ocorrência comum em Chicago ter veículos conduzidos pelos manifestantes em carros que tinham placas diplomáticas, os quais eram claramente de ascendência chinesa”, explica Feinstein.

Toda vez que há uma reunião considerável de exilados, os homens de aparência chinesa apareciam para tirar suas fotos. Em 2012, em um protesto em Nova York, Feinstein notou um homem que parecia ser sem-teto usando “uma câmera Canon cara” para tirar fotos de manifestantes, e que os seguiu por toda a Times Square. Uma fonte depois, disse a Feinstein que o tal homem estava sendo pago pela missão diplomática chinesa em Nova York.

Da mesma forma, ao visitar um amigo em Toronto em 2012, Feinstein disse ter sido “seguido por dois cidadãos chineses em toda a cidade, do meu quarto de hotel até o caminho para o aeroporto”.

Procurada pela Newsweek, a embaixada da China em Washington disse não estar ciente dos relatos de assédio.

Já o FBI não quis comentar.

Os líderes do exílio esperam um aumento na vigilância nos próximos dias para os eventos que marcam o 55 º aniversário do levante contra o domínio chinês no mês de março. “Há marchas, vigílias – é um dia de grande reunião para a comunidade de exilados tibetanos”, diz Tethong.

E um grande dia para a China, uma vez que seus vigilantes também estarão lá.

© 2014, Newsweek.

Mulher-bomba: outra investida dos grupos radicais

em News & Trends por

Há alguns anos, na primavera de março, a estudante palestina, Ayat al-Akhras, apertou o botão no cinto amarrado a ela e detonou um artefato explosivo em um supermercado lotado em Kiryat HaYovel, Jerusalém.

Essa foi uma época de extrema violência sangrenta por toda Israel e nos territórios ocupados quando as pessoas se acostumaram com a brutalidade selvagem da segunda intifada – ou revolta.

O mais chocante sobre o caso Ayat foi uma moça tão jovem ser recrutada para tal ação. Aos 18 anos, ela foi a mais jovem “homem-bomba” da Palestina.

Uma de suas vítimas foi uma estudante israelense com apenas um ano mais nova do que ela, Rachel Levy. As duas meninas viviam a poucos quilômetros uma da outra na Cisjordânia e ambas tinham sonhos para o futuro, Ayat, inclusive, estava prestes a se casar.

Essas mortes foram uma lembrança dolorosa do poder de recrutar os mais vulneráveis ​​e marginalizados para organizações terroristas.

Ayat, uma aluna exemplar, tinha crescido desiludida com a vida no Dheisheh – um campo de refugiados – fora de Belém. Ela vivia com a mãe, o pai e 11 irmãos, testemunhando a humilhação da ocupação que cercava os limites da sua vida como membro da terceira geração de um povo deslocado.

Pouco tempo depois de sua morte, a mãe de Ayat disse chorando que não tinha ideia que sua filha, uma estudante com as melhores notas, tinha sido recrutada como um bombardeiro.

“Ela era uma boa menina”, disse a mãe de luto em sua casa escura dentro do campo.

Mas uma de suas irmãs disse: “Ela sacrificou sua vida para que as pessoas possam viver”. E na Al-Quds University na Cisjordânia, um lugar para o ativismo palestino, Ayat se tornou um ícone, uma heroína, uma libertadora de seu povo.

Em um ponto, as mães das duas meninas mortas se encontraram. Enquanto a reconciliação é uma palavra muito forte para essa reunião, elas conseguiram aceitar a perda dolorosa de cada uma. O presidente George W. Bush citou os assassinatos como uma ilustração da tragédia sem fim no Oriente Médio.

“Quando uma jovem de 18 anos de idade na Palestina é induzida a explodir-se e, no processo mata uma adolescente israelense de 17 anos, o próprio futuro está morrendo”, disse ele.

No mês passado, a imprensa libanesa informou que uma mulher síria identificada como Umm Jamal foi presa por autoridades da Líbia na cidade de Al-Nabi Sheet no Vale do Bekaa, por suspeita de colaboração com a Frente Al-Nusra, a organização terrorista islâmica sunita que luta contra o presidente sírio Bashar al-Assad.

Al-Nusra – ou “A Frente de Apoio ao Povo do Levante” – é um ramo da Al-Qaeda criado em janeiro de 2012, que opera na Síria e no Líbano. Ela tem sido citada como “a mais agressiva e bem sucedida” dos grupos rebeldes sírios.

Durante o interrogatório, Umm Jamal foi indiciada por ter confessado que estava procurando outras mulheres para recrutar a fim de ajudar a frente em “atos de sabotagem”. Poucos dias depois de sua prisão, Al-Nusra atingiu Bekaa novamente, desta vez por um homem-bomba que matou dois soldados sírios em um posto do exército em Hermel.

O mês de março marca os três anos desde que a guerra começou na Síria, contabilizando mais de mil dias de guerra. As conversas em Genebra acabaram com a esperança real de reconciliação diplomática e, apesar da aprovação da resolução 2139 do Conselho de Segurança da ONU sobre a assistência humanitária à Síria, a batalha no terreno é feroz.

Não existe força rebelde unificada, mas sim uma colcha de retalhos de grupos rivais, alguns conduzidos por ideologias radicais islâmicas e apoiados por forças fora da Síria.

Ativistas falam de uma “Primavera ofensiva”, em que os rebeldes vão tentar tomar Damasco, a capital da Síria, das mãos do regime de Assad. Isso significa mais recrutas de ambos os sexos, especialmente os estrangeiros, os quais também estão sendo recrutados para a causa.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos – um grupo de acompanhamento com base no Reino Unido – estima que existam cerca de 5 mil mulheres que lutam na guerra síria. Não está claro quantas delas são combatentes estrangeiras.

O Jornal britânico Daily Mail informou em janeiro que duas mulheres de origem britânica foram pegas no aeroporto de Heathrow levando dinheiro em suas roupas íntimas, a caminho do Oriente Médio.

De acordo com Lina Khatib, em Beirute, diretora do Carnegie Middle East Center, Al-Nusra recentemente começou a usar mulheres para transportar explosivos até o Líbano, pois levantam menos suspeitas entre os serviços de segurança ao longo da fronteira do Líbano com a Síria em áreas conservadoras como os redutos do Hezbollah, o principal alvo de Al-Nusra no Líbano.

