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News & Trends - page 212

Lavagem de dinheiro não era crime no México…até agora

em Educação e Comportamento/Mundo/News & Trends/Política por

Há três anos, todos os estados mexicanos concordaram em reforçar as medidas para impedir a lavagem de dinheiro como parte da guerra contra as drogas e  uma estratégia para atacar os cartéis de outras frentes, impedindo as vias de seus financiamentos. No entanto, nem mesmo a metade do país tinha realmente tomado tais medidas para torná-las uma realidade: dos 31 estados mexicanos, apenas 14 listaram a lavagem de dinheiro como um crime.

Além disso, apenas cinco estados criaram uma Unidad de Inteligencia Patrimonial y Económica (Unidade de Inteligência Patrimonial e Econômica), e desses, apenas dois estavam operando ativamente. Os esforços teóricos conjuntos do país para prender uma das principais atividades criminosas foi, para todos os efeitos, uma explosão.

O atual presidente do México, Enrique Peña Nieto, decidiu tomar medidas para a questão. Quando tomou posse, em dezembro de 2012, já havia um projeto de lei conhecido como lei antilavagem, que teve como objetivo “contribuir para o desenvolvimento de uma economia saudável, transparente e de investimento acessível”, de acordo com os seus promotores.

A lei foi aprovada em julho de 2013, especificando que cada estado mexicano poderia aplicá-la em seu próprio ritmo – o que resultou em um cenário jurídico heterogêneo que ainda favoreceu a prática ilícita.

A questão não foi fácil de resolver. Segundo números do Ministério das Finanças do México, a lavagem de dinheiro resultou em um rombo de 10 bilhões de dólares por ano. A Stratfor, uma empresa de consultoria geopolítica, com sede nos EUA, no entanto, informa que o montante anual seja de 39 bilhões de dólares.

A lei, que é um compromisso do governo do México, com o grupo Financial Action Task Force, torna ilegal fazer qualquer transação de mais de 40 mil dólares em dinheiro. As empresas são obrigadas a informar alguma atividade financeira “incomum”. O problema é que o dinheiro ainda é largamente utilizado como forma de pagamento em muitos campos legítimos no México.

“A pesca, por exemplo, ainda é baseada em dinheiro em espécie”, diz Angélica Ortíz, consultora de Direito Penal em um escritório localizado na Cidade do México. “E isso não significa necessariamente que o dinheiro vem de meios ilícitos”.

Os setores que o governo considera alvo para a lavagem de dinheiro são: joias, imóveis, carros e vendas de arte.

De acordo com a Unidade de Inteligência Financeira do Ministério das Finanças, em 2013, havia 1,5 milhões de relatórios de transações em dinheiro, dos quais 16 mil eram operações “incomuns”. Apenas seis desses relatórios foram investigados a respeito da lavagem de dinheiro.

Então, o que pode ser feito para evitar transações ilícitas? Orbelín Pérez, diretor-executivo do Buró de Seguridad y legalidad Financiera, disse que, em primeiro lugar, os estados precisam identificar a lavagem de dinheiro ilegal.

Pérez voltou-se para o estado do momento, Michoacán, para dar um exemplo. “Se Michoacán tivesse uma unidade, o estado teria, no mínimo, informações sobre as propriedades que os Templarios (um cartel) têm”, diz ele, argumentando que essas propriedades tenham sido adquiridas como uma forma de lavagem de dinheiro.

Com tais informações, seria mais fácil de rastrear e apreender os bens, uma vez que o objetivo é arrastar o poder longe deles.

Pérez diz que um problema adicional seria se a maioria dos bens estivessem em nomes de terceiros. “Se uma Unidade (de Inteligência Patrimonial e Econômica) fosse instalada, o Exército não teria que intervir”, ressalta.

O governo federal tem a sua própria Unidade, inaugurada em 2011, com um investimento de 18 milhões.

Os estados com uma Unidade em funcionamento, como Guerrero e Zacatecas, têm relatado um aumento entre 20 e 30 por cento na apreensão de atividades ilícitas. Os estados de Sonora, Colima e Sinaloa têm as Unidades ainda em construção.

Os restantes 26 estados ainda precisam começar a sua própria luta contra a lavagem de dinheiro, mas não devem adiá-la por muito mais tempo. A partir do dia 19 de fevereiro, a lavagem de dinheiro é um crime federal, conforme aprovação unanime pelo Senado mexicano.

©IBTimes, 2014.

As ações do Twitter na bolsa de valores são arriscadas?

em Negócios/News & Trends por

Depois de todo a excessiva divulgação em torno da oferta pública inicial (IOP –Initial Public Offering, em inglês) feita pelo Twitter no ano passado, o serviço de mídia social relatou um final decepcionante em 2013. Com o número de usuários diminuindo – tanto nos EUA como em outros países –  investidores foram surpreendidos e venderam as ações que caíram 24 por cento no primeiro dia depois que seus ganhos foram liberados. No entanto, mesmo após a recente correção de preços, as ações do Twitter mantiveram a sua alta valorização.

A empresa divulgou uma enorme perda de 511 milhões de dólares, mas excluindo os custos de ações outrora associadas ao IOP, o ​​Twitter teve um lucro modesto de 10 milhões de dólares. Isso é pequeno comparado ao seu valor no mercado de ações, que está em torno de 27 bilhões de dólares.

O Twitter tem um longo caminho a percorrer e muito a oferecer para viver de acordo com expectativas tão altas. Ninguém sabe realmente quanto dinheiro ele vai ganhar ou quando. Enquanto o Twitter mostra sinais de aumento da receita com publicidade, o crescimento no número de usuários diminuiu especialmente na bolsa de valores dos EUA, que passa por momento críticos. No momento, possuir ações do Twitter parece um pouco com o triunfo da esperança sobre a experiência.

© Newsweek, 2014.

O Irã após o acordo provisório em Genebra

em Mundo/News & Trends por

Adicione isso à lista de preocupações sobre o estado decadente das sanções internacionais contra o Irã: a autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas e em particular, a sua capacidade de impor sanções contra indivíduos em todo o mundo estão sendo desafiadas – pela Europa.

Os críticos da forma como a Casa Branca conduz a diplomacia com o Irã usaram as audiências no Capitólio esta semana para detalhar “o plano de ação” acertado em novembro de 2013. O plano é um acordo provisório assinado em Genebra, entre o Irã e seis potências mundiais, para limitar as ambições nucleares iranianas – as quais minam pressões econômicas contra a República Islâmica.

“A economia do Irã estava virando em direção a zona vermelha”, disse Mark Wallace, o diretor executivo da United Against Nuclear Iran, ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara.

