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China x Taiwan: uma possível relação de paz? Conheça os dois lados

Depois de décadas de hostilidades, a China comunista busca relações melhores com sua antiga rival: a democrática Taiwan. Este movimento…

By Redação , in Mundo News & Trends Política , at 25/02/2014 Tags:,

Depois de décadas de hostilidades, a China comunista busca relações melhores com sua antiga rival: a democrática Taiwan.

Este movimento amigável contrasta fortemente com as tensões que vêm aumentando entre a China e muitos de seus outros vizinhos, incluindo o Japão. Existe, realmente, o temor de que essas divergências possam levar a um confronto armado.

Uma semana depois de uma reunião sem precedentes entre os funcionários de Pequim e a capital de Taiwan, Taipé, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Fan Liqing, insinuou aos jornalistas que o presidente Xi Jinping está mesmo considerando um encontro com o presidente de Taiwan, Ma Ying- jeou.

“Compatriotas de ambos os lados da China esperam que os líderes possam se encontrar”, disse Fan. “Várias vezes declaramos que isso é algo que temos mantido durante muitos anos, e sempre tivemos uma atitude aberta e positiva em direção a ela”.

Ela se recusou a discutir uma possível data para tal encontro, mas a simples menção da possibilidade indica uma tendência que preocupa alguns na região.

“A situação atual é uma inversão da década de 1990”, diz Vincent Wang, professor de ciência política na Universidade de Richmond. Nas últimas duas décadas, Pequim adotou uma postura cada vez mais agressiva em direção a Taiwan. Ao mesmo tempo, ela tentou crescer sua economia, entre outras maneiras, reduzindo as tensões com os países vizinhos, como o Japão, a Coreia do Sul e Filipinas.

“Agora a política da China é mais conciliatória em direção a Taiwan. As águas ao largo da costa leste dessa ilha são muito profundas”, disse Wang. As margens nas proximidades do Japão e sem grandes barreiras por todo o caminho para o Havaí, a costa leste de Taiwan poderia ser “um bom porto para submarinos da China”, analisa Wang. Embora nenhum acordo para tal uso está para ser discutido, a China pode usar seus novos laços com Taiwan para buscar o que constituiria uma ameaça militar estratégica que precisa ser observada com atenção.

Até o momento, os outros países vizinhos não estão preocupados. “Taiwan nunca permitirá que a China use suas instalações militares”, disse um oficial do Ministério das Relações Exteriores de Tóquio, que falou sob a condição de anonimato. No entanto, acrescentou que “Pequim agora vê mais importância em manter Taiwan completamente dentro de sua esfera de influência – política e economicamente”.

Desde que os nacionalistas chineses foram forçados a recuar a partir do continente para a ilha de Taiwan, em 1949, e criar um país autônomo, que evoluíram para uma democracia plena.

Ser membro da ONU e de outros organismos internacionais tem sido uma tremenda fonte de atrito, desde então, já que a China proíbe diligentemente a participação de Taiwan em qualquer fórum global, temendo que isso possa indicar um reconhecimento tácito da independência de Taipei.

Pequim continua a bloquear qualquer tentativa de Taiwan para participar de tratados internacionais. Isso pode colocar em risco as esperanças de Taiwan em firmar uma parceria com a Trans-Pacific Partnership (TPP), a nova gigante zona de comércio regional proposta pelo presidente Barack Obama, como parte de sua política de “reequilíbrio” em direção ao Pacífico. Taiwan, que é líder mundial na fabricação de placas-mãe e notebooks e é uma potência em muitas outras indústrias de alta tecnologia, está ansiosa para se juntar ao novo acordo comercial.

Várias fontes na região dizem que autoridades norte-americanas tinham indicado nas últimas conversas privadas que Washington iria ajudar Taiwan aderir à parceria, que uniria os EUA e 11 países dos dois lados do oceano, em um acordo de livre comércio. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Edward Royce, expressou sua esperança de que Taiwan será incluída também.

Taiwan depende das exportações para 70 por cento de sua economia, e nos últimos anos muito desses comércios e transações têm ido para o continente. Em 2010, 29 por cento das exportações da ilha foi para a China. Agora é 40 por cento, e a China tornou-se a maior parceira comercial de Taiwan.

O presidente de Taiwan, Ma, aumentou os laços com a China continental, estabelecendo voos regulares, permitindo que os turistas e empresários visitem e façam negócios em ambos os lados de Taiwan.

Mas “Taiwan não será forçada a reduzir o comércio com o resto da Ásia Oriental e do Ocidente”, diz Brian Su, vice-diretor geral do Ministério Econômico e Cultural de Taipei, em Nova York.

O antecessor de Ma, Chen Shui- bian, agora preso, era um nacionalista que nunca escondeu seu desejo de declarar a independência. Pelo contrário, Ma foi mais conciliador com Pequim, concordando com o conceito de “um país, duas interpretações”.

Do outro lado do estreito, por sua vez, Xi decidiu abrir mão das hostilidades, talvez porque ele precisa reduzir certas preocupações urgentes na Ásia e em Washington sobre os movimentos agressivos da China em outros lugares na região.

“A China nunca renunciou ao seu objetivo final” de anexar a ilha como parte de um processo de unificação, diz Wang. No entanto, de acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de Taipei, “mais de 80 por cento da população de Taiwan favorecem o status quo sobre a independência ou unificação imediata”.

O que pode explicar por que enquanto a China corteja o seu ex-monstro imaginário Taiwan, os sinos de alarme ainda não tocaram no Japão – nem nos outros vizinhos – que estão mais cautelosos sobre o confronto com a China.

“A fim de ter mais espaço para respirar na comunidade internacional, Taipei precisa manter boas relações com Pequim”, diz o oficial do Ministério das Relações Exteriores de Tóquio. Ele acrescenta, porém, em uma última análise que “Taiwan permanecerá do nosso lado – do Japão e dos EUA”.

© 2014, Newsweek

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