“Esta não é a primeira vez que um grupo afiliado da Al-Qaeda recrutou mulheres para fins de jihadistas”, diz Khatib. “Isso mostra que Al-Nusra está buscando novas formas de sustentar sua série de ataques no Líbano que se destinam a pressionar o Hezbollah a parar o seu envolvimento militar na Síria em ajuda do regime de Assad”.

O que está impulsionando as mulheres para o campo de batalha?

“A guerra é o grande equalizador”, explica Shadi Hamid, do Brookings Institution. “Em lutas de libertação ou insurgências, muitas vezes as mulheres desempenham papéis importantes em caso de necessidade”.

“Pode ser no campo de batalha, mas também através de apoio logístico, espalhando a mensagem do grupo, e alcançando os recrutas potenciais. A luta tem precedência sobre os papéis de gênero tradicionais e pode ser considerada verdadeira até mesmo para grupos islâmicos radicais, como Nusra.”

Rafif Jouejati, um dos delegados da oposição síria nas resoluções de Geneva 2, diz que as mulheres pegaram em armas para o Exército Sírio Livre, já em 2011.

“As mulheres têm vindo trabalhar em várias funções durante a revolução: nas manifestações, para prestação de ajuda ou para lutar na linha de frente”, diz Rafif.

Enquanto costumava ser mais familiar ver mulheres marchando em manifestações do que na linha de frente – como a atriz Alawite Fadwa Suleiman, que se tornou conhecida por liderar um protesto de maioria sunita contra o governo de Assad em Homs – o número das que contrabandearam armas sob suas vestes religiosas diminuiu.

No início do ano, um comandante do Exército Sírio Livre confirmou que as mulheres vêm formando suas próprias brigadas. Nas áreas de Aleppo, mulheres curdas lutadoras desempenham um papel fundamental na segurança e foram treinadas em combate urbano.

Mas Al- Nusra, uma organização mortal que tem um papel crucial na divisão da oposição síria entre moderados e radicais jihadistas, está operando com uma agenda diferente, de acordo com especialistas. O que eles querem é um estado islâmico que seja governado pela lei Sharia.

“As mulheres desapareceriam. Nós seríamos cobertas da cabeça aos pés, como no Afeganistão, não poderíamos sair de casa e nossas filhas não poderiam estudar”, diz Kafa, uma mulher de 32 anos de Homs que teme o futuro se Al-Nusra ganhar uma posição mais substancial no país.

As mulheres estão operando a partir de ambos os lados da guerra síria. O governo de Assad emprega milícia de mulheres para executar verificações de segurança e postos de controle de pessoal.

A liderança da Chechênia descobriu que as mulheres são tão eficazes como assassinas, que são usadas ​​com mais frequência que os homens. As equipes de segurança dos Jogos Olímpicos de Sochi foram fortemente focadas em rastrear as chamadas “viúvas negras”, cujos homens tinham morrido na luta por uma Chechênia independente.

Depois de ter sido inspirada por tantas mulheres, outras estão tomando o seu lugar. Incluindo alunas que iriam imitar a adolescente suicida palestina Ayat al-Akhras.

No mês fevereiro, os restos mortais de Ayat al-Akhras foram devolvidos pelas autoridades israelenses para sua família, na Cisjordânia, após apelos persistentes de grupos de direitos humanos. Depois de 12 anos, sua família finalmente foi capaz de proporcionar à sua filha um funeral apropriado.

© 2014, Newsweek

O homem por trás da Bitcoin. Matéria na íntegra

em News & Trends por

Por Leah McGrath Goodman

Satoshi Nakamoto está no final da sua garagem e parece irritado.

Ele veste uma camiseta azul amarrotada, jeans e meias de ginástica brancas. Não colocou os sapatos como se tivesse saído com pressa de casa. Seu cabelo está bagunçado e parece que não dorme há algumas semanas.

O senhor Nakamoto não age com rebeldia, mas tem lutado há muito tempo – contra a negligência, inclusive – e agora enfrenta uma grave perda.

Dois policiais da Temple City, na Califórnia, do departamento do xerife, observam perplexos. “Então, sobre o que você quer perguntar a este homem?” Um deles me pergunta. “Ele acha que vai ter problemas se conversar com você”.

“Eu não acho que ele tenha problema”, eu disse. “Gostaria de perguntar a ele sobre a Bitcoin. Este homem é Satoshi Nakamoto”.

“O quê?” O policial se recusa. “Esse é o cara que criou a Bitcoin? Parece que ele está vivendo uma vida muito humilde”.

Eu vim aqui para tentar descobrir mais sobre o senhor Nakamoto e sua humilde vida. Parecia um absurdo o homem que inventou a Bitcoin – a moeda digital mais bem sucedida do mundo, com operações de quase 500 milhões de dólares em dias de pico – fosse querer se isolar na casa de sua família em San Gabriel de Los Angeles e deixar uma estimativa de 400 milhões de dólares em Bitcoin. A primeira resposta de Nakamoto quando bati à sua porta foi chamar a polícia. Agora cara a cara, com dois policiais como testemunhas, as respostas de Nakamoto às minhas perguntas sobre a Bitcoin foram cuidadosas, mas reveladora.

Tacitamente reconhecendo o seu papel no projeto Bitcoin, ele olha para baixo e categoricamente se recusa a responder ao que perguntava.

“Eu não estou mais envolvido nisso e não posso discutir sobre isso”, diz ele, descartando as perguntas com um golpe de sua mão esquerda. “Foi entregue a outras pessoas. Eles são os responsáveis ​​por isso agora. Já não tenho mais qualquer ligação.”

Nakamoto recusou a entrevista e a polícia deixou claro que a nossa conversa tinha acabado ali.

Mas uma investigação de dois meses, além de entrevistas com as pessoas mais próximas a Nakamoto e outras com as quais ele trabalhava no projeto da Bitcoin revelam os mitos que cercam a criptomoeda mais famosa do mundo. E os fatos são muito mais estranhos do que a ficção.