Isso faz com que as sanções econômicas e comerciais respeitem a vontade do Conselho de Segurança. Agora, porém, mesmo essas estão sendo enfraquecidas.

No início deste inverno, o Tribunal Geral da União Europeia anulou as decisões da UE para congelar os ativos de um banqueiro iraniano e de sete bancos e seguradoras ligadas ao programa nuclear do país. Tais sanções impostas, de acordo com o tribunal, foram baseadas em indícios insuficientes de irregularidades.

Nesta decisão – bem como nas anteriores sobre casos relacionados com as sanções da União Europeia com base em resoluções da ONU – o tribunal determinou que, usando o Capítulo Sete para impor sanções aos indivíduos, o Conselho de Segurança agiu arbitrariamente como juiz e júri.

As decisões têm mudado as tendências do Direito Internacional, basicamente por exigir mais responsabilidade do Conselho de Segurança, que até agora era considerada a autoridade máxima sobre essas questões.

“Na nossa visão das relações internacionais, ninguém deve desafiar o Capítulo Sete”, disse um diplomata da ONU, que falou sob a condição do anonimato. “Para os tribunais da UE, o Conselho de Segurança não é mais Deus”, acrescenta.

Vários diplomatas estão preocupados com as consequências de satisfazer a exigência dos tribunais europeus por mais transparência. Os países que fornecem listas de indivíduos e empresas que são alvo de sanções, segundo esses diplomatas, seriam forçados a revelar as suas fontes de inteligência. E que os organismos internacionais, acrescentam, não são necessariamente de confiança quando se trata de tais informações.

Como uma medida parcial, em 2010, a ONU nomeou um ombudsman que pode recomendar a exclusão de pessoas ou empresas visadas pelo Conselho de Segurança para as sanções. Porém, alguns críticos “ainda se queixam de que não há recurso formal legal para tal atividade, uma vez que as informações de inteligência não poderem ser exibidas publicamente”, disse Ruth Wedgwood, professora de Direito Internacional na Universidade Johns Hopkins.

As novas “sanções inteligentes”, como eram chamadas, começaram quando os telejornais retrataram o sofrimento das pessoas comuns no Iraque de Saddam Hussein, que estavam sob um regime de sanções pesadas no momento.

Se os tribunais europeus agora invertessem essa tendência, “iremos voltar às sanções que são indiscriminadas e de longo alcance”, diz Ruth.

Por outro lado, Ruth acrescenta que há “sanções desgastadas” ao redor do mundo. O Irã, por exemplo, pode alavancar as decisões da União Europeia, bem como a flexibilização parcial das sanções contidas no acordo de Genebra, para criar buracos no regime das sanções globais.

No Capitólio, esta semana, vários críticos da administração do governo Obama acrescentaram que o acordo provisório de Genebra poderia promover danos às sanções que foram aplicadas com base nas resoluções do Conselho de Segurança, mas que, sob pressão americana, sufocaram a economia iraniana ao longo dos últimos anos.

Decisivamente, assim como o acordo com a Rússia está pendente, o mercado de petróleo do Irã está, no entanto, revivendo. Esta semana, como informou a Reuters, o Japão tornou-se o primeiro país a fazer um pagamento de importações de petróleo sob uma disposição do acordo de Genebra, que permite o Irã para acessar 4,2 bilhões de dólares em receitas de petróleo que foram previamente congeladas no exterior.

Em outubro de 2013, pouco antes do acordo de Genebra ser firmado, as exportações de petróleo do Irã atingiram mínimos históricos de 761 mil barris por dia. Desde então, eles subiram 60 por cento, alcançando 1,2 milhões de barris por dia este mês.

A Casa Branca acredita que, por enquanto, conseguiu parar o ímpeto de um projeto de lei do Senado que ameaça as sanções futuras contra o Irã e se chegar a um acordo final, acabará com a sua busca por armas nucleares. A administração pode, portanto, perceber que tal ameaça é a única maneira de convencer o mundo – e o público norte-americano – que, enquanto o Irã não está desarmado, os Estados Unidos estão determinados a manter a pressão.

 © 2014, Newsweek.

Copiar uma lei e não cumprir é a nova matéria das Universidades Americanas

em Mundo/News & Trends por

Em 2011, Julia Dixon cursava pós-graduação na Universidade de Akron, em Ohio e começou a fazer uma pesquisa para registrar queixas contra o mau uso dos casos de violência sexual da Lei Federal Clery. Na última terça-feira, ela apresentou dados que afirmam algo assustador: a universidade tem coagido vítimas de estupro para retirar as acusações, entre outras queixas, a lei não consegue relatar com precisão os assaltos ocorridos nas acomodações dos alunos.

Após Dixon ser estuprada por um aluno dentro da uma sala da universidade em 2008 na sua primeira semana como caloura, ela imediatamente chamou a policia do campus e foi para o hospital local. Só que ao invés de receber o apoio necessário que está no manual de política da escola aos alunos, Dixon foi incentivada por um detetive da Universidade de Akron manter o caso em sigilo absoluto, alegando que um advogado de defesa poderia fazer com que ela tivesse provocado o estupro para chamar atenção.

Até o momento a polícia tem seu kit de estupro (usado para reunir e preservar as provas após uma acusação de agressão sexual). 20 meses mais tarde, o estuprador de Dixon não estava mais na escola. Em 2010, ele foi declarado culpado de duas acusações: contravenção de imposição e de violências sexuais.

Dixon já estava com raiva dos administradores da universidade serem mal informados sobre os protocolos oficiais da escola para relatar a má conduta sobre casos de agressões sexuais, mas ao ler os documentos com mais calma enquanto escrevia sua queixa federal, uma outra surpresa desagradável apareceu para deixá-la mais chocada, pois Dixon descobriu que grandes trechos pareciam ter sido copiados, muitas vezes de forma literal de políticas de outras faculdades e, para piorar, em alguns casos, a política da Universidade de Akron oferecia opções que não estavam realmente disponíveis no campus.

“Foi uma sensação horrível quando eu percebi que eles não estavam seguindo a sua própria política, mas agora eu tenho certeza que eles são completamente ignorantes sobre o que está escrito neste documento inteiro”, diz Dixon.

Organizações como a Associação Americana de Professores Universitários liberam regularmente as políticas e os procedimentos sugeridos com base em resultados de pesquisas e leis federais que as universidades devem utilizar como referência. Mas uma coisa é compartilhar as melhores práticas e outra é executá-las através da máquina de cópia, dizem os especialistas.

