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Chernobyl: aves desenvolvem resistência à radiação

Já se passaram quase 28 anos desde o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (antigamente parte da União Soviética) e…

By Redação , in News & Trends Tecnologia e Ciência , at 19/08/2014 Tags:

Já se passaram quase 28 anos desde o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (antigamente parte da União Soviética) e os biólogos ainda estão tentando entender os efeitos da exposição à radiação para o ecossistema local.

Pesquisas recentes sugerem, no entanto, que a radiação pode não ter sido tão prejudicial para a fauna como se pensava anteriormente; e que ainda pode ter beneficiado a população de aves da região.

radiação

O estudo, publicado na revista Functional Ecology, fornece algumas das primeiras evidências de que os animais selvagens se adaptam à radiação ionizante, mostrando que as aves com menos feomelanina, um pigmento em suas penas, são mais capazes de se adaptar a exposição à radiação.

“Estudos anteriores com animais selvagens em Chernobyl mostraram que a exposição crônica à radiação diminuiu os antioxidantes e aumentou o dano oxidativo”, diz o autor principal, Dr. Ismael Galván, do Conselho Espanhol Nacional de Pesquisa.

“Descobrimos o contrário, que os níveis de antioxidantes aumentaram e o estresse oxidativo diminuiu com o aumento da radiação de fundo”, explica Ismael.

Apesar do desastre em Chernobyl, ocorrido em 1986, a zona de exclusão em torno da antiga usina contém grandes quantidades de radiação. Isso apresenta um campo de testes perfeito para biólogos analisarem os efeitos do elevado nível da radiação ionizante sobre animais selvagens.

Experimentos em humanos e em outros animais têm mostrado que eles são capazes de desenvolver resistência à radiação ao longo do tempo. Esse comportamento acontece através da exposição repetida a baixos níveis de radiação e ajudam quando eles são expostos a níveis maiores. O efeito, no entanto, nunca havia sido observado em populações selvagens.

Para o estudo, os pesquisadores usaram redes para capturar 152 pássaros de 16 espécies diferentes, de oito locais dentro e próximos à zona de exclusão. Os cientistas mediram os níveis de radiação de fundo em cada local e recolheram amostras de penas e sangue antes de liberararem os pássaros.

Além de analisar as amostras de sangue, os pesquisadores mediram os níveis de antioxidante, estresse oxidativo, dano ao DNA, além de pigmentos de melanina das penas.

Eles descobriram que os níveis mais elevados de feomelanina – que torna as penas vermelhas – estavam associados a uma menor tolerância de exposição à radiação, ou seja, quanto mais feomelanina é produzida, mais antioxidantes são consumidos​​.

A equipe analisou os resultados tendo em conta os níveis de radiação de cada ave em vez de usar a média por espécie, possibilitando analisar as respostas bioquímicas à radiação de maneira mais sensível.

Os resultados revelaram que com o aumento da radiação de fundo, os níveis da condição corporal das aves e a glutationa – um antioxidante – aumentaram, e o estresse oxidativo e os danos no DNA diminuiram.

“Os resultados são importantes porque eles nos dizem mais sobre a capacidade de diferentes espécies se adaptarem aos desafios ambientais, tais como em Chernobyl e Fukushima”, finaliza Ismael.

© 2014, IBTimes.

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