Longe de encontrar um garoto prodígio de Tóquio com o nome Satoshi Nakamoto, como uma cifra ou pseudônimo, a trilha levou a Newsweek até um homem japonês de 64 anos de idade, cujo nome realmente é Satoshi Nakamoto. Ele é alguém que cultiva um hobby pelo ferromodelismo e sua carreira é envolta em segredo, por ter feito trabalhos confidenciais para grandes corporações e também para as forças armadas dos EUA.

De pé na minha frente, com os olhos baixos, parecia ser o pai da Bitcoin.

Nem mesmo sua família sabia.

Existem vários Satoshi Nakamotos  na América do Norte – mortos e vivos – incluindo um designer de moda masculina da Ralph Lauren, em Nova York, e outro que morreu em Honolulu, em 2008, de acordo com o Social Security Index’s Death Master File. Existe até um do Japão que no LinkedIn afirma ter desenvolvido a Bitcoin. Mas nenhum desses perfis parecem se encaixar com outros detalhes conhecidos, alguns dos quais provaram ser verossímeis.

Há uma chance de “Satoshi Nakamoto” ser um pseudônimo, o que levanta a dúvida: por qual motivo alguém que deseja permanecer no anonimato escolheria um nome tão distinto. Após vasculhar um banco de dados, os quais continha os cartões de registro de cidadãos naturalizados norte-americanos, um Satoshi Nakamoto apareceu. Até pesquisar seus registros no Arquivo Nacional e realizar muitas entrevistas, uma imagem coesa começou a tomar forma.

Duas semanas antes do nosso encontro em Temple City, troquei um e-mail com Satoshi Nakamoto discutindo o interesse em atualizar e modificar os trens de modelo a vapor com tecnologias de desenho assistidos por computador. Consegui seu e-mail através de uma empresa onde ele costuma comprar trens.

Ele compra peças de trem do Japão e da Inglaterra desde que era adolescente. Formou-se em Física pela Universidade Politécnica do Estado da Califórnia, em Pomona. Mas ao contrário de seus irmãos, sua carreira é muito difícil de rastrear.

Nakamoto deixou de responder os e-mails que eu lhe enviava imediatamente depois que comecei a perguntar sobre a Bitcoin, no final de fevereiro. Antes disso, também perguntei sobre sua experiência profissional, uma parte pouco documentada no registro público. Só recebi respostas evasivas. Quando ele perguntou sobre o meu passado, eu lhe disse que ficaria feliz em contá-lo pelo telefone e te liguei para me apresentar. Enquanto não obtive resposta, pedi ao seu filho mais velho, Eric Nakamoto, 31 anos, se poderia tentar fazer seu pai falar sobre a Bitcoin. A mensagem voltou, ele não o faria. As tentativas através de outros membros da família também falharam.

Depois disso, Nakamoto desconsiderou os meus pedidos para falar por telefone e não retornou as ligações. No dia em que cheguei em sua modesta casa, o seu Toyota Corolla CE prata estava estacionado na entrada da garagem, mas ele não me atendeu nem no portão.

Em um momento, ele espiou, olhando pela fresta da porta e fez contato visual por alguns instantes. E então desapareceu. Essa foi a única vez que o vi antes dos policiais chegarem.

“Você quer saber sobre o meu incrível irmão físico?” Diz Arthur Nakamoto, o irmão mais novo de Satoshi Nakamoto, diretor de garantia de qualidade na Wavestream Corp, um fabricante de amplificadores de frequência de rádio em San Dimas, na Califórnia.

“Ele é um homem brilhante. Eu sou apenas um humilde engenheiro. Ele é muito focado e eclético em seu modo de pensar. Esperto, inteligente, domina a Matemática, Engenharia e os computadores. O que você pedir, ele faz”.

Mas também era muito cauteloso.

“Meu irmão é um idiota. O que você não sabe é que ele já trabalhou até em material confidencial. Sua vida foi um completo vazio por um tempo. Você não vai ser capaz de chegar até ele. Ele vai negar tudo. Nunca vai admitir ter projetado a Bitcoin”.

E com isso, o irmão de Nakamoto desligou.

Suas observações sugeriram que eu estava no caminho certo, mas isso não era o suficiente. Enquanto seu irmão sugeriu que Nakamoto fosse capaz de desenvolver a Bitcoin, eu não tinha certeza que ele sabia do assunto. Afinal, Arthur Nakamoto comentou que eles não se davam bem e não se falavam com frequência.

Eu simplesmente precisava falar com Satoshi Nakamoto pessoalmente.

A Bitcoin é uma moeda que vive no mundo dos códigos de computadores e pode ser enviada em qualquer lugar do mundo sem taxas de câmbio, como os bancos, e é armazenada em um celular ou um disco rígido para ser usada novamente. Já que a moeda está em um código, ela também pode ser perdida quando um disco rígido falhar, ou roubada se alguém acessar as chaves do código.

“Toda a empolgação por parte dos nerds sobre a Bitcoin é que ela é a maneira mais eficiente de fazer transações financeiras”, diz o cientista-chefe da Bitcoin, Gavin Andresen. Ele reconhece que a facilidade de uso da Bitcoin também pode facilitar o roubo e que é mais segura quando armazenada em um cofre ou em um disco rígido que não está conectado à Internet. “Qualquer um que tenta enviar dinheiro ao exterior pode ver como é muito mais fácil uma transação internacional com a Bitcoin. É tão fácil como enviar um e-mail”.

Mesmo assim, a Bitcoin é vulnerável ao roubo em massa, fraude e escândalo, uma vez que o preço de cada Bitcoin passou de mais de 1.200 dólares no ano passado para ínfimos 130 dólares no final de fevereiro deste ano.

A moeda tem atraído a atenção do Senado dos EUA, do Departamento de Segurança Interna, da Reserva Federal, Receita Federal, além da Rede de Execução de Crimes Financeiros do Departamento do Tesouro.

“Hoje o FBI é um dos maiores detentores de Bitcoins do mundo”, diz Andresen.

“Trabalhar no código do núcleo da Bitcoin é realmente assustador, na verdade, porque se você destruir algo, pode quebrar esse enorme projeto de 8 bilhões de dólares”, diz Andresen. “Foi o que aconteceu no passado”.