“Se eles estão copiando e colando, seria bom se lessem primeiro”, brinca Scott Berkowitz, presidente e fundador da Rede Nacional do Estupro, Abuso e Incesto. É bom para as escolas que políticas sejam semelhantes , diz ele, mas ” o certo é que os administradores se importem o suficiente para adaptá-lo ao seu campus”, acrescentando que um dos valores de colocar estas políticas em vigor é que ela obriga os administradores de alto escalão a debaterem e discutirem as políticas de agressão sexual. “Se uma política parece ser copiada sem edições individualizadas, sugere que não conseguiram alcançar o nível adequado de pensamento e de conversa”.

Supostas inconsistências são mais prejudiciais e difíceis de definir. Ambas Universidades, de Akron e de Miami usam a política de que os alunos podem apresentar uma acusação disciplinar e uma acusação criminal, ao mesmo tempo, embora também possam registrar uma reclamação disciplinar sem perseguir acusações criminais. Dixon diz que não é o que lhe foi dito. Em vez disso, os Assuntos Estudantis Judiciais dizem que seria difícil para ela provar-lhes que foi estuprada porque a polícia não tinha todas as evidências, de modo que,  seria inútil ter uma audiência judicial. E enquanto as duas políticas salientarm que “o apoio e os recursos da vítima” estão disponíveis, mesmo que os alunos não prestem queixa, Dixon diz que nunca ofereceram alguma acomodação, mesmo depois que ela foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático por um psiquiatra da universidade – na verdade, sua bolsa foi cancelada devido a sua ausência não justificada.

Dixon diz acreditar que a política da Universidade de Akron não é apenas “enganadora, mas é parcialmente plagiada” e mostra “que as instituições estão mais interessadas em aparecer para cumprir a lei do que realmente cumpri-las para ajudar os seus alunos” – consultores legais de agressão sexual e defensores concordam com ela.

Das  300 políticas de agressão sexual pesquisadas entre 2007 e 2012 pelo Accountability Project Campus (banco de dados on-line nacional das políticas de agressão sexual em instituições de ensino superior dos Estados Unidos), quase 80 por cento recebeu uma nota C ou inferior e nenhum recebeu maior do que um B. Quase um terço das políticas não foram encontrados para cumprir a lei federal. “Embora a maioria das políticas de emprego no banco de dados de campanhas de sensibilização, redução de risco (90 por cento) e iniciativas de segurança (75 por cento), são esforços não eficazes para tratar as causas profundas da violência sexual “, disse o relatório.3

Tracey Vitchers, coordenadora de comunicação dos estudantes ativos para acabar com Estupro, diz que as acusações de Dixon destacam porque recentemente o presidente Obama fez uma força-tarefa para atender as agressões sexuais nos campus estudantis. “Cada escola enfrenta desafios diferentes com base em seu tamanho, localização e os recursos disponíveis”, explica ela . “Se uma política não é adequada para o campus , não vai ser suficiente para os sobreviventes daquela comunidade”.

As reclamações continuam rolando desde o anúncio de Obama, funcionários e alunos da University of Texas Pan-americana também apresentaram queixas contra suas escolas federais na última terça-feira. O ex- universitário é acusado de violar tanto a Lei Clery quanto a lei de equidade geral federal. O Departamento do Escritório de Direitos Civis de Educação teve 39 investigações  pendentes envolvendo denúncias de violência sexual em instituições de nível superior, eles recebeu 23 reclamações referentes ao ato Clery em 2013 e impôs oito multas, no total de 1.450 mil dólares.

Denine M. Rocco, vice-presidente associado da Universidade de Akron e decano dos estudantes, afirma que a criação da política de agressão sexual da escola era um “esforço conjunto” compartilhado entre “um número” de escritórios, incluindo o decano dos estudantes, o Gabinete de Conduta do Estudante, o coordenador do Título IX e do Gabinete do Conselheiro Geral, e que a escola “absolutamente partilha a informação” com campus em todo o país e em Ohio. Ela não tinha certeza de como muitas vezes a política era atualizada, não podendo comentar sobre outras alegações de Dixox, já que ela ainda não tinha recebido a queixa Clery.

Claire Wagner, porta-voz da Universidade de Miami, diz que a escola atualiza sua política de agressão sexual no mínimo uma vez por ano e não se importa se a Universidade de Akron foi inspirada por seu protocolo . “Estamos todos à procura de melhores práticas”, diz ela. “Eu não me sinto mal, se é verdade que eles estão copiando algumas de nossa escritas”.

É bom rever a política de outras escolas como um ponto de partida, diz Dee Spagnuolo, sócio do departamento de contencioso da Ballard Spahr que aconselha faculdades e universidades nas questões de agressão sexual e má conduta, mas as políticas devem ser adaptadas à cultura e necessidades da sua própria escola; uma política não pode ser apenas “legalmente suficiente”.

Akron está “copiando uma política que parece ótimo para as vítimas, mas não está cumprindo “, diz Dixon. “É propaganda enganosa”.

© 2014, Newsweek.

Falando de futebol

em News & Trends por

Eu não sei quantas palavras os esquimós usam para definir a neve, mas na minha conta, existe pelo menos 73 maneiras de narrar um jogo de futebol.

O gol é ato fundamental do futebol, bem como a existência de tantas palavras para descrever o nosso desejo que envolve todos os aspectos do jogo. Os 90 minutos de uma partida são diminuídos pelas horas que passamos assistindo a escalação e depois secando o adversário, recolhendo ao longo dos rumores de transferência, controvérsias disciplinares, diagnósticos cognitivo-comportamentais, avarias estatísticos, e micro análises táticas.

O clichê de futebol tornou-se minha obsessão pessoal. Acho que alguns são irritantes, outros encantadores. É esta relação complicada com a linguagem do esporte me inspira há sete anos. Você ouve os clichês em qualquer lugar onde uma bola está rolando, mas na maioria das vezes, é o comentarista de televisão que são os maiores culpados por causar e criar os famosos clichês do futebol.

Eles são sintomáticos da mediocridade da cobertura do futebol moderno, mas nem todos esses clichês trazem uma falta de pensamento original. Em um século e meio, nada foi encapsulado nas oscilações imprevisíveis de um jogo de futebol de forma mais sucinta do que “um jogo de duas metades”, tornando-se um clichê. Outras palavras e frases bem-vestidas contêm alguma verdade, mas isso não significa que não vão fazer seus ouvidos sangrarem.  Um pouco de sabedoria indiscutível que levanta a questão: quando não é? Os jogadores de futebol preferem fazer passes e desarmes do que falar sobre eles, e os clichês do futebol lhe dão algo seguro a dizer, antes de voltarem aos seus fones de ouvido. A pontuação na tabela é  “sempre legal “. A vitória foi ” bom para a equipe”. Nesses casos, aceitar a sabedoria é um conforto.

