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Com ajuda da ONU e do Brasil, acesso à saúde no Haiti melhora

Agentes de saúde. Essa é a fórmula que várias regiões do Haiti vêm encontrando para mobilizar a comunidade e alcançar…

By Redação , in Brasil Mundo News & Trends ONU , at 14/03/2015

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Agentes de saúde. Essa é a fórmula que várias regiões do Haiti vêm encontrando para mobilizar a comunidade e alcançar ganhos reais no setor. Em associação com Brasil, Cuba e Haiti, o programa de agentes comunitários, coordenado pela Organização Pan-Americana da Saúde da ONU (OPAS/OMS), transforma a informação na maior aliada para prevenir doenças que afetam grande parte da população haitiana.

Mireille Thomas é uma das participantes do programa no distrito de Carrefour – área metropolitana da capital, Porto Príncipe – e uma das 1.600 agentes comunitárias polivalentes formadas pela cooperação tripartite. Ela conta que o seu trabalho ajuda a salvar vidas na comunidade. Como exemplo, cita o caso de uma mulher grávida que, através das visitas de rotina, conseguiu detectar que sofria de pré-eclâmpsia, uma distúrbio que aumenta a pressão da mãe e compromete o desenvolvimento do bebê.

“Quando ela engravidou, nós a aconselhamos a fazer as consultas pré-natais e ela seguiu todas as recomendações. Aos nove meses, sentiu dor de cabeça, enxaqueca, dor na coluna vertebral; então percebi que era pré-eclâmpsia. A levei ao hospital e eles confirmaram o diagnóstico”, lembrou.

Segundo Thomas, suas visitas foram essenciais para que a mãe não seguisse um costume comum no Haiti: dar à luz em casa, sem assistência especializada.

“No momento do parto, ela foi para o hospital. Hoje, a criança é um menino saudável, tem dois meses, alimenta-se somente com leite materno e está com a carteira de vacinação em dia”, completou.

Cada agente comunitário do programa cuida de aproximadamente mil pessoas. Diariamente, precisa visitar 10 famílias para que o objetivo seja cumprido. O responsável pelo projeto no distrito de Carrefour, Jean Douly Caillot, lembra que o programa “começa na comunidade, para a comunidade e dentro da comunidade”. Com os agentes é possível prevenir muitas doenças e evitar os altos custos dos tratamentos, que grande parte da população, não possui meios para pagar. E desta forma, todos saem ganhando.

“Esse é um programa que começou há três anos e que tem dado um resultado muito satisfatório para a população de Carrefour. Quando começamos, tivemos muita dificuldade porque a população não tinha o costume de receber atenção de qualidade e que, a princípio, foi completamente gratuita”, contou Caillot. “Passamos muito tempo investindo em construção de hospitais, mas não tínhamos nos dado de conta de algumas coisas. A população haitiana tem uma situação muito precária e não pode pagar pela cura das doenças”.

Combate ao cólera

Essas foram lições aprendidas de forma dolorosa com umdramático surto de cólera que o país passou a vivenciar em 2010 e que causou mais de 700 mil suspeitas de casos da doença e mais de 8 mil mortes. Só no primeiro ano da epidemia, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apenas no Haiti aconteceram mais casos da doença do que todo o continente africano. Hoje, os casos de cólera se encontram em declínio e centros de tratamento da doença começam a fechar em todo o país. Os que ainda permanecem abertos, recebem poucos pacientes.

Para o representante da OPAS no país, Jean-Luc Bonselet, a carência de água potável e saneamento acessível para todos agrava a situação.

“Essa é uma das razões pela qual o risco de cólera no Haiti é muito maior do que em qualquer outro lugar. Então o que podemos fazer? Precisamos enfrentar a doença a partir do lado médico, o que significa tratar os pacientes, mas também significa que a nossa principal arma deve ser o fornecimento de higiene e saneamento para a população”, disse Bonselet.

Para suprir esta deficiência, o grupo de agências do Sistema ONU no país, junto com a Missão da ONU para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) vem contribuindo com o governo haitiano para aumentar o fornecimento de água no país, promovendo campanhas de vacinação e aumentando a oferta e serviços médicos no Haiti. Bonselet também reconheceu o apoio vital das organizações não governamentais em melhorar as condições de saúde.

“Nós sabíamos o que era o cólera, mas apenas na teoria. No entanto, de maneira prática, não sabíamos administrar os casos de cólera. Graças aos parceiros que nos transmitiram esse conhecimento, em 2012, os médicos haitianos começaram a responder à gestão dos casos de cólera”, explicou o coordenador do projeto cólera para a região do Oeste para o Ministério de Saúde, Pierre Julnor Laurent.

Apesar dos casos de cólera terem caído, a ponto de vários médicos decretarem o fim da epidemia, Laurent afirmou que o sistema de saúde no Haiti deve continuar vigilante. Em outubro, vários pacientes voltaram a aparecer nos centros de tratamento com sintomas da doença e com a aproximação da temporada de chuva, as condições precárias de saneamento possibilitam uma maior propagação da doença.