Por quase um ano, o cientista-chefe trocou mensagem com o fundador da Bitcoin algumas vezes por semana, muitas vezes dedicando suas 40 horas semanais para refinar o código Bitcoin. Ao longo de seus contatos, a maneira de se esquivar é a marca registrada de Nakamoto, diz o cientista-chefe.

Na verdade, ele nunca sequer ouviu a voz de Nakamoto, porque o fundador do Bitcoin não se comunica por telefone. Suas interações, diz ele, sempre ocorreram “por e-mail ou mensagem privada no fórum Bitcointalk“, onde os entusiastas se encontram online.

“Ele era o tipo de pessoa que, se você tivesse cometido um erro bobo, ele poderia chamá-lo de idiota e nunca mais falar com você de novo”, diz Andresen. “Naquela época, não estava claro que a criação da Bitcoin poderia ser uma coisa legal. Ele fez um grande esforço para proteger seu anonimato”.

Nakamoto também ignorou todas as perguntas do Andresen sobre de onde ele era, sua experiência profissional, que outros projetos  tinha trabalhado e se o nome dele era real ou um pseudônimo. “Ele nunca foi de falar muito. Só falava sobre código”, explica Andresen.

Andresen, um australiano formado em Ciência da Computação em Princeton, se tornou parte da equipe de programadores internacionais e de outros que trabalhavam como voluntários para aperfeiçoar o código Bitcoin, após seu lançamento pouco ambicioso em janeiro de 2009.

Após ouvir falar sobre a Bitcoin, em 2010, através de um blog, ele ofereceu ao senhor Nakamoto uma assistência no projeto. Sua mensagem inicial foi: “A Bitcoin é uma idéia brilhante, e eu quero ajudar. O que você precisa?”

Andresen diz que ele não deu muita atenção ao trabalhar para um inventor anônimo. “Eu sou um nerd”, diz ele. “Não me importo se a ideia veio de uma pessoa boa ou má. As ideias permanecem por elas mesmas”.

Outros desenvolvedores foram impulsionados pelo interesse, lucro ou política pessoal, diz ele. Mas quase todos ficaram intrigados com a promessa de uma moeda digital acessível a qualquer pessoa no mundo que pudesse ignorar os bancos centrais. Neste sentido, o lançamento da Bitcoin não poderia ter sido em hora melhor.

Em 2008, pouco antes do pontapé oficial da moeda, uma proposta de nove páginas encontrou seu caminho na Internet com o nome e endereço de email de Satoshi Nakamoto. “Dinheiro eletrônico, permitindo que pagamentos on-line fossem enviados diretamente entre o mesmo sistema, sem passar por uma instituição financeira”, com transações visíveis a todos.

O golpe de mestre estava substituindo o papel dos bancos como intermediários de confiança pelos usuários Bitcoin, que atuariam como sentinelas para a integridade do sistema, verificando as transações usando seu poder de computação em troca de moeda.

A produção da Bitcoin é projetada para se mover em um ritmo cuidadosamente calibrado para aumentar o valor e manter a inflação, reduzindo pela metade a sua quantidade a cada quatro anos, e é projetada para parar de proliferar quando as Bitcoins atingirem um total de 21 milhões em 2140. As Bitcoins podem ser divididas por até oito casas decimais, e as menores unidades são chamadas “satoshis”.

“Eu tenho a impressão de que Satoshi estava realmente fazendo isso por razões políticas”, disse Andresen, que é pago em Bitcoins – como outros desenvolvedores do núcleo de trabalho do Vale do Silício – pela Fundação Bitcoin, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para padronizar a moeda.

Ele não gosta do sistema que temos hoje e queria um diferente, mais igualitário. “Ele não gostou da ideia que os bancos e banqueiros estão ficando ricos só porque eles detêm as chaves”, conta Andresen.

Digitando algumas teclas contribui para os primeiros investidores da Bitcoin se tornarem ricos além da medida. “Eu fiz um pequeno investimento em Bitcoin e é realmente o suficiente para me aposentar hoje se eu quisesse. No geral, eu fiz cerca de 800 dólares por centavo investido. É uma loucura”, conta Adresen.

Uma das primeiras pessoas a começar a trabalhar com o fundador do Bitcoin em 2009 foi Martti Malmi, 25 anos, um programador de Helsinki, que investiu em Bitcoins. “Eu as vendi em 2011 e comprei um bom apartamento”, diz ele. “Hoje, eu poderia ter comprado 100 apartamentos”.

A comunicação com o fundador da Bitcoin foi se tornando menos frequente no início de 2011. Nakamoto parou de postar alterações no código Bitcoin e ignorou as conversas no fórum Bitcoin.

Andresen não estava preparado, no entanto, para a reação de Satoshi Nakamoto por uma troca de e-mail entre eles em 26 de abril de 2011.

“Eu espero que você não continue falando que sou uma figura sombria e misteriosa”, Nakamoto escreveu para Andresen, que, por sua vez respondeu: “Sim, eu também não estou feliz com o tom de pirata maluco por dinheiro”.

Então ele contou a Nakamoto que havia aceitado o convite para falar na sede da Agência Central de Inteligência. “Espero que, ao falar diretamente com eles e, mais importante, ouvir suas perguntas/ dúvidas, eles pensarão na Bitcoin do jeito que eu faço – como um dinheiro mais eficiente, menos sujeito aos caprichos políticos”, disse ele. “Não como uma ferramenta ‘mor’ do mercado negro que será usada por anarquistas para derrubar o sistema”.

A partir desse momento, Satoshi Nakamoto parou de responder aos e-mails e sumiu do mapa.

A família de Nakamoto o descreveu como extremamente inteligente, mal-humorado e obsessivamente reservado, um homem de poucas palavras que não se comunica pelo telefone, e raramente por e-mails. Na maior parte de sua vida tem se preocupado com as duas coisas pelas quais a Bitcoin se tornou conhecida agora: dinheiro e sigilo.