Alguns clichês do futebol são conspícuos por sua altíssima idiotice. Um chute que, apesar de seu poder impressionante, voa direto para as mãos (geralmente “agradecidas” ) do glândula é dito como: “passou raspando”. “Qualquer jogador habilidoso que arrisca dar um passe longo de mais de seis metros de altura é rotulado de “um bom toque de um grande homem “.

O jogo possui um número surpreendente de palavras obsoletas que se originou em outro lugar, mas ainda florescem aqui. A maioria dos fãs talvez nunca use “pau”, “pegou por trás”, “julgado”, “bola na mão ou mão na bola” (como um verbo), se essas palavras não forem usadas dentro do contexto do esporte.

Os limites de 140 caracteres do Twitter tornaram-se um terreno fértil para os comentaristas on-line de clichês, usando hashtags para expressar a sua aprovação em um determinando lance do futebol, como #chupa #olé ou #mãodealface, #frangueiro, #eliminado e #goleada estão em ascensão. Futebolistas são formadores de opinião, e no momento em que a hashtag é algo embrulhado para descrever um lance do jogo, os milhões de seguidores vão seguir o exemplo e postarem as suas também. Daí aguenta  o nível de clichê subir ao topo dos trend topics.

 Como a cobertura de futebol alcança a população, talvez seja certo abraçar o clichê e reconhecer o seu lugar dentro do campo.

© 2014, Newsweek.

Aumento do salário mínimo nos EUA: há motivos para comemorar?

em Mundo/News & Trends por

O presidente Obama está prestes a dar meio milhão ou mais de aumento aos norte-americanos. Conforme a renovação dos contratos federais, os trabalhadores que estão recebendo o salário mínimo de 7,25 dólares por hora perceberão que o aumento será por volta de 40% (subindo para 10,10 dólares). O presidente também pressiona o Congresso para aumentar o salário mínimo em todo o país para o mesmo nível. Isso pode soar generoso, mas em comparação com outros países ricos, ainda está abaixo da média.

De acordo com o ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento, dentre as nações mais desenvolvidas de acordo o salário mínimo, os EUA ocupam o 11 º lugar com o salário mínimo atual de 7,25 dólares por hora. Se o salário mínimo aumentou para 10.10 dólares, os EUA se classificam, agora, na oitava posição. No topo está a Austrália, que paga 15,75 dólares por hora, seguido por Luxemburgo (14,21 dólares), França (12,55 dólares), Irlanda (12,03 dólares), Bélgica (11,92 dólares), Países Baixos (11,38 dólares) e Nova Zelândia (10,22 dólares). Um salário mínimo de 10,10 dólares ainda estaria abaixo da média de 11,66 dólares por hora para as 10 principais nações.

Isso é um golpe em mais de 3 milhões de trabalhadores empregados no setor privado ou que ganham abaixo de um salário mínimo. Esses trabalhadores tendem a ser jovens, em sua maioria mulheres, que trabalham em serviços como o de lazer, hotelaria e restaurantes. No ritmo atual – com o salário mínimo de 7,25 dólares por hora – o trabalhador que tem jornada integral ganha 14.500 dólares por ano.

À medida que o governo federal define o salário mínimo para a nação, os estados norte-americanos podem determinar suas próprias leis de salário mínimo. Segundo o Departamento do Trabalho, 21 estados, mais Washington, na verdade, têm salários mínimos acima do nível federal. O mais alto é o do estado de Washington com um salário mínimo de 9,32 dólares por hora. 20 outros estados mantêm a taxa de salário mínimo federal. 4 estados pagam menos de um salário mínimo e 5 não têm nenhuma exigência de faixa salarial. No caso do estado da Geórgia, onde o salário mínimo é fixado em 5,15 dólares por hora, as empresas são obrigadas a pagar o salário mínimo federal, apesar de haver muitas isenções. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a Geórgia tenha uma das maiores proporções de seu ganho baseadas na força de trabalho que recebe abaixo do salário mínimo.

Enquanto o salário mínimo afeta diretamente uma pequena parte da força de trabalho, apenas 5% de todos os trabalhadores que ganham salários por hora, muitas vezes consideram esse cálculo (valor por hora) como uma medida de riqueza. Os países em desenvolvimento, por exemplo, estabelecem salários mínimos baixos e os países mais ricos tendem a ter salários mínimos mais elevados. Os EUA são um líder em muitas maneiras, mas quando se trata de salário mínimo não estão nem sequer na média.

© 2014, Newsweek.

Síria: o país onde a população morre de fome

em Mundo/News & Trends/Política/Saúde & Bem-estar por

A ONU tenta entrar na região que sofre com a guerra.

Uma tentativa de cessar-fogo provisório entre as forças governamentais e os rebeldes nos bairros sitiados da Cidade Velha de Homs foi anunciada no final da tarde da última quinta-feira, o que só permitiria que as equipes da ONU evacuassem as mulheres e crianças que desejam deixar o local neste sábado.

De acordo com fontes da oposição síria em Istambul: “As pessoas têm receio de que o cessar-fogo aconteça de verdade. Houve tantas promessas que já se quebraram. Eles também prometem que os alimentos serão entregues até sábado, mas as pessoas estão morrendo de fome”.

Dima Moussa, a porta-voz da Homs Quarters Union, um grupo ativista na cidade, diz que a ajuda humanitária não atingiu a Cidade Velha desde dezembro de 2012.

“Tem sido mais de 600 dias de cerco. Há alguns limitados grupos de ajuda humanitária em volta, depois de muita negociação. Foi uma situação humanitária absolutamente terrível. As pessoas estão literalmente ficando sem comida. Seus suprimentos esgotaram-se e agora elas comem as folhas das árvores”, declara Moussa.

Moussa diz que sete pessoas morreram de fome na Cidade Velha nas últimas semanas, e, “infelizmente, esperamos mais”, comenta.

Alega-se que centenas de milhares de civis alemães morreram de fome e doenças causadas pelo bloqueio comercial da aliada Alemanha, entre 1914 e 1919. Hitler – em vão – tentou sitiar Leningrado, bloqueando os mantimentos de sua população; ele também matou milhares de judeus assim – deixando-os sem comida. Stalin usou a inanição para matar os camponeses ucranianos.

Homs, a terceira maior cidade da Síria tornou-se um símbolo para o sofrimento do povo sírio.

Enquanto o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas tem sido o principal fornecedor da distribuição de alimentos para as áreas de Homs, “há partes de Homs – incluindo a Cidade Velha – que não conseguimos atingir”, diz Abeer Etefa, diretor sênior de informação pública regional do programa.

