Cirurgia plástica e selfies: qual é a conexão?

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Foto: Reprodução
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Selfies. Quem já não tirou um? O que pode ter começado como uma tendência das mídias sociais, muito popular entre os adolescentes, passou a ser socialmente aceitável para pessoas de todas as idades e de todas as esferas sociais. Até o presidente Obama tira e publica suas selfies! A presidente Dilma, os governadores e muitas outras autoridades fazem o mesmo… O dicionário de Oxford inclui agora a palavra selfie, que é definida como “uma fotografia que você tira de si mesmo, tipicamente uma tomada feita com um smartphone ou webcam e compartilhada via mídia social.”

Um close up do rosto, uma levantada no olhar apenas no ângulo direito, lábios franzidos e olhares sensuais dirigidos para a câmera… Essas são as versões mais vistas nas mídias sociais. Por quê? O que há sobre o selfie que o torna um hábito cotidiano tão popular entre os usuários das mídias sociais?

Embora os autorretratos já existam há séculos, o selfie é único. Alguns podem até dizer que é revolucionário. Talvez a popularidade do selfie possa ser atribuída ao botão de curtir do Facebook, que permite a rápida impulsão do ego. No entanto, o que acontece quando não recebemos “likes” suficientes ou não estamos satisfeitos com as fotos que tiramos?

Selfies em alta

A ascensão dos selfies teve um enorme impacto sobre a indústria da cirurgia plástica facial, de acordo com uma  pesquisa da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS, em inglês). A pesquisa é feita anualmente (com um grupo de 2.700 membros pela entidade) e visa descobrir as últimas tendências em plástica facial.

O estudo revelou que um em cada três cirurgiões plásticos faciais constatou um aumento dos pedidos de procedimentos em função dos pacientes desejarem uma melhor aparência para postarem fotos nas mídias sociais.  13% dos membros da AAFPRS ​​identificou um aumento do compartilhamento de fotos e a insatisfação dos pacientes com a própria aparência em plataformas de mídias sociais. Como resultado, os cirurgiões plásticos afiliados à entidade ​​observaram um aumento de 10% no número de rinoplastias em 2013, em comparação com 2012, assim como um aumento de 7% dos transplantes capilares e um aumento de 6% nas cirurgias de pálpebras.

“As plataformas sociais como o Instagram, Snapchat e o aplicativo Selfie.im, que são exclusivamente baseadas em imagens,  fazem com que o usuário da Internet mantenha uma lente de aumento constante sobre si. Muitas vezes, ele julga sua própria aparência com muita autocrítica. Como as selfies  são as primeiras impressões que os jovens trocam com potenciais amigos, namorados, empregadores, elas geram muita ansiedade”, o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada (CRM-SP 62.735).

Ruben Penteado destaca que “a pesquisa americana aponta que o bullying (ou o cyberbullying) também é um dos fatores que motiva a cirurgia plástica facial. A maioria dos cirurgiões entrevistados relatou que crianças e adolescentes são submetidos à cirurgia plástica como resultado de intimidação (69%) ao invés de fazer a cirurgia plástica para evitar ser intimidado (31%)”.

Enquanto algumas pessoas se utilizam do Photoshop para melhorar suas selfies, outros optam pelas cirurgias plásticas de nariz, pálpebras e pelos transplantes de cabelo. Algumas mulheres também estão investimento em procedimentos estéticos para as mãos.

Isso pode parecer um pouco excessivo, mas quem não lembra do caso da agente de talentos, Triana Lavey,  que passou por vários procedimentos a fim de parecer mais atraente em suas selfies. Lavey foi citada por muitos veículos de comunicação ao dizer que sua imagem virtual é tão importante quanto a sua imagem na vida real.  De acordo com ela, seu queixo estava arruinando suas selfies e, portanto, tinha que ser modificado…

“À luz dessas mudanças sociais, quando nos deparamos com um aumento das cirurgias plásticas motivadas por selfies, provavelmente devemos fazer uma pergunta simples sobre essa fotografia: uma foto que foi tirada à distância de um braço, com má iluminação e uma lente de câmera acoplada a um smartphone, realmente é a melhor forma de julgar se estamos ou não estamos felizes com nossa aparência? Provavelmente não”, defende o médico, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Mas nem tudo tem apenas um lado ruim. Penteado defende que podemos usar as selfies como uma forma de elevar a autoestima. “As selfies são uma ótima maneira de aprender a apreciar o próprio corpo! Comece a usá-las como instrumento de aprendizagem e autoexploração. Você pode se surpreender em encontrar tanta beleza ao alcance de um clique”, diz o médico.

Cirurgia plástica da face

Não há como negar que as mídias sociais desempenham um papel particularmente relevante na vida dos jovens e na sua autoestima, por isso não é nenhuma surpresa que elas também sejam a força motriz por trás de um rosto cada vez mais jovem por meio da cirurgia plástica facial. Em 2013, mais da metade dos cirurgiões plásticos faciais pesquisados ​​ (58%) registou um aumento nas cirurgias plásticas e nos procedimentos estéticos em pessoas com menos de 30 anos de idade.

A pesquisa revelou ainda que 39% dos membros da AAFPRS afirmaram que houve um aumento na demanda por procedimentos cosméticos não cirúrgicos, visando adiar a cirurgia facial. 34% ​​afirmou que as mulheres com menos de 35 anos estão cuidando mais da pele para evitar sinais visíveis de envelhecimento por mais tempo, enquanto 23% dos cirurgiões apontou que os homens com menos de 35 anos estão buscando a rinoplastia, a lipoaspiração do pescoço, os implantes de queixo e os procedimentos para a redução das cicatrizes da acne.

Mulheres são diferentes dos homens

As mulheres continuam a ser as candidatas mais prováveis ​​para a cirurgia plástica facial e foram responsáveis ​​por 81% de todos os procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos em 2013, nos EUA. Na verdade, as mães são as candidatas mais prováveis, somando dois terços de todos os procedimentos realizados em mulheres, no ano passado.

Os homens estão mais preocupados com as rugas e com a queda de cabelos, enquanto as mulheres valorizam mais a aparência jovem, resultado do lifting facial, bem como um nariz atraente. Entre os pacientes do sexo masculino, os procedimentos mais populares foram aplicações de toxina botulínica, injeções de ácido hialurônico, transplantes de cabelo e a rinoplastia.

Os procedimentos cirúrgicos mais realizados pelas mulheres foram os liftings faciais e as rinoplastias, seguidos da blefaroplastia. Em 2013, a aplicação da toxina botulínica ainda reinava como o procedimento não cirúrgico mais realizado entre as mulheres, seguido por injeções de ácido hialurônico.

“Enquanto isso, a popularidade da rinoplastia atinge igualmente ambos os sexos, com cirurgias de nariz sendo o procedimento cirúrgico mais solicitado por homens e mulheres com idade inferior a 35 anos, 90% e 86%, respectivamente, nos EUA”, diz o cirurgião plástico.

Cirurgia em família

Ruben Penteado destaca um dado interessante da pesquisa americana: “o vínculo familiar está em ascensão no campo da cirurgia plástica, com o levantamento revelando um aumento de 8% em membros da família do sexo feminino submetidos a procedimentos em conjunto com o marido”. Maridos e esposas são os mais propensos a optar por fazer uma cirurgia cosmética em conjunto, com 31% dos cirurgiões plásticos faciais pesquisados ​​indicando um aumento dos pedidos de cirurgia plástica em casais, ​​em 2013. As mulheres tendem a ser a força motriz por trás da decisão.

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