Nos últimos 40 anos, Satoshi Nakamoto não usou seu nome de nascimento em sua vida diária. Aos 23 anos, depois de se formar, mudou seu nome para “Dorian Prentice Satoshi Nakamoto”, de acordo com registros arquivados no Tribunal Distrital dos EUA de Los Angeles, em 1973. Desde então, ele não usou o nome Satoshi, mas assina como “Dorian S. Nakamoto”.

Descendente de Samurai e filho de um sacerdote budista, Nakamoto nasceu em julho de 1949 na cidade de Beppu, Japão, onde cresceu pobre – como na tradição budista – por sua mãe, Akiko. Em 1959, depois de um divórcio e novo casamento, ela imigrou para a Califórnia, levando seus três filhos com ela. Agora, aos 93 anos de idade, vive com Nakamoto em Temple City.

Nakamoto não se dava bem com o padrasto, mas a sua aptidão para a matemática e ciência era evidente desde cedo, diz Arthur, que também observa: “Ele é inconstante e tem passatempos muito estranhos”.

Logo após se formar na faculdade, Nakamoto foi trabalhar no departamento de defesa e comunicação eletrônica, na Hughes Aircraft, no sul da Califórnia. “Isso foi apenas o começo”, diz Arthur, que também trabalhou na Hughes. “Ele é a única pessoa que eu conheço que foi em uma entrevista de emprego e disse ao entrevistador que era um idiota – e depois provar isso”.

Nakamoto tem seis filhos. O primeiro, filho de seu primeiro casamento em 1980, é Eric Nakamoto, designer de animação e gráficos 3D, na Filadélfia. Seus próximos cinco filhos ficaram com sua segunda esposa, Grace Mitchell, 56 anos, que vive em Audubon, Nova Jersey, a qual conheceu Nakamoto em uma igreja em meados da década de 1980. Ela se lembra de que ele veio para a costa leste depois de deixar a Hughes Aircraft, agora parte da Raytheon, aos 20 anos e depois trabalhou para a Radio Corporation of America, em Camden, Nova Jersey, como engenheiro de sistemas.

“Nós estávamos fazendo projetos eletrônicos de defesa e comunicação para as forças armadas destinados aos aviões e navios de guerra do governo, mas era confidencial, eu realmente não posso falar sobre isso”, confirma David Micha, presidente da empresa agora chamada L-3 Communications.

Mitchell diz que seu marido “não fala muito sobre o seu trabalho” e, por vezes, assumiu projetos militares independentes. Em 1987, o casal mudou-se de volta para a Califórnia, onde Nakamoto trabalhava como engenheiro de computação nas empresas de comunicação e tecnologia em Los Angeles, incluindo o serviço de informações financeiras Quotron Systems Inc., vendida para a Reuters e Nortel Networks, em 1994.

Nakamoto foi demitido duas vezes na década de 1990 e contraiu muitas dívidas, pois hipotecou a casa e não conseguiu honrar os empréstimos, de acordo com Mitchell. Essa experiência, diz a filha mais velha de Nakamoto, Ilene Mitchell, 26, pode ter influência sobre a atitude do pai com os bancos e governo, os quais tomaram a casa onde a família morava.

Um libertário, Nakamoto incentivou sua filha a ser independente, iniciar seu próprio negócio e “não estar sob o controle do governo”, diz ela. “Ele era muito cauteloso com o governo, os impostos e as pessoas que tinham poder”.

Ela também descreve seu pai como um homem que trabalhou todas as horas, de manhã até tarde da noite. “Ele mantinha seu escritório fechado e não queria que nós mexêssemos em seu computador”, lembra ela. “Ele estava sempre antenado com a política e acontecimentos atuais. Ele adorava tecnologias novas e antigas. Ele construiu seus próprios computadores e ficava muito orgulhoso deles”.

Por volta de 2000, Nakamoto e Grace se separaram, embora nunca tenham se divorciado. Eles se mudaram de volta para Nova Jersey com seus cinco filhos e Nakamoto trabalhou como engenheiro de software para a Administração Federal de Aviação, em Nova Jersey, na sequência dos ataques de 11 de setembro fazendo a segurança das comunicações funcionarem, diz Mitchell.

“Foi muito sigiloso”, diz ela. “Ele deixou o emprego em algum momento de 2001 e eu não acho que ele tinha um emprego estável desde então.”

Quando o contrato com a Administração Federal de Aviação terminou, Nakamoto voltou para Temple City, onde durante o resto da década as coisas ficaram nebulosas sobre o tipo de trabalho que ele empreendeu.

Desde que a Bitcoin ganhou destaque, houve uma caça ao real Satoshi Nakamoto. Será que ele agiu sozinho ou estava trabalhando para o governo? A Bitcoin tem sido associada a tudo, desde a Agência de Segurança Nacional ao Fundo Monetário Internacional.

No entanto, em um mundo onde quase todas as grandes inovações do Vale do Silício parecem se envolver em ações judiciais sobre quem pensou nisso primeiro, no caso da Bitcoin, o fundador manteve-se silencioso durante os últimos cinco anos.

“Eu pude ver meu pai fazendo algo brilhante”, diz Ilene Mitchell, que trabalha para Partnerships for Student Achievement, em Beaverton, Oregon. “Mas honestamente não o vi sendo direto sobre isso. Qualquer pessoa normal agiria bem diferente. Mas ele não é totalmente uma pessoa normal”.

O irmão do meio de Nakamoto, Tokuo Nakamoto, que mora perto de seu irmão e mãe, em Duarte, Califórnia, concorda. “Ele é muito meticuloso no que faz, mas tem medo de se expor na mídia, então você terá que desculpá-lo”, diz ele.

As características de Satoshi Nakamoto, o fundador da Bitcoin, que encaixam com Dorian S. Nakamoto, o engenheiro de computação, são numerosas. Aqueles que trabalham mais de perto com o fundador da Bitcoin notaram várias coisas: ele parecia ser mais velho que os outros desenvolvedores e trabalhava sozinho.

“Ele não parecia ser uma pessoa jovem e influenciada por um grande número de pessoas no Vale do Silício”, diz o filândes protegido de Nakamoto, Martti Malmi. Andresen concorda: “o estilo de Satoshi escrever código era old school. Ele usou coisas como notação polonesa reversa”.

Além disso, o código nem sempre foi puro, outro sinal de que Nakamoto não estava trabalhando com uma equipe que teria limpado o código ou simplificando-o.