Acredita-se que cerca de 3 mil a 5 mil estão dentro da Cidade Velha, embora o número exato de civis, ao contrário de combatentes, não é claro.

De acordo com Juliette Touma da UNICEF “o que sabemos é que há pelo menos mil crianças presas na Cidade Velha de Homs”.

A UNICEF apresentou na semana passada uma lista de suprimentos urgentemente necessários para o governo sírio, incluindo vacinas contra a poliomielite, roupas de inverno e pastilhas para purificação de água.

O governo sírio disse que está preocupado que a ajuda ao chegar a Homs, caia nas mãos erradas. Ou seja, os combatentes rebeldes.

De acordo com Reem Haddad, o porta-voz do Ministério da Informação em Damasco “a Síria sempre foi um país produtor de trigo, com um excedente armazenado. Infelizmente, em locais onde os militantes estão presentes, os agricultores não foram autorizados a plantar ou colher seu trigo”.

“O trigo foi roubado e vendido através da fronteira”, disse Haddad. “Além disso, em locais onde os militantes estão presentes, eles não permitem que os civis saiam, pois precisam deles como escudos humanos. Sempre que os alimentos são permitidos, os militantes nunca os levam para dar ao povo”.

“Toda vez que os rebeldes são retratados, eles nunca estão magros, pelo contrário, se apresentam musculosos. Só a comida para a população civil que não é permitida pelos militantes”, finaliza Haddad.

É uma acusação que, naturalmente, os rebeldes negam.

Qualquer que seja a razão dos alimentos e outros auxílios terem sido bloqueados, a vida está difícil para os civis. Há também bombardeios diários, a cidade está sem eletricidade e com pouca comunicação com alguém fora de Homs.

Há uma constante sensação de isolamento e trauma. No início da guerra, os túneis eram usados ​​para contrabandear comida dentro de Homs. Mas, desde que os combates mais pesados ​​começaram a atacar, “os túneis têm diminuído”, disse um ativista. “A área controlada pelos rebeldes fica cada vez menor”, explica.

Mesmo as recentes conversas em Genebra II (realizada em Genebra e Montreux) foram vistas por militantes da oposição como uma tentativa cínica dos diplomatas “dizerem que eles estavam fazendo algo de concreto sobre o sofrimento sírio, quando na verdade, no chão, pouco está sendo feito para parar a matança ou mesmo apenas para alimentar as pessoas”, disse um morador de Homs desiludido.

“Quando estou com muita fome, eu saio quando não há bombardeios. Tento encontrar casas abandonadas onde as famílias que fugiram deixaram alimentos na despensa. É tudo que posso fazer”, diz Rami , que vive dentro da Cidade Velha. “Na esperança de se deparar com uma recompensa de alimentos enlatados, tudo o que consegui encontrar foi uma erva usada para fazer sopa”, conta.

Na quarta-feira, no entanto, a Rússia se opôs a uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação humanitária na Síria, o que irritou os líderes da oposição e fez os presos dentro de Homs sentirem-se ainda mais desesperados.

O que sabemos a partir de avaliações é que quase metade da população da Síria – cerca de 9 milhões de pessoas – estão em insegurança alimentar. Isso Significa que eles precisam de “ajuda alimentar”.

“É um bom começo para o governo se eles permitirem que os comboios entrem com os mantimentos”, disse um ativista de Homs. “Mas eles precisam pensar em outras áreas também. Yarmouk – um subúrbio de Damasco – também está morrendo de fome”, finaliza.

© 2014, Newsweek.

Economia compartilhada

em Mundo/Negócios/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Agora que a indústria automobilística contratou Bob Dylan para fazer um comercial de TV, a era do carro está passando.

A tecnologia se dirige rumo à uma mudança fundamental na natureza do trabalho e do consumismo, e essas tendências devem significar um declínio de longo prazo na posse de automóveis em países desenvolvidos.

Na década antes de 2008, as vendas de automóveis dos EUA era em média de 17 milhões de veículos por ano. No ano passado, foi a melhor indústria desde então, e as vendas atingiram cerca de 15,6 milhões. Mas, as vendas em janeiro de 2014 caíram em  3,1 por cento.

Se cada vez mais pessoas estão sem emprego, menos dinheiro sobra para comprar carros. E nesse cenário, em que a economia se recupera, as vendas de automóveis estão caindo.

Quando o presidente Obama falou sobre o crescimento do emprego em seu discurso do Estado da União, todos, é claro, aplaudiram. O crescimento do emprego é como um prêmio do Oscar – algo que todos nós queremos, mesmo que não seja real.

O que isso significa para os carros? As pessoas talentosas não estão dirigindo na hora do rush para uma dura semana dentro do escritório. Eles estão se reunindo ao estilo home-office ou no escritório de bairro das cooperativas, e pulando para fora de eventuais encontros olho-no-olho.

A tecnologia está mudando a nova forma de trabalho das pessoas que não querem perder tempo dirigindo tanto. As pessoas vão trabalhar e ganhar dinheiro, como sempre, mas estão fazendo isso utilizando cada vez menos o carro, assim, podem gastar seu dinheiro em outras coisas que vão agregar e melhorar o trabalho à distância.

Uma maneira perceptível que a tecnologia está impactando no comportamento do consumidor, é o aumento da “economia compartilhada”.

A economia compartilhada é o início da tercerização dos consumidores ativos. É uma maneira de gastar de maneira inteligente e ter mais opções de serviços.

Começar pelos carros é perfeito, pois são muito caros e o motorista americano fica atrás do volante, em média 55 minutos por dia.

Jeff Miller, fundador da empresa de compartilhamento de carro Wheelz, gosta de dizer, “Será que realmente faz sentido que os carros fiquem estacionados 23 horas por dia?”

O compartilhamento de carros permite que os clientes aluguem carros por hora. A empresa estima que para cada carro compartilhado, 15 carros a menos estão na estrada.

Se menos pessoas se deslocam todos os dias para um trabalho corporativo, menos pessoas terão de possuir um carro apenas para conduzir a algum lugar e depois estacionar durante oito horas. E se mais pessoas estão dirigindo menos e estacionamento menos, eles terão ainda menos incentivo para comprar um carro se podem compartilhar um.

O que, entre outros benefícios, vai ser bom para o planeta – e a causa Bob Dylan em ajudar a vender carros pode ficar para trás.

© 2014, Newsweek.

Nada de conto de fadas

em Cultura e Entretenimento/Mundo/Negócios/News & Trends/Política por

O que aconteceu com a famosa expressão: “e viveram felizes para sempre”? Em nenhum conto de fadas, a princesa explica se participou da decisão de casar-se. Na Espanha, no entanto, a família real se encontra em uma confusão jurídica que pode alterar a forma como a monarquia constitucional é vista tanto em casa como no exterior.

