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Co-housing, o Resgate da Comunidade Perdida

Co-housing, o Resgate da Comunidade Perdida No último domingo, 28, começou em São Paulo o resgate de um dos aspectos…

By Redação , in Coluna , at 01/07/2015

Paulo

Co-housing, o Resgate da Comunidade Perdida

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

No último domingo, 28, começou em São Paulo o resgate de um dos aspectos mais fundamentais das relações humanas; o resgate do senso de comunidade e pertencimento, o resgate de um modo de vida quase esquecido na megalópole do século XXI. Aconteceu o primeiro workshop de iniciação ao co-housing no Brasil. Promovido pelo grupo COHABITAR SÉCULO XXI São Paulo e conduzido pela arquiteta Lilian Avivia Lubochinski, a oficina teve vagas esgotadas e reuniu dezenas de interessados em descobrir uma nova forma de viver, que harmoniza espaços particulares a espaços comunitários numa fórmula que promove o resgate do sentido de vizinhança, de amizade e compartilhamento de um modo atual, vivo e realista.

Num primeiro olhar, a idéia de comunidade para muitos leva a pensar em casas compartilhadas e falta de espaço e privacidade. Tudo no co-housing contemporâneo é pensado para deixar essas referências apenas no passado, como as experiências iniciais que criaram este movimento absolutamente moderno e bem-pensado. Os fundamentos do co-housing foram pensados pelos velhos hippies californianos e nasceu, como tantas tendências e inovações fundamentais; naquele berço de idéias que é o norte da Califórnia, a Bay Area de San Francisco, Oakland e Berkeley. Mas exatamente por ter nascido pelas mãos de pessoas que viveram os apertos e durezas das comunidades das décadas passadas, veio com uma renovação do senso de comunidade que preserva a privacidade e o espaço particular de cada um.

Todos os princípios do co-housing, na verdade, remetem ao pensamento básico e natural do único tipo de comunidade humana comprovadamente funcional, que é o modelo da pequena aldeia; onde todos se conhecem, unem-se por afinidades, compartilham grande parte do que fazem, mas ainda assim, cada um tem sua casa, seu espaço, cada família tem suas configurações e particularidades. E no qual se pode, a qualquer hora, fechar a porta e escolher não estar disponível.

O Co-housing acontece hoje como movimento principalmente na California e nos países escandinavos; mas em cada local tem características muito diferentes, apesar de compartilhar os mesmos princípios. Se no espaçoso estado americano é principalmente formado de comunidades compostas de casas com amplos espaços, no norte da Europa muitas vezes constrói-se um edifício bem no meio da cidade, que visto por fora parece apenas mais um prédio como outro qualquer. Mas, dentro dela, além dos apartamentos, há áreas compartilhadas; especialmente aquelas relacionadas aos serviços, alimentação e as áreas de convívio. E é desse compartilhamento que nascem os valores fundamentais do co-housing para o século XXI: vinte, trinta ou quarenta famílias compartilham o espaço de alimentação, por exemplo. Isso faz com que, obviamente, sempre haja vários dispostos a cozinhar. E por isso, nem todos precisam cozinhar para que haja alimentação para todos. O que também diminui tremendamente o desperdício, a conta de gás, o trabalho desempenhado por cada um. As compras em grandes quantidades reduzem imensamente o preço dos alimentos, que é, em qualquer sociedade, um dos itens mais pesados de todas as famílias. Num co-housing, as pessoas todas se conhecem, e caronas são a coisa mais simples e fácil do mundo se você convive com 40 famílias em volta.

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Lilian Avivia Lubochinski – Foto: Paulo Ferreira

O co-housing tem desenhos específicos, também, especialmente nos países com mais população idosa: há co-housings especificamente criados para moradores acima dos 50 anos, com serviços e características customizadas para as necessidades da faixa etária em questão. Há co-housings de famílias; os exclusivos de adultos; os exclusivamente para idosos, e por aí vai. Mas uma das maiores contribuições do co-housing começa a ficar clara já numa primeira oficina como esta que aconteceu em São Paulo: o pensamento, o profundo mergulho que as pessoas começam a fazer sobre a questão da moradia, da habitação, e o enorme impacto que essa escolha tem sobre a vida das pessoas. impacto de qualidade de vida, impacto de senso de comunidade, segurança, apoio.

Muitos dos participantes desta primeira oficina já tinham vivido experiências comunitárias, seja em um kibutz ou numa república universitária. E é impressionante verificar como cada um deles traz dentro de si uma lembrança do valor dessa experiência, assim como o desejo de resgatá-la e colocá-la de volta em suas vidas. Mas há outras extensões possíveis que indicam possibilidades de mudanças ainda mais profundas que podem nascer do modelo de co-housing; como explica a própria Lilian Avivia “um dos sonhos dourados que eu pretendo alcançar com o co-housing é fazer uma aliança com pequenos produtores rurais de orgânicos, por exemplo, nós financiamos o produtor, ele nos alimenta, ele ganha mais, nós temos alimentos melhores e mais baratos; e nós – tanto quanto ele – saímos do mercado – deixamos de alimentar esse sistema especulador e atravessador, sabemos de onde vem o que comemos, na época da colheita vamos lá ajudar e acompanhar, então isso é um grande sonho de mudança que pode ser perfeitamente alcançado através do co-housing.” .

Como se vê, o potencial transformador da idéia é tremendamente poderoso no resgate de um modo de vida mais justo, equilibrado e que coloca o ser humano e suas necessidades no núcleo das decisões, de onde jamais deveria ter saído para dar lugar à desumana lógica do lucro corporativo a qualquer preço.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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