“Todos aqueles que olhavam para o código praticamente concluíam que era de uma única pessoa”, diz Andresen. “Nós reescrevemos cerca de 70 por cento do código desde o início. Ele não foi escrito com interfaces agradáveis. Era como uma grande bola de pelo. Foi incrivelmente comprimido e bem escrito no nível mais baixo, mas onde as funções se reuniam é bastante confuso.”

A proposta de Satoshi Nakamoto em 2008 também aponta sua idade, com a referência esquisita “espaço em disco” – algo que é mais um problema desde o milênio passado – e citações de pesquisa muito antigas.

O código da Bitcoin é baseado em um protocolo de rede que foi estabelecido há décadas. Seu brilho não é tanto no próprio código, diz Andresen, mas no design, que une funções para alcançar vários objetivos. A pontuação na proposta também é consistente com a forma como Dorian S. Nakamoto escreve, com espaços duplos após períodos e outras peculiaridades de formato.

Existe um debate entre aqueles que afirmam que Nakamoto escreve um “inglês curiosamente impecável” para um japonês, e aqueles que afirmam o contrário.

Em suas correspondências, as quais têm sido amplamente observadas, Satoshi Nakamoto alterna entre grafias britânica e americana. E, dependendo do público, adota um estilo mais formal. Graça Mitchell diz que seu marido faz o mesmo.

O uso do inglês de Dorian S. Nakamoto, diz ela, foi provavelmente influenciado por seu interesse ao longo da vida por colecionar modelos de trens, muitos dos quais eram importados da Inglaterra, quando ele era adolescente, enquanto ele ainda estava aprendendo inglês.

Talvez o paralelo mais convincente entre os dois Nakamotos são seus conjuntos de habilidades profissionais e a carreira. Andresen diz que Satoshi Nakamoto disse a ele sobre o tempo que levou para desenvolver a Bitcoin. “Satoshi disse que tinha trabalhando no projeto da Bitcoin anos antes de ele ter lançado”, diz Andresen. “Eu podia ver o código original, tendo pelo menos dois anos para escrever. Ele fez uma revelação de que havia resolvido algo que ninguém tinha resolvido antes”.

Dos três anos de silêncio de Satoshi Nakamoto, também se encaixam com os problemas de saúde sofridos pelo Dorian S. Nakamoto. Nos últimos anos, segundo a sua família: “Tem sido difícil, porque ele sofreu um acidente vascular cerebral há vários meses e antes estava lutando contra um câncer de próstata”, diz a mulher, que trabalha como enfermeira de cuidados intensivos, em Nova Jersey. “Ele não tem visto seus filhos nos últimos anos.”

Ela não conseguiu ouvir de Nakamoto se ele foi o fundador da Bitcoin. Eric Nakamoto diz que seu pai nega. Tokuo e Arthur Nakamoto acreditam que seu irmão vai deixar a verdade não confirmada.

“Dorian pode apenas ser paranoico”, diz Tokuo . “Eu não posso chegar até ele. Não acho que ele vai responder a qualquer uma dessas perguntas de verdade”.

Claro, nada disso responde a maior questão de todas – o que só Satoshi Nakamoto pode responder: O que o impediu de gastar suas centenas de milhões de dólares de Bitcoin, que colheu quando lançou a moeda anos atrás? De acordo com a sua família, tanto ele – quanto eles – realmente poderiam usar o dinheiro.

Andresen diz que se Nakamoto está tão preocupado com a manutenção de seu anonimato, quanto ele lembra, a resposta pode ser simples: ele não quer participar da loucura da Bitcoin. “Se você sair como o líder da Bitcoin, agora você tem que fazer aparições, apresentações e comentários para a imprensa, as quais realmente não se encaixam com a personalidade de Satoshi”, diz ele. “Ele realmente não quer levar isso adiante. Ele era muito intolerante à incompetência e também percebeu que o projeto iria continuar sem ele”.

Por outro lado, é possível que Nakamoto simplesmente tenha perdido as chaves de segurança para desbloquear suas Bitcoins. Andresen, no entanto, diz que duvida. “Ele era muito disciplinado.”

Por sua parte, Andresen diz que está disposto a respeitar o anonimato de Nakamoto. “Quando os programadores se reúnem, nós não falamos sobre quem Satoshi Nakamoto é”, conta. “Falamos sobre como deveríamos ter investido em mais Bitcoin. Estamos curiosos sobre o assunto, mas, honestamente, nós realmente não nos importamos”.

Sobre a possibilidade de seu pai também ser o pai da Bitcoin, Ilene Mitchell diz que não está surpresa se seu pai optasse em ficar por trás deste empreendimento, especialmente agora que está preocupado com a sua saúde.

“Ele é muito cuidadoso com a interferência do governo em geral”, diz ela. “Quando eu era pequena, tinha um jogo que costumávamos jogar. Ele dizia: ‘Finja que as agências governamentais estão vindo atrás de você, que eu vou me esconder no armário”.

© 2014, Newsweek

O caótico cenário da Justiça italiana

em Mundo/News & Trends por

Os caminhos da justiça italiana são infinitos. O caso de Amanda Knox e Raffaele Sollecito é o exemplo mais famoso, ou talvez notório.

Guido Trevisan, um negociante de arte de Veneza, morreu recentemente, próximo de chegar aos seus 103 anos. Contudo, viver assim por muito tempo não foi o suficiente para conseguir na justiça uma pintura que comprou em um leilão em 2001, já que um proeminente empresário italiano, Claudio Cavazza, afirmou que ladrões tinham roubado o quadro de sua casa em 1999.

O senhor Trevisan realmente nunca teve a obra em mãos, pois a pintura foi apreendida pela polícia logo após a venda e, em seguida, entregue ao Cavazza até que os processos judiciais terminassem.

O caso do quadro roubado desencadeou um processo que já se arrasta há 12 anos. O bastão foi passado para os herdeiros dos envolvidos e ainda não existe um veredito final.

O quadro em questão – estimado entre 27 mil e 32 mil dólares – chama-se Allegoria, de 1925, é do artista futurista Mario Sironi. A obra descreve um homem estilizado em vermelho com um martelo branco suspenso na altura de sua cabeça pronto para atacar.