Prevenção como maior aliada

Devemos continuar vigilantes porque o vírus do cólera está aqui. São necessárias ações comunitárias, de prevenção, promoção de higiene, monitoramento epidemiológico e devemos implementar infraestruturas sanitárias, de água potável e transmitir à população mensagens-chave de como devem se comportar para combater às doenças, não apenas o cólera, mas a diarreia, a disenteria e doenças causadas por parasitas intestinais”.

Em 2014, de acordo com a ONU, foram registrados mais de 20 mil casos e cerca de 200 mortes. Hoje, os casos de cólera se encontram em declínio e os centros de tratamento começam a fechar em todo o país. Os que ainda permanecem abertos recebem poucos pacientes. Campanhas de sensibilização com a comunidade e medidas de prevenção são realizadas cada vez que há um novo foco da doença. O sistema atualmente trabalha de forma integrada, para que os centros de saúde notifiquem ao governo quando identifiquem vários casos procedentes de uma mesma região, para que ações sejam adotadas rapidamente.

É o caso da comunidade de Lavi, no município de Gressier, onde vários pacientes foram internados no centro médico local com sintomas de cólera.

“Essa é uma zona muito vulnerável, não há água, não há saneamento e não há latrinas. As pessoas evacuam ao ar livre. As condições são as piores para a propagação do vírus da cólera e o contágio é realmente favorável porque sem água, as pessoas não têm como lavar as mãos”, explicou a enfermeira do Ministério da Saúde, Marie Tallange Lestin.

 Brasil trouxe outras contribuições importantes para a área da saúde. Além do financiamento do programa de agentes comunitários, o país, junto com Cuba, possibilitou a construção de três hospitais e ajudou a prevenir doenças como o sarampo e a rubéola através de campanhas de vacinação e formação profissional.

Outras medidas simples ajudam a prevenir doenças e economizar milhares de dólares que podem ser revertidos para salvar vidas. Como exemplo de uma dessas iniciativas está o financiamento de uma fossa séptica e banheiros adequados em um centro de tratamento de cólera. O projeto evitou um maior contágio entre pacientes, familiares e equipe médica dentro das instalações e evitou gastos desnecessários e repetitivos para manter a fossa limpa.

Melhor sistema de água potável e saneamento

“O apoio da MINUSTAH nos ajudou a ter um melhor sistema de gestão de água usado aqui. É primordial para a higiene sanitária geral, porque neste local nós tratamos tanto os pacientes de cólera, mas também pacientes com outras patologias. Nestes 14 meses, nós não precisamos, até o momento de chamar um caminhão para limpar a fossa, o que nos permitiu economizar 60 mil dólares, que nós agora poderemos reverter para o benefício dos pacientes”, disse o chefe de serviços médicos do Centro de Tratamento de Cólera St. Philomena, Marc Edson Augustin.

Avanços também foram obtidos em três dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs): a redução da incidência de AIDS e outras doenças, da mortalidade infantil e da mortalidade materna. No Haiti, quase dois terços de partos acontecem sem nenhuma assistência especializada.

Construído pelo Escritório da ONU para Serviços de Projetos (UNOPS) e financiado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Serviço de Atenção Obstétrica e Neonatal (SONUB) – realiza acompanhamento pré-natal e partos gratuitos, além de orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar.

“O SONUB da Petit Place Cazeau é uma maternidade. Aqui recebemos as mulheres para uma consulta pré-natal, verificamos os serviços vitais, organizamos um tipo de educação em grupo com as mulheres e depois começamos com a consulta propriamente dita. Por mês, recebemos 600 pessoas e realizamos entre 100 e 130 partos por mês”, contou a responsável do projeto, Résie Pierre, ressaltando que graças a esse serviço e o trabalho da equipe, esta maternidade até o momento, não registrou nenhuma morte.

Partos com assistência especializada

Construir capacidades dentro do país é uma grande aposta do governo para gerar empregos e fortalecer o setor da saúde. Através de um programa em parceria com o UNFPA, mulheres haitianas recebem formação gratuita como parteiras com o objetivo de salvar vidas.

“Um dos projetos que o UNFPA apoiou depois do terremoto, e que realmente ajudou bastante o país, foi o financiamento da reconstrução do instituto nacional de treinamento de parteiras. Depois do terremoto, o edifício desmoronou. Nós reconstruímos a escola para treinar parteiras que possam apoiar a saúde materna no país. Mas não demos um apoio único, seguimos apoiando de perto o seu trabalho”, disse o representante do UNFPA no Haiti, Paul Zubeil, lembrando que atualmente há 120 mulheres em treinamento que vão se tornar parteiras totalmente treinadas e qualificadas.

A coordenadora da capacitação de parteiras, Rodeney Ifréne Gabriel, explicou que atualmente há dois cursos em vigor. Um, destinado àquelas que já possuem experiência prévia como enfermeiras e que dura 18 meses. Outro, de 36 meses para as estudantes que acabaram de terminar o ensino médio.

“Eu escolhi esse programa porque amo a maternidade e acho que a vida é uma coisa bela. Então, poder ajudar uma mulher a dar à luz é uma coisa extraordinária”, contou Rose Stephanie Sully, estudante do curso de 36 meses. “No Haiti, no momento, temos uma parte da população que faz o parto em casa. Esse programa vai ajudar as mulheres a darem à luz em melhores condições, vai ajudar a diminuir as taxas de mortalidade e morbidez materna e neonatal.”

Por Onu.org.br

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