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Como abrir uma empresa de sucesso na África?

Confira a análise das relações comerciais de Ashish Thakkar, um empresário de Uganda. Ashish Thakkar começou seu primeiro negócio aos…

By Redação , in Mundo Negócios , at 14/03/2014 Tags:, ,

Confira a análise das relações comerciais de Ashish Thakkar, um empresário de Uganda.

Ashish Thakkar começou seu primeiro negócio aos 15 anos, quando vendia peças de computador para amigos em Kampala, Uganda. Com apenas 5 mil dólares de empréstimo para o projeto, Ashish inicou a carreira como um empreendedor.

Agora, aos 33 anos, ele passa 20 dias por mês viajando pela África e em breve se tornará um astronauta quando fizer um vôo inaugural no SpaceShip Two, da Virgin Galactic,  do qual ele é um membro do conselho. O voo está previsto para o mês de agosto deste ano.

Os negócios de Thakkar cresceram na Mara Group, um grupo de investimento multi-setorial, que opera em 19 países em todo o continente.

Um de seus muitos projetos atuais é o Atlas Mara Co-Nvest Ltda., que fundou com o ex- executivo do banco britânico Barclays, Bob Diamond. Seu objetivo é trabalhar em conjunto para buscar as perspectivas no setor bancário em todo o continente.

Ashish falou ao IBTimes sobre o que está por vir neste novo empreendimento, além do seu estilo de negócio, e o desafio atual da África, região que deverá crescer taxas recordes nos próximos anos.

IBTimes – Como as coisas estão progredindo com o Atlas Mara?

Ashish – Bem, nós pretendíamos angariar 250 milhões de dólares e chegamos ao 325 milhões, o que foi ótimo. Temos um fluxo de negócios que é o resultado de profissionais talentosos que estão surgindo. Os governos estão extremamente receptivos, calorosos e acolhedores.

Não finalizamos nada ainda, mas temos obviamente 12 meses para fazer uma transação, ou seja, até dezembro deste ano. Queremos ser um banco para os negócios. Não estamos necessariamente nos concentrando em grandes empresas, nós realmente queremos focar no varejo, nas pequenas e médias empresas e outros serviços financeiros.

A experiência multinacional de serviços financeiros de Bob, somada com a minha experiência na África nos últimos 17 anos são uma combinação muito forte nesse aspecto.

IBTimes – Este tipo de colaboração é uma tendência?

Ashish – Absolutamente. O modelo do Mara é exatamente isso: organizações internacionais ou indivíduos os quais tenham competência no assunto, enquanto nós temos o conhecimento local. É algo realmente necessário para o progresso no continente.

Eu não acho que as empresas internacionais que vêm por conta própria e tentam fazer negócios com a África estejam no caminho certo. Elas terão vários desafios com a cultura de muitos países. Não é um cenário que dá para copiar e colar modelos anteriormente executados e bem-sucedidos.

Ao mesmo tempo, para que as empresas locais realmente se tornem especialistas em alguma coisa, é necessário haver experiência no ramo e conhecimento global.

IBTimes – Como você e Bob se conheceram?

Ashish – Nos conhecemos há um ano em uma conferência, através de nossas respectivas fundações – a Fundação Mara e a Fundação Família Diamond. Dentro de alguns minutos, percebi que existia uma grande sinergia entre nós de modo geral e profissionalmente também.

Depois nos encontramos mais algumas vezes e concordamos em criar o Atlas Mara. Realmente queríamos provocar um impacto social positivo. Também concordamos que uma parte do nosso lucro com o Atlas Mara iria para as nossas fundações.

IBTimes – O termo “investimento de impacto” está sendo cada vez mais utilizado nos dias de hoje, especialmente em relação aos projetos africanos. Você é um “investidor de impacto?”

Ashish – Essa coisa toda de “lucro para fins” e “investimento de impacto” realmente são termos sensuais e fazem muito sentido, mas não sou um “investidor de impacto”.