Como não existe um precedente legal que diga onde os mundos da realeza e o da criminalidade colidem, o inquérito da filha do rei da Espanha, Cristina de Borbón, 48 anos – conhecida oficialmente como Infanta Cristina, duquesa de Palma de Mallorca – levará um bom tempo para terminar.

Em 8 de fevereiro, um juiz espanhol vai interrogar a princesa, a filha mais nova do rei Juan Carlos, como suspeita em um esquema de desfalque alegado. O Ministério Público diz que o marido da princesa e seu sócio canalizaram aproximadamente 11 milhões de dólares dos cofres públicos para suas respectivas contas bancárias.

No sábado, 11 de janeiro de 2014, os advogados da princesa disseram que Cristina compareceria à audiência, intimada pelo juiz da investigação, José Castro, para que ela, pessoalmente, respondesse às perguntas da investigação sobre as possíveis acusações de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

O marido de Cristina, o ex- jogador de handebol olímpico, Iñaki Urdangarin, que completou 46 anos há algumas semanas, e seu sócio, Diego Torres, são acusados ​​de peculato, fraude, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e falsificação de documentos. Os promotores do caso afirmam que entre maio de 2003 e dezembro de 2008, a sua organização sem fins lucrativos, chamada Nóos Foundation, em parceira com políticos locais, superfaturou os governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares, assim como a prefeitura de Valencia, em trabalhos de consultoria e organização de várias conferências de turismo e esportes.

O juiz Castro intimou a princesa na última primavera, mas o Ministério Público, o gabinete da defensoria pública e os advogados de Cristina apelaram alegando que não havia evidências que ligassem a princesa aos dois envolvidos nos crimes. Um tribunal provincial cancelou a convocação, mas sugeriu que Castro investigasse mais.

O casal real também era acionista conjunto na Aizoon, uma das empresas de fachada utilizadas para desviar o dinheiro da ONG para as contas bancárias dos criminosos. Uma testemunha afirmou que o advogado de Urdangarian se refere à presença da princesa como um “escudo contra a administração fiscal”.

Depois de vasculhar os registros contábeis da Aizoon e o histórico financeiro da princesa, o juiz concluiu que muitas das despesas operacionais da empresa foram realmente gastos pessoais e familiares de Cristina. Urdangarin e Cristina têm quatro filhos, com idades entre 8 a 14.

Castro citou recibos de hotéis em Roma, Washington, Nova Iorque e Detroit. Além de restaurantes em Barcelona, viagens em família para o Rio de Janeiro, África do Sul e Moçambique. A viagem ao continente africano parece ter sido uma mistura de férias, safári e visita aos centros de saúde e laboratórios como parte do trabalho de caridade da princesa.

Outras despesas da empresa Aizoon incluiu a compra de uma pintura avaliada em 6.000 dólares, artigos de loja de móveis para crianças no valor de 2.470 dólares, quatro livros de Harry Potter, aulas de dança e festas para crianças.

A empressa Aizoon logo mudou de endereço para a mansão do casal em Barcelona, ​​aparentemente para que pagassem o aluguel de casa para o uso de um escritório. Mas, mesmo antes de mudar o endereço, a Aizoon pagou cerca de 243 mil dólares para reforma na mansão e 12,6 mil dólares para cortinas. Castro chamou a empresa “de um escritório fantasma sem clientes ou funcionários”.

A investigação sobre a ONG Nóos começou em setembro de 2010 como parte da suspeita de fraude em torno da construção do complexo desportivo Palma Arena, na ilha de Mallorca. O ex-presidente regional das Ilhas Baleares, Jaume Matas, foi condenado no ano passado a seis anos de prisão pela participação na corrupção.

Essas dívidas de honra, no entanto, têm perdido a sua potência à luz dos recentes acontecimentos. Em 2012, por exemplo, os espanhóis e a imprensa não esconderam o descontentamento quando descobriram que Juan Carlos, em um momento em que o país estava mergulhado em uma recessão econômica, estava caçando elefantes em Botsuana.

Uma pesquisa recente diz que 62 por cento dos espanhóis quer que o rei, agora com 76 anos, abdique em favor de seu filho Felipe. O índice de aprovação do rei caiu de 76 % para 41% nos dois últimos anos.

Antes do escândalo, Cristina e Urdangarin eram bem-vistos na Espanha. Cristina é diplomada em Ciência Políticas e em Relações Internacionais, pela Universidade de Nova Iorque. Trabalhou para as Nações Unidas e ajudou várias instituições de caridade relacionadas com a saúde. Ela conheceu Urdangarin nos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta, onde ele ganhou uma medalha de bronze no handebol. Cristina e Urdangarin casaram-se em 1997.

Por que a princesa decidiu obedecer à convocação desta vez? Com as suspeitas do juiz e seus registros financeiros no domínio público, um apelo iria fazê-la parecer culpada.

A questão agora é saber se ela vai responder às perguntas do juiz ou usar o seu direito de permanecer em silêncio. E se ela falar, continuará a estratégia de seus advogados e colocar a culpa em seu marido?

A longa saga da princesa na justiça está apenas começando.

© 2014, Newsweek.

Foot Binding: a moda agora é encurtar os dedos do pé

em News & Trends/Saúde & Bem-estar por

O Billy Joel pode te amar “do jeito que você é”, mas muitos americanos têm dúvidas sobre suas aparências. Mais de 1,5 milhões de pessoas fizeram procedimentos cosméticos em 2012 e quase 15 milhões a mais aplicaram injeções de Botox.

Mas um procedimento cirúrgico pouco conhecido promete perfeição até nos pés: os cosméticos chamados toe-shortening. Nunca ouviu falar? Isso é provável porque o toe-shortening envolve a remoção de uma junta que, em seguida, prende o dedo de volta para a calcificação dos ossos. Esse tratamento é relativamente novo como um procedimento estético e é realizado exclusivamente por pedicuros.

“Ao longo dos últimos dois anos tem surgido mais interesse em cirurgia estética de pé em geral”, diz o Dr. Neal Blitz, cirurgião de pé do Hospital Monte Sinai e o criador do Bunionplasty (cirurgia plástica para joanetes). “Muitas mulheres que já fizeram algum procedimento padrão – seja rinoplastia ou Botox – querem mesmo que haja uma melhora na aparência de seus pés”, declara.

“E, claro, para as mulheres que adoram sapatos, cirurgias como esta lhes permitirão usar estilos que elas gostam, sem sentir dor”, finaliza Blitz.