Trevisan era um amigo de Sironi, um dos ícones da arte fascista, e sempre gostou de uma nostalgia curiosa para o regime que ele acreditava ter trazido para a Itália.

Em 2009, Trevisan ganhou o primeiro julgamento, mas seu adversário recorreu da sentença. O negociante respondeu comprando um anúncio de página inteira em um grande jornal italiano e recebeu milhares de cartas de solidariedade.

Ele estava com medo de que não vivesse o suficiente para participar da próxima audiência, inicialmente prevista para este ano. “Considerando sua idade, nós pressionamos a causa para levá-la adiante. O tribunal aceitou o nosso pedido após a confusão desencadeada pelo anúncio de jornal”, diz Simone Zancani, a advogada de Trevisan.

Mas foi Cavazza, não Trevisan, quem morreu primeiro, permitindo que o negociante ganhasse a custódia da imagem até a decisão final.

Em 2013, a Corte de Apelações de Roma foi, mais uma vez, a favor de Trevisan, mas era tarde demais. A sentença foi proferida alguns meses depois de sua morte.

“Meu cliente estava feliz”, disse Zancani. “Ele morreu com a pintura pendurada na parede de seu quarto, mesmo que fosse por um curto período de tempo”.

Esta não é a primeira vez que Trevisan encontrou-se no fundo da lama do sistema jurídico italiano. Ele era um litigante normal que também travou uma guerra contra a rede de transporte de balsa, em Veneza, quando um novo cais foi construído em frente a sua casa, bloqueando sua visão da Igreja Redentor.

De acordo com Zancani, o julgamento poderia ter terminado há muito tempo, ou melhor, nunca deveria ter começado: “Normalmente a polícia verifica todos os catálogos de leilões com antecedência para ver se existem quaisquer obras roubadas. Em 2011 eles não conseguiram fazer isso”, declara a advogada.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos multou repetidamente a Itália em milhões de euros pela duração excessiva dos seus julgamentos.

Os atrasos são causados ​​pela falta de juízes, burocracia, sentenças contraditórias e normas e procedimentos complexos, que podem ser facilmente manipulados por advogados. Há também uma deficiência de alta tecnologia nos tribunais, onde faltam computadores os documentos são perdidos. Alguns funcionários ainda usam o MS-DOS.

E há uma enorme quantidade de advogados italianos: mais de 250 mil, o maior número em qualquer país europeu, de acordo com a Associação dos Advogados Italianos. Eles se beneficiam dos longos processos? Será que exploram os atrasos?

“Não é verdade que um caso pendente seja rentável”, diz Markus Wiget, um advogado. “É até muito ruim para um colega ter que voltar e estudar o caso novamente a cada três meses”.

“Os advogados são como os médicos. Há bons e maus. Outros retardam os processos e inundam os tribunais com queixas inúteis, mesquinhas”, explica Markus. “O Tribunal de Milão recebe cerca de 1.200 casos por dia. Adicionem advogados ruins e juízes ruins que não fazem totalmente o seu trabalho, e é óbvio o porquê do sistema dar errado”.

Os advogados também se beneficiam do curto prazo de prescrição da Itália. “Centenas de milhares de ensaios expiram a cada ano”, conta Gino Scaccia, professor de Direito Constitucional na Universidade Luiss de Roma. “Se o estatuto de limitações for considerado, os advogados certamente acelerarão as causas”.

Outro aspecto que beneficia os advogados é a falta de “filtros” entre os três graus de julgamento antes de uma sentença ser definitiva. Qualquer pessoa acusada de qualquer tipo de ofensa, ainda que pequena, pode apelar para o Supremo Tribunal de Cassação.

“Nós temos uma dos maiores índices de litígio no mundo e advogados inescrupulosos tendem a explorar este mecanismo”, comenta Scaccia.

Como Dickens (1812-1870) – um romancista inglês muito popular da era vitoriana – escreveu há mais de 150 anos, os tribunais e juízes raramente têm de explicar o próprio sistema.

 (C) 2014, Newsweek.

Onde estão os protestantes da Igreja de Lutero?

em Educação e Comportamento/News & Trends/Opinião por

O pastor Johannes Block pode se considerar o sucessor de Martinho Lutero. Ele é o vigário da própria igreja de Lutero (St. Marien zu Wittenberg). A igreja é a Basílica de São Pedro do protestantismo.

Nela, Lutero pregou seus sermões incendiários contra a corrupção do Vaticano, que levou a Reforma e a ascensão do movimento protestante. É onde os primeiros pastores protestantes foram ordenados.

Mas em um domingo típico, Block vê entre 50 e 100 pessoas nos bancos: um pequeno número em uma cidade de 135 mil habitantes. Na verdade, em nenhum lugar na Alemanha a participação dos protestantes é mais baixa do que na terra natal de Lutero.

De acordo com Detlef Pollack, professor de sociologia religiosa na Universidade de Münster, 4 por cento dos alemães do leste protestantes frequenta regularmente a igreja atualmente, em comparação com 10 a 15 por cento em 1950.

No estado vizinho chamado Turíngia, a outra parte principal do “país de Lutero”, o número é de 23,6 por cento. Em um estado ocidental como Rheinland-Pfalz, por outro lado, 30,5 por cento da população é protestante, enquanto 44,5 por cento é católica.

“As pessoas achavam que a igreja iria crescer após o fim do comunismo, mas não aconteceu”, disse Block. 4.600 pessoas residentes da Turíngia e Saxônia- Anhalt cancelam sua filiação com a igreja a cada ano, enquanto 13 mil morrem. As mil pessoas que se tornam membros a cada ano não podem compensar.

[blocktext align=”right”]”Na República Democrática Alemã era difícil os pastores serem aceitos na sociedade”, disse Diethard Kamm, um pastor veterano que atua como bispo assistente encarregado da área.[/blocktext]

“Pertencer à igreja significava tomar uma posição para dizer: ‘Isto é o que eu acredito e eu assumo as consequências. Hoje as pessoas pensam: ‘eu sou senhor da minha própria vida, por que eu preciso da igreja? ’Mas em tempos de crise, por exemplo, quando a guerra do Iraque começou, as nossas igrejas se encheram de novo”, completa o pastor Diethard.