Na Mara temos quatro princípios fundamentais. Em primeiro lugar, tudo o que fazemos realmente deve ter um impacto social positivo para o país e as pessoas. Número dois, tudo o que fazemos é pan- Africano. Não gostamos de fazer transações específicas com cada país, queremos alcançar todo o continente. Número três, em tudo que fizermos, queremos “provocar uma mudança”, ser diferentes. Em quarto lugar, tudo o que fazemos é com transparência, de modo que cada projeto tenha a marca Mara.

IBTimes – Então, como isso é diferente do “investimento de impacto”?

Ashish – Eu sou apenas um empresário ético que deseja fazer a diferença da maneira correta.

Todos esses termos são fantásticos, mas acho fundamental, se você quiser vir para a África, que o trabalho seja executado de forma ética, o que o torna automaticamente autossustentável.

Um dos ministros africanos recentemente disse em uma conferência, “Por favor, venha investir na África, mas não estamos implorando. Não estamos desesperados. Nós vamos chegar lá, com ou sem você”.

Queremos o tipo certo de capital e de mentalidade.

O Atlas Mara não é um banco de investimento de impacto. É um verdadeiro banco com dois indivíduos que querem fazer a diferença de forma adequada e a longo prazo.

IBTimes –  Quais são os principais equívocos que as pessoas cometem ao abrir uma empresa ou investir na África?

Ashish – As pessoas precisam entender que nós somos 54 países. Há 54 mentalidades, culturas, histórias, políticas e parlamentos diferentes. Você não pode nos generalizar como um continente. Acho que é muito importante estar plenamente consciente do que é trabalhar dessa forma.

Você precisa ser verdadeiramente local. Não tente copiar e colar qualquer coisa, mesmo dentro de uma mesma região.

IBTimes – Você pode falar sobre alguns projetos recentes?

Ashish – Recebemos propostas todos os dias, talvez de três a cinco. Nós somos a maior empresa de serviços de TI da África, somos o maior fabricante de embalagens de papelão ondulado da África Central e do Oriente. Somos o melhor fabricante de vidro da África Ocidental. Estamos em grande escala nos empreendimentos imobiliários, além da agricultura. Obviamente estaríamos nos serviços financeiros.

Mas o Mara On-line é um espaço muito interessante no momento. Nós vamos lançar três produtos incríveis: o Mara Messenger, que é a nossa plataforma de mensagens instantâneas; o Mara Pay, nossa carteira móvel, e o Mara Mentor, um grupo on-line de orientação aos membros.

É uma estratégia muito interessante que será muito divertida e incrível. É o primeiro local integrado de mídia social do nosso continente.

IBTimes – A fundação está focada em empresários africanos. É verdade que quatro em cada cinco startups não dão certo? Por que isso?

Ashish – É uma loucura, mas isso mesmo. A missão da Fundação Mara é: como realmente vamos capacitar e inspirar jovens empresários e mulheres empreendedoras?

Comecei o Mara quando tinha 15 anos de idade, não tinha contatos profissionais, mas levantei 5 mil dólares. Então eu entendo o que é estar na África e começar com pouco capital.

IBTimes – O que torna tão difícil começar um negócio na África?

Ashish – No Ocidente há sistemas mais estabelecidos. Você pode lançar uma idéia para alguém e eles vão apoiá-lo. Existe capital de risco para quem gosta desse tipo de coisa. Os EUA estão acostumados a ter um monte de jovens bem-sucedidos.

A história do Vale do Silício começou nos anos 60, e no final desta década, no início dos anos 70, a indústria de capital de risco foi crescendo; dentro de dois dias você poderia levantar o dinheiro.

A Mara levou 17-18 anos para chegar onde está hoje. Tenho certeza que se nos capacitarmos e tivermos inspiração, podemos crescer muito mais rápido, e o meu sonho é que isso aconteça.

© 2014, IBTimes

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