Embora a ideia de pés “bonitos” posa parecer estranha para alguns, a noção já vem de muitos séculos. A técnica conhecida como foot-binding – a qual amarra os pés – começou na China no século 10 e continuou até o século 20 (a prática foi oficialmente proibida em 1912, mas algumas famílias, secretamente, persistiram por muito tempo). Para os chineses, amarrar os pés tinha relação com o status e com a criação do perfeito: os pés pequenos.

Liv Lewis, dona de uma empresa de relações públicas em Teaneck, NJ, está entusiasmada com a novidade. Lewis queria uma cirurgia no pé para corrigir os joanetes, mas optou por passar pelo toe-shortening (encurtamento dos dedos) e toe-lengthening (alongamento dos dedos), como parte do mesmo processo.

Mas ela adverte que a cirurgia não é para todos. Enquanto ela revela que a dor não foi tão ruim quanto esperava, ela compara a “dar à luz”. Sua recuperação levou cerca de 12 semanas. Embora ela precisasse de uma cirurgia no joanete em ambos os pés, ela fez em apenas um até agora, uma vez que operar os dois ao mesmo tempo teria deixado Liv praticamente imóvel. “Eu diria que você não deve considerar a cirurgia a menos que você tenha problemas mais sérios, por causa da recuperação. Eu amei meus resultados, mas não foi fácil”, diz.

Alguns pedicuros são céticos. A Dra. Mary Ann Bilotti, chefe de podologia no Hospital Franklin em Valley Stream, NY, diz que recomenda o toe-shortening “quando há dor significativa ou complicações mais sérias, como úlceras diabéticas”, mas não sugere o procedimento por razões puramente estéticas.

“Qualquer cirurgia pode ter complicações e elas podem ser graves como infecção, cicatrizes, dormência, inchaço e hipersensibilidade. Essas são apenas algumas. Se o procedimento é apenas estético, eu recomendo que os pacientes considerem tais riscos seriamente”, explica a Dra. Mary Ann.

O custo também é uma preocupação, alguns planos de saúde cobrem os procedimentos cosméticos. Os custos da cirurgia de encurtamento do dedo do pé são, em média, 2.500 dólares por dedo.

Blitz reconhece que o procedimento é controverso: “há uma escola de pensamento que diz: “por que mudar algo que não precisa ser alterado?” Eu entendo isso, e além das preocupações normais de saúde, há muitas razões pelas quais eu poderia dizer a um paciente para não fazer a cirurgia. Quando você está removendo uma junta inteira, a função desse dedo vai diminuir, especialmente para atividades como yoga, onde você precisa de seus pés para dobrar e para fixar.”, completa o cirurgião de pé.

É duvidoso que a maioria das mulheres (e alguns homens também) estão conscientes da divergência de opinião entre os próprios cirurgiões.

Em uma indústria famosa por inventar dificuldades, promover a cirurgia do dedo do pé pode parecer apenas outra maneira de ganhar dinheiro. Mas em uma cultura obcecada com o aperfeiçoamento do corpo, os dedos são a última fronteira.

© 2014, Newsweek.

Inflação galopante? Moeda desvalorizada? Que tal resolver isso depois do almoço?

em News & Trends/Política por

Em um tribunal no centro de Nova York, o comerciante de Buenos Aires, Miguel Catella, sobe a escada suando sob o sol de inverno, perdido em pensamentos sobre o sofrimento de seu país natal.

“As coisas estão fora de controle na Argentina”, ele suspira. “Estamos em um estado de pânico constante. Estamos perdendo uma grande quantidade de dinheiro. O governo não ouve o seu próprio povo”.

Dentro do tribunal, o ministro da economia da Argentina, o vice-presidente e um bando de advogados poderosos argumentam contra uma liminar da Segunda Corte de Apelações que forçaria o país a fazer o pagamento integral de bilhões de dólares em títulos a um grupo de fundos de hedge, de Nova Iorque. Se o tribunal obrigar, a Argentina vai simplesmente se recusar a pagar.

Como a Argentina precisou assumir seus problemas à Suprema Corte dos EUA, suas dívidas se transformaram em uma  completa crise financeira. Da mesma forma que a equipe jurídica da Argentina ameaçou suspender os pagamentos em seus títulos do governo, o banco central do país simplesmente decidiu deixar de fazer compras em apoio à moeda do país: o peso.

“A desvalorização não é uma motivação clara para o governo”, disse o analista Tony Volpon, provedor de pesquisa global da Nomura Group de Nova York. “Também não está claro se isso representa uma desvalorização” – ou que vai causar  problemas ainda maiores à Argentina.

Até agora, tem sido um pesadelo. A desvalorização levou o país a um colapso, e a moeda argentina caiu repentinamente em uma década, diminuindo o poder de compra do seu povo, provocando uma corrida para comprar dólares e objetos domésticos, tais como eletrodomésticos e alimentos antes que os preços fiquem muito além do alcance (embora os acordos de preços atingiram o início deste mês na Argentina, onde determinados itens alimentares essenciais, vinho e outros bens foram comprados on-line por toda a capital. Alguns varejistas não vão vender quaisquer bens até que os níveis de volatilidade dos preços baixem).

Para ajudar, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, precisou se afastar do cargo por alguns meses para se recuperar da cirurgia de emergência no ano passado da remoção de um coágulo de sangue perto de seu cérebro.

“Eu estava lendo os jornais da manhã e as manchetes diziam: “Cristina reaparece. “E eu pensei: O que é o oposto de reaparece? Desaparece”, disse ela.

Relatórios informam que a desvalorização da Argentina derrubou o preço de uma geladeira em até 30 por cento. Em contra partida, Kirchner viajou para uma conferência em Cuba, onde ela generosamente almoçou com o comunista aposentado, Fidel Castro.

“Fidel me convidou para almoçar”, disse ela em um comunicado no domingo. “A comida estava muito boa”. Nas circunstâncias de crise econômica de seu país, muitos argentinos acharam a observação da presidenta superficial em relação ao fantasma da fome que assombra o país.

A reunião de duas horas com Fidel foi um sucesso, pelo menos de acordo com a agência oficial de notícias cubana, Prensa Latina. “Depois de trocar saudações afetuosas, o presidente sul-americano e o líder cubano discutiram questões e problemas regionais que a humanidade enfrenta, como a segurança alimentar e conflitos armados em todo o mundo”, disse. (as “questões regionais” incluído dificuldades da Argentina sob a administração de Kirchner ainda não estão claras).

É uma estranha reviravolta dos acontecimentos para um presidente re-eleito em 2011 num momento de crise e executado sob ideais “peronistas” que consideram sagrados os três princípios fundamentais de justiça social, soberania política e independência econômica.