Como uma adolescente no final de 1980, Jana Fenn participou de um grupo de jovens cristãos em Jena, na Alemanha Oriental, pois “você poderia dizer coisas lá que não podia na escola, e você aprende coisas lá que não aprende na escola”.

Mas um dia, Fenn disse, seu professor queria conversar: “Ele perguntou: ‘O que você faz as sextas à noite?’ Eu disse que ia para o grupo de jovens cristãos. Então ele perguntou quem mais ia comigo e o que fazíamos”.

Mas hoje Fenn já não pertence mais a igreja. “Eu vou aos cultos de vez em quando, mas a igreja não tem um papel importante na minha vida”, diz Fenn. “Hoje já não significa mais nada pra mim. Eu poderia muito bem me juntar ao Greenpeace”.

Pollack acrescenta que “diferentemente dos protestantes, os católicos criticam sua igreja mais vocalmente, embora também sintam uma ligação muito forte. A igreja protestante é vista mais como uma instituição que constrói creches e oferece serviços sociais”.

Quem poderia criticar tais valores benignos? Esse é exatamente o problema dos luteranos. “As pessoas não sabem exatamente o que a igreja representa. Estão tendo dificuldade em se diferenciar de outras organizações da sociedade civil, a partir de sindicatos ou partidos políticos, diz Pollack.”

Como aumentar uma igreja que está cada vez menor, é outra questão. Ilse Junkermann, a bispa encarregada da Turíngia e Saxônia- Anhalt, vê grande potencial na música da igreja: “Metade dos membros em nossos coros não é membro da igreja” Ilse observa. “A música de Bach, por exemplo, é como um curso na fé cristã. Estar em um coro dá-lhe um pertencimento à comunidade”.

Enquanto o Papa Francis está desfrutando de popularidade global, pastores como Diethard Kamm continuam o seu trabalho pesado. Apesar das dificuldades, Kamm diz que ainda ama seu trabalho.

Se ele conheceu o Pai da Reforma hoje, o pastor comenta que diria que não concorda com algumas das coisas que Lutero escreveu, sua opinião sobre os judeus. Mas o agradeceria pela Reforma.

© 2014, Newsweek

Onda de protestos gera prisões em diferentes partes da Rússia

em Mundo/News & Trends por

Em fevereiro deste ano, oito pessoas foram condenadas em um tribunal de Moscou e vão cumprir entre dois anos a quatro anos de prisão. Eles são o primeiro dos dois grupos a ser setenciados no maior julgamento político russo do último meio século. Todos eram acusados de atacar policiais durante uma marcha em 6 de maio de 2012. Os acusados ​​parecem ter sido escolhidos quase aleatoriamente para dissuadir as pessoas do protesto.

A Revolução de neve (Snow Revolution, em inglês) começou em dezembro de 2011, quando milhares de pessoas foram às ruas de Moscou e outras cidades russas para protestar contra eleições fraudulentas e a presidência aparentemente interminável de Vladimir Putin. Tanto os organizadores quanto a polícia temiam a violência. Os ativistas e policiais rapidamente aprenderam a cooperar, negociando a colocação de barreiras e detectores de metal temporários.

Em 6 de maio, véspera da posse de Putin, as pessoas se reuniram lentamente. Muitos vieram com as crianças, por isso, se alguém olhasse para além da coluna dos manifestantes que lideraram o caminho, a reunião parecia um vagaroso passeio de família em fim de semana.

Para um recém-chegado, a configuração pode ter parecido estranha: o protesto aconteceu em uma área isolada e não podia haver espectadores casuais, exceto os moradores dos prédios no caminho da marcha. Ninguém que não participasse do protesto jamais iria ouvir a mensagem do grupo. A polícia permitiu que o protesto fosse realizado dentro de uma rota exata, com tempo e até mesmo número de participantes pré-definidos. Desta forma, ninguém seria preso ou espancado.

No início nada aconteceu. Durante quase uma hora, algumas pessoas ficaram sentadas na calçada. Então, muitas coisas começaram a acontecer rapidamente. Alguns manifestantes quebraram o cordão de isolamento em um ponto. A polícia, então, se adentrou no meio da multidão. Um coquetel molotov foi jogado e chegou a queimar as roupas de um manifestante. O fogo foi apagado e bombas de fumaça foram lançadas. Os policiais prenderam muitas pessoas escolhendo os homens para fora da multidão. Uma série de pequenos tumultos foi tomando grandes proporções. O palco tinha sido destruído assim como todos os equipamentos de som.

A repressão russa havia começado. Dentro de semanas, novas leis severas restringiram o direito de reuniões públicas, instituindo multas de até 580 dólares. Foi então que as prisões começaram.

Nos últimos 11 meses, as pessoas condenadas passaram quase todos os dias úteis no tribunal. Uma longa fila de policiais testemunhou como vítimas ou testemunhas. O que se tornou confuso quando cada um deles contou sua versão, deixando de identificar o réu ou responder às perguntas mais simples, como por que a testemunha alega ter sido atacada por um réu durante a tentativa de prendê-lo, sendo que havia um vídeo mostrando um dos réus sendo detido por outra pessoa.

“No começo eu pensei que este caso todo era algum tipo de mal-entendido”, disse Dukhanina, uma estudante universitária de 18 anos, em sua declaração final. “Mas agora que eu tenho ouvido discursos de acusação, percebi que eles estão tomando sua vingança sobre nós. Eles estão nos punindo por ter estado lá e ter visto o que realmente aconteceu. Os policiais estão nos punindo por não ceder e nos declararmos culpados de crimes que não cometemos”, finaliza Dukhanina, que também é ativista ambiental.

Enquanto as sentenças eram lidas, 234 pessoas – cerca da metade do número de pessoas que saíram para apoiar os réus – foram detidas em frente ao tribunal. Neste dia, mais de 400 pessoas foram detidas no centro de Moscou em um protesto não autorizado contra a sentença. Todos foram acusados ​​de violar as leis, o que significa um tempo na prisão para mais um grupo de manifestantes.

© 2014, Newsweek
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