“A situação é muito grave”, disse Steve Hanke, professor de Economia Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que assessorou a Argentina no passado em seu regime cambial.

“Com o atual governo, eu acho que é impossível”, disse ele . “Eu acho que eles estão indo para o buraco. Eles irão manter até o fim o apego às suas políticas econômicas fracassadas”.

Hanke disse que o peso da Argentina qualifica como uma incomodada moeda com “hiperinflação (definido por ele como qualquer coisa acima de 50 por cento ao ano). “É muito pior do que o que está sendo divulgado pela imprensa”, disse ele.

Dante Sica, diretor da empresa de consultoria financeira de Buenos Aires, a Abeceb, disse que a atual situação econômica é calamitosa – O ministro da Economia, Axel Kicillof da Argentina, é o quarto ministro em cinco anos – essa mudança, é em parte, devido à resistência do governo argentino para mudar certas políticas macroeconômicas e de sua má gestão da política econômica.

Não ajudou em nada a Argentina ser econômica com a verdade sobre os números da inflação e outros dados econômicos, o que levou um tapa sem precedentes no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional. “Ninguém acredita mais no sistema de informação oficial”, disse Sica. “O governo tem apresentado uma série de idas e vindas que não conseguiram gerar um ambiente mais seguro e confiante.”

A dor também é evidente quase sempre que você olha para a situação da Argentina. Uma mulher de 35 anos de idade, em Buenos Aires disse à Newsweek que encarou uma fila de uma hora para poder comprar uma geladeira – e precisou se contentar com o que estava em exposição, porque a loja já tinha vendido muita coisa por fora.

Por causa da instabilidade financeira do país, ela está lutando para decidir sobre o que cobrar por um apartamento de dois quartos que precisa alugar. “O que eu peço hoje pode não ser rentável amanhã”, disse a mulher, que trabalha para uma empresa de telecomunicações estrangeiras. “Hoje eu estou pedindo 3.500 pesos para alugar, mas talvez até o final do ano eu tenha que pedir duas vezes mais”.

O fim do kirchnerismo pode estar mais perto do que se pensa. Mesmo antes do colapso da moeda, uma pesquisa da empresa Management & Fit feita em Buenos Aires mostrou que mais de 66 por cento desaprovam o manuseio de Kirchner sobre a economia, enquanto cerca de 75 por cento acreditam que a economia da Argentina está indo na direção errada.

A turbulência da Argentina já começou a repercutir em toda a América do Sul, principalmente no Brasil – que tem a Argentina como seu terceiro maior parceiro de negociação após a China e EUA.

Considerado o longo celeiro da América do Sul , as exportações altamente desejáveis de soja, milho, trigo, petróleo e gás da Argentina também estão sendo prejudicados, o que constata que a crise se agrava cada vez mais.

“O regime de Kirchner teve como orientação política ideológica um tipo de autarquia financeira”, de acordo com Volpon da Nomura. Isso é porque ela escolheu “ganho de independência” dos mercados financeiros, causado pela crise financeira da Argentina em 2002, marcada pela última grande desvalorização da moeda do país e do padrão da nação em sua dívida pública (que ainda está lutando contra os detentores de bônus ao longo de tribunais dos Estados Unidos) .

“O número mais importante em qualquer economia é a taxa de câmbio”, disse Hanke. “E o governo da Argentina está tentando controlar as coisas, o mercado negro do país é o único mercado livre oferecendo dados reais. “Em tal ambiente, os argentinos estão reunidos para trocar a sua moeda não para algo mais estável, como dólares ou ativos tangíveis .

O tempo se esgotou a Argentina encontrar uma solução “a curto prazo”, observou o analista Mauro Roca. Ele estimou que a Argentina este ano vai queimar cerca de 9.200 milhões dólares de reservas – que tinha utilizado para sustentar a sinalização da sua moeda até a semana passada – deixando 21.600 milhões dólar até o final de 2014.

Embora a imposição de medidas de austeridade percorram um longo caminho em direção a cura dos problemas econômicos da Argentina, Volpon do Nomura não tem muitas esperanças de que o país saia dessa.

“Dado o estado de alerta, muitos analistas duvidam que o governo seja forte o suficiente para aplicar as regras de austeridade impopulares”, escreveu em seu relatório recente. “Ao mesmo tempo, muitos acreditam que, confrontados com problemas de montagem, o presidente Kirchner, que tem sido afetada por problemas de saúde, pode decidir deixar o cargo no início (algo incomum na Argentina) e assim começar a acelerar a transição política”. Talvez seja melhor esperar por uma próxima administração para saber se a Argentina vai conseguir sobreviver ao declínio.

 © Newsweek, 2014.

“ObamaCar”

em Mundo/Negócios/News & Trends por

O presidente Obama apostou sua reputação no ObamaCar. Mas para a geração de hoje, ele vai ser mais lembrado por salvar a indústria automobilística americana.

Há cinco anos, a General Motors estava à beira do colapso. Em 2008, registrou um prejuízo de 31 bilhões de dólares logo após uma perda recorde de 37 bilhões no ano anterior. As vendas de veículos caíram cerca de um terço em 2009 e a GM, a empresa mais poderosa nos Estados Unidos, foi à falência. Nesse ponto, ignorando seus críticos, o governo Obama entrou em cena com uma combinação que envolvia o dinheiro do resgate, empréstimos e uma enorme compra de ações da montadora.

A GM não olhou para trás desde então. Em 2013, a empresa vendeu um recorde de 9,71 milhões de veículos no mundo, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. O desempenho da montadora está se aproximando da Toyota, o que aumentou rapidamente a metade das vendas globais. Embora a Toyota continue a ser o fabricante número um de automóveis, por enquanto, a GM está logo atrás. Em 2012, a Toyota liderou por uma margem de 460 mil veículos. Já no ano passado, essa liderança foi cortada quase pela metade para apenas 270 mil veículos.

Apesar de o relatório anual de lucros da GM não ser publicado até o dia 6 de fevereiro, a empresa parece estar no caminho certo para apresentar lucros sólidos. Durante os primeiros nove meses de 2013, a GM registrou um lucro líquido de 4,3 bilhões de dólares. Isso foi um pouco abaixo do ano anterior, mas a época de perder 30 bilhões de dólares por ano parece ter ido embora para sempre. Com um novo líder no comando, ninguém ficará surpreso se a GM superar a liderança mundial da Toyota. Embora custe aos contribuintes cerca de 10 bilhões de dólares, salvar a GM e o resto da indústria automobilística parece ser um ótimo investimento para o futuro dos EUA.

© Newsweek, 2014.

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